Manual do Jovem - Período Histórico

C. Pimenta

Que período histórico escolher?

Uma primeira hipótese é não escolher nenhum, isto é, assumir o que colecciona desde a emissão do primeiro selo até aos dias de hoje.

Note, contudo, que é talvez preferível delimitar o período e existirem condições para ter uma colecção completa - ou quase, já que uma colecção pode ser sempre melhorada com novas peças - do que ser à partida excessivamente ambicioso e irrealista.

É habitual considerar três períodos:

Período clássico: Desde o primeiro selo até 1900, o qual pode ser decomposto, segundo os especialistas da filatelia clássica, em dois subperíodos: da origem até 1870 e de 1871 até 1900.

Período semi-moderno: Engloba todas as emissões desde 1900 até 1940.

Período moderno: Inclui as emissões entre o primeiro dia do ano de 1940 até hoje.

Certamente existem critérios válidos para esta decomposição temporal. Mais que não seja uma repartição em períodos equitativos, à data da sua feitura. Válidos ou não convém serem tomados em conta no caso de exposições. É um elemento de referência.

Existem outras possibilidades? Certamente que sim e muito provavelmente mais consentâneas com a história de cada administração postal e país e com o princípio do prazer que enunciámos no início deste capítulo. As possibilidades são tantas e de natureza tão diversa que escapam a uma tipificação, a uma classificação.

Porque não fazer a colecção de Portugal desde a implantação da República ou desde o 25 de Abril de 1974?
Porque não coleccionar os países do Leste Europeu desde a queda do muro de Berlim até ao desaparecimento da URSS?
Porque não coleccionar os países africanos durante os primeiros cinco anos após a independência (excelente oportunidade para se estudar os objectivos do novo País)?
Porque não coleccionar Europa-CEPT a partir do ano (1974) em que cada País passou a apresentar motivos próprios dentro de uma mesma temática?
Porque não coleccionar selos referentes a uma figura proeminente a partir da data da sua morte?
Porque não coleccionar os marcadores de golos nos campeonatos mundiais de futebol durante o período em que o Eusébio foi jogador?

São todas hipóteses de periodização que assentam em critérios objectivos, bem precisos e válidos. Em alguns casos a sua fidelidade à história de um País ou tema faz com que tenha maior razão de ser que um critério excessivamente rígido como o anteriormente referido.

Porque não coleccionar um País a partir da data em que se foi viver para ele ou lhe nasceu aí um filho? Porque não coleccionar selos sobre pesca a partir da data em que começou a dedicar-se a esse desporto? Porque não coleccionar carteiras de selos a partir da data em que nasceu? Porque não coleccionar os selos dos países apenas nos anos em que os visita?

São hipóteses de periodização válidas. Devem ser prosseguidas se é isso que lhe dá prazer mas não se esqueça que provavelmente terá alguma dificuldade em justificar a terceiros a coerência da escolha feita porque tem uma natureza subjectiva. As suas subjectividades não são as dos outros e a tolerância humana é muito reduzida.

Se o período inicialmente considerado lhe vier a parecer insuficientemente adequado tem sempre possibilidades de o corrigir.

O fundamental é coleccionar e periodicamente repensar a coerência do que se faz.



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