Um convite à literatura filatélica

Carlos Pimenta

livro 1
Capa de livro electrónico disponível gratuitamente no site referido. Trata-se de um livro de agradável leitura, tratando essencialmente as relações da filatelia com a História e a vida das sociedades. Útil para iniciados e investigadores. A não perder. Em língua portuguesa


Espero que estas singelas crónicas tenham atraído alguns dos meus leitores para o coleccionismo de selos, esse espaço de liberdade em que podemos combinar os nossos gostos pessoais com a experiência dos outros e os materiais filatélicos disponíveis. Um espaço em que a imaginação pode traçar sempre novas fronteiras desde que se tenham conhecimentos para tal.

A obtenção desses conhecimentos passa inevitavelmente pelo estudo das ciências que podem fornecer informações sobre as matérias em apreço.
A Geografia ajudará a identificar os países, a localizar as terras cujos nomes figuram nos carimbos, a verificar se os assuntos reproduzidos nos selos ou nos inteiros postais correspondem efectivamente aos países a que se reportam.
A História permitirá relacionar os acontecimentos expressos nos selos com os contextos sociais em que se integram, situar as datas dos carimbos nos factos históricos que lhes são contemporâneos, perceber porque se utilizaram determinados processos de transporte da correspondência, conhecer as formas e montantes de pagamento a realizar, quiçá constatar se uma determinada carta apresentada como peça filatélica é verdadeira.
A Economia permitirá relacionar os portes da correspondência com outros tipos de preços, eventualmente perceber a sua evolução em determinada épocas de hiperinflação. Ajudará igualmente a conhecer as moedas em que os valores nominais dos selos se exprimem.
A Semiótica contribuirá para a compreensão dos símbolos representados nos selos, até porque alguns deles, eles próprios, são verdadeiros ícones.
E a lista poderia prolongar-se.

Coleccionar selos não é juntar selos, cartas, blocos, carteiras, inteiros postais ou qualquer outro tipo de peças. Também não é apenas organizar essas peças filatélicas de determinada forma. É isso acompanhado de um estudo das peças filatélicas e de uma procura de novos saberes a pretexto delas.

As informações disponíveis em livros filosóficos ou científicos, em artigos de revista de divulgação ou da especialidade, em jornais, dicionários, enciclopédias ou outras publicações são importantes, mas não basta. Há muitas questões que são tratadas pelos filatelistas dirigindo-se a outros filatelistas. É o que se costuma designar por literatura filatélica.
Esta pode ser de dois tipos:
a) Divulgação de investigações realizadas sobre alguns assuntos relacionados com a correspondência ou com determinadas peças.
b) Ensinamentos sobre as técnicas de procedimento do coleccionismo de selos.
Alguns exemplos poderão elucidar os menos habituados a este tipo de materiais.
Porque é que surgiu o selo? Antes dele aparecer como é que se pagavam os portes das cartas? Como se fazia o transporte da correspondência durante a colonização e exploração do continente americano? Quando o Porto estava cercado pelas tropas francesas ou quando Paris estava cercado pelas tropas austríacas como se fazia a correspondência com o resto do país? Os carimbos de determinado formato e com determinada inscrição, que significam? Por que razão houve instituições que estavam isentas de colocar selos na sua correspondência? Quando haviam pestes que medidas se tomavam para a correspondência não ser portadora da doença? O que eram e em que época funcionaram as "ambulâncias postais"? Quais são as variedades (de cor, de denteado, de papel) de uma determinada série de selos? Qual foi a quantidade emitida de um determinado selo? Desde quando uma determinada localidade foi servida de correspondência? Que barcos transatlânticos eram utilizados no transporte da correspondência e como se podem identificar as cartas que circularam dessa forma? Qual o circuito seguido por uma carta no fim do século XIX entre Timor e Portugal? Que marcas especiais foram utilizadas no correio aéreo entre Portugal e o Brasil? Durante que período o transporte de correspondência entre os continentes americano e europeu se fez por meio de zepelins?
Eis alguns exemplos de questões a que o primeiro tipo de literatura filatélica pretende dar resposta.
Que tipo de colecção fazer? Quais os princípios a que obedece uma colecção temática? Que cuidados se devem ter para os selos não se deteriorarem? Como escolher um álbum? Quais os catálogos que existem disponíveis? Como limpar um selo que apresenta vestígios de ferrugem? Quais as vantagens e inconvenientes da utilização de charneiras? Como montar uma colecção? Qual a melhor forma de o fazer se pretende participar numa exposição competitiva?
Eis alguns exemplos de questões a que o segundo tipo de literatura filatélica pretende dar resposta.




A literatura filatélica é indispensável para quem pretenda ser filatelista. Imaginar que se sabe tudo ou que se pode atingir esse nível de informação é pura ilusão. Quanto mais se sabe de determinado assunto filatélico, mais se tem vontade de colocar questões e fazer novas investigações. Grandes manchas de ignorância assaltam o nosso percurso rumo aos novos conhecimentos.
Mas a literatura filatélica também pode se interessante para não coleccionadores. É uma acto de cultura.
Para ter acesso à literatura filatélica basta comprar as revistas e os livros que existem à disposição nos locais de venda de publicações ou em casas da especialidade. Mas também cada vez mais na Internet, onde há imenso material disponível.
Como não podia deixar de ser aqui fica uma dupla sugestão:
Leia regularmente a revista a Filatelia Portuguesa, publicação mensal disponível gratuitamente na Internet: http://www.filatelicamente.online.pt
Leia os livros electrónicos gratuitos que também encontrará nesse site.


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2003/05
Mundo Português