Manual do Jovem - Região ou Tema

C. Pimenta

As primeiras colecções de que há conhecimento foram por regiões, isto é os selos eram dispostos cronologicamente dentro do mesmo País. Nos primórdios deste coleccionismo haveria mesmo a intenção, e possibilidade, de abranger todos os países emissores.

A organização das colecções pelos motivos representados nos selos ou pelo fim da emissão é relativamente recente. Como prática generalizada parece remontar à década de quarenta deste século.

Coleccionar uma região ou um tema é normalmente a primeira opção que se coloca ao jovem filatelista, embora possa ser possível conciliar as duas vertentes.


REGIÕES



Falemos primeiro das regiões.

Qual o âmbito geográfico das regiões s coleccionar?

A primeira hipótese que surge é a de um País. Contudo, não nos podemos esquecer que, na procura de obter mais dinheiro com a comercialização dos seus selos ou por preocupações de descentralização e de resposta a anseios regionalistas diversos países fraccionaram-se em sub-regiões ou em diversas administrações postais. Reforçam-se assim as possibilidades de se considerar apenas uma parte do País.

Mas também existe a possibilidade de se coleccionar um conjunto de países associados por razões geográficas, políticas, culturais, linguísticas ou outras. Assim é possível coleccionar

os países da Península Ibérica


Mapa obtido de MapNFacts para Dos


as administrações postais da Península Ibérica,

os países não-insulares da América Central

 
 


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os países originariamente constitutivos da SADCC

SADCC = South Africa Development Coordination Conference

Em 1979 os países que estavam sobre a influência da economia da África do Sul e que se opunham ao seu regime de Apartheid iniciaram negociações para a constituição de uma área de comércio livre na África Austral.
Esta instituição veio a formalizar a sua constituição na Conferência de Lusaka, realizada em Abril de 1980.
Constituiram a SADCC, por ordem alfabética, Angola, Botswana, Lesoto, Malawi, Moçambique, Swazilandia, Tanzânia, Zambia, Zimbabwe




Angola.
Independente desde 1975.
1.246.700 Km2
Botswana
Independente desde 1966.
600.370 Km2
Lesoto
Independente desde 1966.
30.350 Km2
Malawi.
Independente desde 1964.
118.480 Km2
Moçambique
Independente desde 1975.
801.590 Km2
Swazilandia.
Independente desde 1968.
17.360 Km2
Tanzânia.
Constituído em 1964 pela federação de Tanganyika (independente desde 1961) e de Zanzibar (independente desde 1963).
945.090 Km2
Zambia.
Independente desde 1964.
752.610 Km2
Zimbabwe.
Declara-se independente em 1965 (poder da minoria branca), não sendo reconhecido pelo Reino Unido. Reconhecido em 1980 depois da guerrilha ter deposto o governo de minoria branca.
390.580 Km2


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os pioneiros da União Europeia

A União Europeia é uma criação recente e resultado de uma evolução anterior da CEE.
Após a II Guerra Mundial o Plano Marshall e a Organização Europeia de Cooperação Económica foram os primeiros passos de uma cooperação numa Europa Ocidental desde milénios atravessada por guerras e conflitos. Via-se então a possibilidade de formar uma União Aduaneira.
Com caracter experimental e limitado estreitam-se os laços de cooperação em 1952 com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Três anos mais tarde seis países lançam a ideia de criar um Mercado Comum e em 25 de Março de 1957 foi assinado o Tratado de Roma, pelo qual se constitui a CEE, Comunidade Económica Europeia.
Esta veio posteriormente a sofrer diversos alargamentos, mas nessa fase era constituída pela


BélgicaFrança
HolandaItália
LuxemburgoRepública Federal Alemã



os países em que o budismo tem uma grande implantação,

os países de língua oficial portuguesa



Dos Estatutos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa:
Artigo 1.º - Denominação
A Comunidade doa Países de Língua Portuguesa, doravante CPLP, é o foro multilateral privilegiado para o aprofundamento da amizade mútua, da concertação político-diplomática e da cooperação entre os seus membros.

Artigo 2.º - Estatuto Jurídico
A CPLP goza de personalidade jurídica e é dotada de autonomia administrativa e financeira.

Artigo 3.º - Objectivos
São objectivos ferais da CPLP:
a) a concertação político-diplomática entre os seus membros em matéria de relações internacionais, nomeadamente para o reforço da sua presença nos fora internacionais.
b) a cooperação, particularmente nos domínios económico.social, cultural, jurídico e técnico-científico;
c) a materialização de projectos de promoção e difusão da Língua Portuguesa.


Constituem a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Principe e Timor.

 
 


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os países que usam o abecedário cirílico.

São meros exemplos, aos quais se podem acrescentar muitos outros.

Em quase todos os casos anteriormente referidos a região considerada é relativamente estável, mas também existem situações em que tal não acontece. É o caso, por exemplo, em que se coleccionam países que mudam de nome, que conquistam a independência ou em que se verificam determinados tipos de acontecimentos.


Admitamos que se fixou numa região que lhe dá particular prazer coleccionar: Portugal.

Já sente um certo alívio de ter fugido da tentação de coleccionar todos os países do mundo ou, pelo menos, daqueles de que já tinha exemplares. Conseguiu delimitar a sua colecção. Parabéns.

Provavelmente sentir-se-á bem com a escolha e,

se é um jovem coleccionador, sugerimo-lhe que se mantenha alguns anos nessa escolha (o que não invalida também fazer uma colecção temática, até para comparar diferentes formas de coleccionar) combinando-a com a consideração de um período específico: Portugal clássico, Portugal semi-moderno, Portugal moderno, Portugal republicano, Portugal democrático, etc.


Mas dentro deste tipo de coleccionismo (delimitação com base na região e atribuição de grande importância à data das peças filatélicas) existem outras possibilidades:



Dentro do âmbito do critério geográfico-político de delimitação e organização da colecção, é de referir ainda a colecção de História Postal:
Uma colecção de História Postal tem por objectivo o estudo e a classificação dos documentos filatélicos e peças postais, relacionados com o correio postal, incluindo não só os serviços postais oficiais ou privados, como ainda os de carácter local.(1)


Delimitar o âmbito não facilita a constituição de uma colecção completa: diminui o âmbito e aumenta a pormenorização.

Assim, por exemplo, se numa colecção moderna de Portugal é aceitável só ter selos (novos ou usados) emitidos em condições normais, se coleccionar sobre uma única série deve ter em conta as diversas tiragens, as variedades, os erros, os ensaios, as provas de artista, etc.


TEMAS


Abordemos agora a opção por uma colecção temática.
Enquanto que na situação anterior o elemento aglutinador, isto é, o que permitia falar em uma colecção, unificar o conjunto de peças filatélicas era o facto de serem provenientes de um mesmo conjunto de administrações postais, no caso da filatelia temática essa unidade resulta, como próprio nome indica, do tema.
A dificuldade está no entendimento do que é o tema.


Melhor do que darmos explicações muito completas é colocarmos um conjunto de exemplos

Exemplo 1


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Estas três peças filatélicas foram emitidas tomando como referência um campeonato mundial de futebol.

  • O selo 1 foi emitido pela Hungria em 1978 tomando como referência o campeonato do mundo «Argentina 78», assinalando o jogo França-Itália.
  • O selo 2 foi emitido em 1973 pela Guiné Equatorial com o pretexto do campeonato do mundo de futebol de Munique. Faz parte de uma série condenada pela Federação Internacional de Filatelia a não integrar colecções expostas, pelo facto de não ter sido utilizada na circulação de correspondência.
  • O selo 3 foi emitido pela República de Cabo Verde em 1982 a propósito do campeonato de mundo de futebol «Espanha 82», sendo o valor nominal mais elevado da série.


Se eu pretender fazer uma colecção que aborde o futebol, os campeonatos de futebol ou os campeonatos mundiais de futebol estes três selos são do mesmo tema (apesar do dois ter as limitações filatélicas anteriormente referidas).

Três selos, um mesmo motivo de emissão, imagens com certa similitude.


Exemplo 2


12
3


Estas três peças filatélicas têm como imagens rostos de mulheres que, por qualquer razão, se tornaram célebres.
  1. Uma delas representa um par de selos retirados de uma carteira (só denteados verticalmente) representando Sappho e Amalia Fleming e foi emitido em 1996 pela Grécia, no âmbito das séries Europa - CEPT (Confederação Europeia dos Correios e Telecomunicações), comuns a diversos países daquele continente. Nesse ano o tema comum era «mulheres célebres»
  2. A segunda foi emitida pela República Federal Alemã em 1975 no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Mulher, ano lançado pela ONU para chamar mundialmente a atenção para a situação das mulheres e para a descriminação social de que ainda são alvo. Ricarda Huch é a mulher representada.
  3. A terceira peça é um selo, com uma vinheta sem valor, emitido pela França em 1992 e representa a música Germaine Tailleferre. Faz parte de uma série representando músicos.


Se se pretender fazer uma colecção que inventarie as mulheres célebres nacional ou internacionalmente as três peças filatélicas pertencem (ou podem pertencer) ao mesmo tema.

Três peças filatélicas de tipo diferente, diferentes motivos de emissão, imagens com certa similitude.



Exemplo 3




1
2
3
4
5
6



Estas quatro peças filatélicas têm imagens muito diferentes e são de diferente tipo.

  1. A primeira é um selo denteado emitido pela República do Niger, país africano. Foi emitido em 1979 e é o selo de maior valor da série de três então emitidos. Representa duas crianças com cores de pele diferentes brincando com um avião.
  2. A segunda é um bloco não denteado emitido em 1981 por S. Tomé e Princípe em homenagem de Picasso e reproduzindo imagens do período cubista. Comporta igualmente a assinatura do pintor.
  3. A terceira é um bloco denteado com personagens Disney, mais exactamente o Rato Mickey, emitido por Grenada (Grenadines), grupo de ilhas das Antilhas, em 1979.
  4. A quarta é uma tira de selos denteados com a reprodução de imagens religiosa relacionadas com o Natal e com os votos de "feliz Natal 1980". Foi emitido pelo Paraguay em 1980, como seria de esperar face aos votos anteriormente referidos. São quatro selos de uma série emitida a pretexto do Natal com comporta sete.
  5. A quinta é uma prova de luxo que representa duas crianças com cor de pela diferentes acendendo uma vela na árvore de Natal. Este e o Ano Internacional da Crianças foram os pretextos para esta edição do Rwanda de 1979. É uma prova de luxo de um bloco que foi emitido com a cor ultramar. Na imagem é apresentada a parte central da referida prova.
  6. Finalmente a sexta peça é um envelope de primeiro dia do selo emitido em 1979 pela Suécia referente ao Ano Internacional da Criança. O selo representa uma criança com uma máscara protegendo-a da poluição, um dos problemas maiores da humanidade . O carimbo, de Estocolmo reproduz o símbolo criado pela ONU para esse Ano.


Se olhássemos exclusivamente para as imagens representadas poder-se-ia, à partida, admitir que estas peças filatélicas quase nada tinham a ver umas com as outras. Contudo todas elas têm dois elementos comuns:

  • o símbolo do Ano Internacional da Criança, ano criado pela ONU para chamar a atenção do mundo sobre os problemas existentes para as crianças de hoje e de amanhã, o qual é motivo específico no selo seguinte:
  • o facto de todas estas peças filatélicas serem, directa ou indirectamente manifestações de adesão à iniciativa da ONU.


Se se pretender fazer uma colecção que mostre como é que esse AIC foi interpretado pelas diversas administrações postais todas estas peças filatélicas fazem parte do mesmo tema.
Várias peças filatélicas de tipo diferente com imagens diferentes pertencem ao mesmo tema por ostentarem o símbolo do Ano Internacional da Criança.


Exemplo 4


1
2


  1. O primeiro selo foi emitido pela França em fins de 1994 representando uma paisagem de Paris, mais concretamente os Campos Elísios à noite com iluminações natalícias. A vinheta anexa exprime em francês e inglês os votos de feliz ano de 1995.
  2. O segundo selo foi emitido por Portugal em 1988 sendo um dos selos da primeira série "Pintura Portuguesa do Século XX". Representa um famoso quadro do nosso pintor Amadeo de Souza-Cardoso.


Poderíamos ser levados quase espontaneamente a considerar que nada há de comum entre estes dois selos. No entanto se eu pretender fazer uma colecção que tenha como tema a vida e obra de Amadeo de Souza-Cardoso algo os une fortemente: o primeiro é uma paisagem da região onde aquele pintor viveu e sofreu fortes influências estéticas. Poderão ou não integrar a mesma colecção, provavelmente existirão outros selos representando Paris, uma Paris do ínicio de século, mais adequados, mas não está excluída a possibilidade dos dois selos integrarem o mesmo tema.

Duas peças filatélicas do mesmo tipo, com imagens radicalmente distintas que podem pertencer ao mesmo tema.




Exemplo 5


12
3


Considerem as três peças filatélicas apresentadas.

  1. A primeira é um selo emitido pelo Iraque em 1977 a propósito das Festas da Primavera. Representa uma flor existente naquele país, de nome científico "lathyrus odoratus"
  2. A segunda é um par de selo (constituindo a série) emitido pela Hungria em 1961 associado ao 1º de Maio, dia do trabalhador, e que representam rosas.
  3. O terceiro é um selo emitido pela Polónia, em 1977, com a imagem de uma borboleta ("parnassius apollo"), parte de uma série só sobre borboletas.


Se eu pretender constituir uma colecção cujo tema sejam rosas a primeira peça não pertence à colecção, a segunda pertence e a terceira poderá pertencer ou não conforme se inclua, ou não, referência às relações entre as rosas e os animais (ficando ainda por analisar previamente se o tipo de borboleta representado existe nas mesmas áreas geográficas das rosas)

Se pretender constituir uma colecção cujo título é "As flores, classificações ..." a "odoratus" e a rosa poderão ser peças da colecção enquanto a borboleta não o será.

Três peças filatélicas do mesmo tipo, com imagens em parte semelhantes e em parte diferentes, emitidas por motivos diversos que se combinam ou não na mesma colecção conforme o tema.



ilustrativos desta situação.

Podemos pois considerar que se fazer uma colecção temática é fundamental conjugar dois aspectos:

  1. Saber-se o que se pretende apresentar com a colecção
  2. Possuir-se um conjunto de peças filatélicas que permitam atingir esse objectivo.


Aparece assim como evidente que numa colecção temática intervêm elementos filatélicos e componentes não filatélicas.

Quais são os elementos filatélicos?



Estudar, Harmonizar, Seleccionar




Falamos em estudar, seleccionar e harmonizar mas antes do mais é fundamental que o filatelista sinta inteira liberdade de actuação, encontre na colecção temática a possibilidade de despertar todas as energias da imaginação criadora, seja através do tema que escolhe seja da forma que o trata, que a filatelia constitua um mecanismo de libertação individual, o despertar de um espaço onírico.

O prazer é o termo condutor de toda a actividade: prazer em ver as peças filatélicas, prazer em as adquirir, prazer em estudá-las, prazer em consultar pela Internet, pelo correio ou pessoalmente os locais filatélicos de todo o mundo, prazer em corresponder-se, prazer em ter uma colecção que guarda para si ou que apresenta aos outros.

É por essa razão que nesta fase da abordagem, numa fase inicial do despertar para uma colecção temática, pode ser extremamente negativo concentrar muita atenção nos regulamentos e normas emanados pelas instituições filatélicas. Estas sintetizam uma experiência, são uma referência que permite recolher muitas sugestões, são indispensáveis para quem queira entrar em competições, mas também podem ser castradoras da imaginação, excessivamente burocráticas para consubstanciar o prazer na nova actividade.

Estudar

O estudo que se faz sobre uma qualquer peça filatélica pode ser mais ou menos extenso quanto os nossos objectivos, conforme o tipo de colecção em que se integra e o papel que uma determinada peça filatélica desempenha no conjunto da colecção.

Podemos conceber uma ficha com todos os elementos a recolher sobre uma peça filatélica, uma ficha que nos orienta, que faz com que não esqueçamos nenhum aspecto, mas não pode ter mais do que um caracter indicativo.

Para o coleccionador temático o estudo de cada peça filatélica tem um caracter mais limitado do que para quem pretenda fazer um estudo especializado sobre uma série ou um selo. Se se pretendesse estudar tudo sobre cada selo caíamos num beco sem saída porque provavelmente nunca terminaríamos o trabalho. Conhecer quase tudo sobre uma peça filatélica exige acesso a catálogos dos respectivo País (isto é, não basta um catálogo universal), frequentemente especializados, exige pesquisa histórica por vezes bastante difícil de se realizar, necessita de acesso a fontes frequentemente difíceis de se obter. Tal poderá ser possível para um país, é-o para um número reduzido de selos de uma administração postal mas não o é certamente para todas as peças filatélicas que integram uma colecção temática: de diversos países, de diversas épocas históricas, de diferentes tipos e em quantidade ainda significativa.

Se devemos procurar sempre mais informações não devemos ficar possuídos pela angústia do que nos falta e muito menos esmagados pela necessidade de fazer isto ou aquilo. Já nos bastam as obrigatoriedades da vida para que as tenhamos também no que nos é lúdico.

Contra o enfado
da obrigatoriedade
a alegria
da loucura criadora


Para a recolha da informação sobre as peças filatélicas que interessam para a colecção é importante

  1. saber se existe um catálogo temático e no caso afirmativo ter acesso a ele
  2. saber que bibliografia filatélica existe sobre o assunto e consultar a que for necessária
  3. consultar um catálogo universal procurando nele todas as informações que forem relevantes, podendo passar, no caso de ausência de catálogo temático, pela inventariação de todas as peças filatélicas que possam ter interesse
  4. consultar mensalmente uma publicação que de uma forma sistemática faça a catalogação de todas as peças filatélicas publicadas no mundo
  5. trocar informações com outros coleccionadores seja através de correspondência, news ou grupos de discussão tendo o cuidado de colocar perguntas pertinentes para que não tenha obtido uma resposta satisfatória após investigação
  6. consulta dos locais da Internet que analisam temas
  7. obter informações das administrações postais, mas restringindo ao máximo essa consulta para que se consiga ter uma boa taxa de sucesso.


Seleccionar e Harmonizar

Após ter uma ideia aproximada de uma grande quantidade, senão a totalidade, das peças filatélicas que podem ser englobadas na colecção temáticas muito provavelmente se chega à conclusão de que é impossível, ou irrelevante, ter todas as peças filatélicas ou englobá-las na colecção.

O grau de selecção depende muito da colecção temática que se pretende realizar. Vejamos alguns exemplos:

  • se se pretender fazer uma colecção sobre a história da moeda certamente que não necessitarei de possuir todos os selos que representam moedas de diversos países e muito menos de todos os objectos que ao longo da história serviram como moeda-mercadoria (sal, ouro, prata, cobre, ferro, objectos utilizando esses materiais, sal, adornos, animais, etc.). Neste caso é necessário primeiro saber-se que história se vai contar porque certamente se encontrará material filatélico para ilustrar e completar;
  • se se pretender fazer uma colecção sobre os campeonatos internacionais de xadrez é conveniente começar por saber que selos existem sobre o assunto, ver como é possível combinar o que se pretenderia dizer com o que é possível em função do existente e seguidamente entre as diversas peças alternativas para desempenhar uma determinada função na colecção seleccionar as que interessam;
  • se se pretender fazer uma colecção sobre a leitura que as administrações fiscais fizeram no ano 1995 do Natal e do Novo Ano convirá numa primeira fase conhecer todas as peças filatélicas que foram emitidas para que se possa proceder ao respectivo estudo e só então se estará em condições de fazer a selecção.


Em todos os casos colocam-se diversas opções de selecção

  • entre diversos selos que se podem referir ao mesmo facto
  • entre diversos tipos de peças filatélicas referentes à mesma emissão


Que critérios utilizar para optar por uma ou outra?

Provavelmente o que resulta da conjugação de três factores:

  1. prazer que nos transmite cada uma das peças
  2. qualidade da peça filatélica (optando pela mais rara)
  3. equilíbrio estético da colecção.


Quais são os elementos não filatélicos?



O que é fundamental é que

  1. a escolha do tema se situe no triângulo do prazer a que fizemos anteriormente alusão
  2. revele seriedade e imaginação na abordagem
  3. haja uma boa harmonia entre as componentes filatélicas e não filatélicas da colecção e dentro de cada uma delas.


Tentemos dar algumas pistas sobre como construir uma colecção temática. É um tema suficientemente vasto para poder ser apresentado em poucas linhas. Existem tantas maneiras de se atingir esse objectivo que não podemos pretender fazer o inventário de todas as situações.

Será o caminho que apresentamos de seguida o melhor? Talvez, mas temos a certeza que existem diversas possibilidades, como dissemos e que dificilmente podemos apresentar um ou outro caminho como o melhor. Depende muito do coleccionador: sua experiência como relator, organizador e filatelista, dos conhecimentos que já possui sobre um tema, da própria temática.

Assumam o que se segue como um conjunto de sugestões que exige adaptações da parte de cada um.

Vamos procurar responder a três questões:



Como começar uma colecção temática?



Antes de mais é fundamental que se tenha uma ideia sobre o tema-em-geral. É uma escolha que depende dos nossos interesses na vida, do nosso gosto em estudar algo de novo ou aprofundar um assunto que já nos é conhecido. É pretender ilustrar um conjunto de factos utilizando as peças filatélicas, para o que é importante que existam e estejam, de alguma forma, ao nosso alcance.

Ter uma ideia sobre o tema-em-geral não é ainda escolher um tema. É saber que se pretende montar uma colecção que trata, genericamente, de isto ou aquilo. Pode acontecer que nessa primeira fase se dê maior atenção aos factos extra-filatélicos ou, pelo contrário, aos filatélicos. O fundamental, insistimos, é que seja alguma coisa que nos dê prazer, nos entusiasme a estudar, no qual possamos e queiramos manifestar toda a nossa imaginação e vontade.

Depois de termos uma ideia sobre o tema-em-geral, e com a consciência que ainda existe um longo caminho a percorrer até chegarmos exactamente ao tema, impõe-se três actividades:

  1. começarmos a juntar peças filatélicas sobre esse tema-em-geral
  2. recolher informações sobre o tema-em-geral
  3. fazer primeiro um inventário das peças filatélicas existentes sobre esse tema genérico.



(1) António Eladio de SANTOS, Iniciação Filatélica, 5ª edição, pág. 19



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