Meio milénio é tempo suficiente para fazer esquecer muitos acontecimentos e personalidades que na sua época deram importantes contributos para o progresso da sociedade em que viviam. Contudo Cristovão Colombo continua bem vivo na memória e nos corações do mundo, sobretudo de europeus e americanos. Muita coisa se sabe sobre a sua vida e obra:
Nasceu em 1451 em Génova e desde tenra idade esteve ligado à navegação.
Tendo naufragado próximo da costa portuguesa, por aqui viveu e com 27 anos casou-se com uma portuguesa e instalou-se na ilha de Porto Santo, no Arquipélago da Madeira.
Também foi por aqui que aprendeu muito sobre a navegação no Atlântico, sobre as suas correntes e os seus ventos.
Vivendo numa época em que as cidades comerciais europeias faziam um grande esforço para alcançar por via marítima a Ásia (com quem há muitos séculos a Europa mantinham contactos e de que Marco Polo tinha feito deslumbrantes descrições) admitiu a possibilidade, juntando os seus conhecimentos de navegação com o estudo da cartografia então existente, de alcançar aquele continente navegando no Atlântico para oeste.
Em 1484 contactou D. João II para que este patrocinasse o seu intento, mas o rei português não aceitou a proposta. Provavelmente porque os portugueses tinham como adquirida a possibilidade de alcançar a Ásia contornando o continente Africano. Recorde-se o feito de Bartolomeu Dias ao percorrer a costa ocidental de África e alcançar a sua costa oriental.
Contactados os Reis Católicos de Espanha eles acabaram por apoiar o seu projecto, embora com recursos escassos.
Em 1492 partiu de porto Espanhol, passou pelas Canárias e rumou a ocidente. Nesse mesmo ano alcançou terra. Não era a Ásia com que sonhava mas um novo continente, a América.
Contudo muitos aspectos da sua vida ainda continuam envolvidas em mistério (refira-se, por exemplo, que alguns historiadores têm defendido a tese de que a sua nacionalidade era portuguesa). Em 1942 descobriu um novo continente. Nos anos seguintes Espanha colonizou a América Central e parte da América do Sul destruindo barbaramente populações e civilizações milenares, saqueando ouro e prata. Nos séculos seguintes diversas formas de colonização se seguiram, até se alcançar a situação que hoje vivemos.
Franquia mecânica da Sociedad Estatal para la Ejecucion de Programas del Quinto Centenario. Carta circulada em 1992.
Passados 500 anos diversas foram as comemorações. Os Correios italiano, português, espanhol e americano associaram-se ao evento, fazendo uma emissão conjunta de blocos "reproduzindo os desenhos dos selos com que, há cem anos, esta mesma efeméride foi comemorada pelos Correios dos Estados Unidos" conforme se lê em brochura então editada. Curiosamente, nesse mesmo texto não se fala em "descoberta" ou em "colonização". Utilizando uma terminologia mais suave afirma que essa emissão assinala "os 500 anos do encontro das culturas europeias e americana". Artifícios linguísticos que não fazem desaparecer a história. Se na vida de Cristóvão Colombo ainda há mistérios o mesmo se poderá dizer da emissão de selos então realizada, pois ela contem diversos erros, em parte de responsabilidade da emissão original, então reproduzida.
Bloco emitido por Portugal, onde se encontram os erros a que se faz referência no texto.
Consideremos apenas um exemplo. Entre os diversos blocos emitidos um refere-se ao "Primeiro Avistar de Terra" que aqui reproduzimos. Pelo menos contém uma incongruência e um erro:
Na imagem do primeiro selo Cristovão Colombo não tem barba e no desenho do bloco tem-nas, e bem tratada.
O segundo selo reproduzido diz referir-se à Armada de Colombo, obviamente à chega à América. Contudo a armada era diferente. A nau Santa Maria possuía duas velas quadradas e uma triangular principais e ainda duas outras pequenas velas quadradas. A caravela redonda Pinta possuía duas velas quadradas ou redondas e uma triangular. A Niña à partida de Espanha possuía duas velas triangulares mas depois da modificação nas Canárias passou a ter velas redondas ou quadradas no traquete (vela maior do mastro da proa) e no mastro principal e latina (triangular) no mastro de mezena (o mais próximo da ré). Nada disto é apresentado. Mais, a Niña apresenta no selo um velame que nem corresponde ao que tinha à saída de Espanha nem à chegada a América.
O estudo dos erros é um tipo de coleccionismo que reputamos de muito interessante. E exemplos não faltam. Esta emissão a que temos estado a fazer referência integrou-se num conjunto de emissões feitas por países europeus (Europa - CEPT) sobre esse mesmo tema. Pelo menos Espanha, Andorra, Gibraltar, Irlanda, Guernsey, Mónaco, Chipre, Bulgária e Roménia têm erros na representação da armada. Nós que não erremos num verdadeiro diálogo das civilizações.