Inovar

 
   
   


1. Inovar é a palavra de ordem fundamental no mundo contemporâneo, onde as referências do passado servem mais como âncoras da nossa sustentação do que como lemes do futuro a construir, onde os referenciais éticos são mais vedações dos terrenos a explorar que bússolas do caminho a percorrer.
Também na filatelia a tradição já não é o que era, e temos que repensar radicalmente tudo o que há a fazer. É preciso inovar compreendendo que, como em tudo na vida, há inovações muito boas, boas, nem boas nem más, más e muito más.
Assim, por exemplo será muito boa a disponibilização da informação filatélica na Internet permitindo a qualquer interessado, independentemente do seu espaço e tempo, aceder a ela; será boa a criação da classe aberta ou da classe um quadro nas exposições filatélicas competitivas; nem será boa nem má mudarmos os estatutos das associações da filatelia (des)organizada, pois serão muitíssimo escassos os impactos sobre o quotidiano dos coleccionadores; será mau que um inteiro postal seja frequentemente considerado pelos "serviços filatélicos" das administrações postais como um "produto não filatélico" enquanto objectos que nada têm a ver com a circulação de correspondência assumam aquele estatuto; é muito mau que os selos continuem bastante afastados da circulação da correspondência enquanto se emitem cada vez mais selos "para os coleccionadores".
Não basta inovar, é preciso saber inovar.

2. Mas o que será inovar em filatelia?
Será privilegiar a imprensa electrónica em relação à imprensa em papel.
Será criar clubes filatélicos cujo endereço é um site na Internet e ao qual se podem associar indivíduos de todo o mundo.
Será a importância das peças filatélicas resultarem mais do seu estudo e divulgação que da sua propriedade.
Será organizar exposições virtuais com um conjunto de actividades lúdicas e culturais associadas.
Será modificar toda a organização nacional e internacional da representação dos coleccionadores e filatelistas
Será toda e qualquer iniciativa que permita interligar criativamente coleccionadores em todo o mundo que, através desses novos procedimentos, passem a comunicar e a aprender mutuamente.
Inovar é fácil. Inovar é atraente. Inovar é mais barato.

3. Inovar é óptimo para muitos, mas não o será para outros. Inovar em filatelia pode chocar com os interesses constituídos, com os cargos simbólicos, com a importância da propriedade, quiçá com alguns mundos do negócio.
Inovar entra permanentemente em choque com os hábitos adquiridos e este choque coloca duas alternativas, que se completam:
- Há que respeitar os hábitos porque se a filatelia é uma acto de prazer e de cultura não pode, de forma alguma, violentar as maneiras de ser e estar na vida dos filatelistas, de cada um de nós.
- Há que modificar os hábitos mostrando eloquentemente a importância de os alterar, de enveredar por outras vias mais eficazes no diálogo entre indivíduos, entre culturas e gerações.

4. Temos procurado inovar. Insistamos no exemplo dos livros electrónicos, embora pudéssemos optar por outros.
Os autores são renitentes a não sentirem o tacto do papel na sua obra criadora. Muitos leitores partilham dos mesmos sentimentos. O livro electrónico tem custos elevados - bem mais elevados do que se possa imaginar - mas que podem ser quase integralmente "pagos" com o trabalho de alguns "carolas", o que determinou esta nossa opção.
Resultado. Será pensável que milhares de pessoas se desloquem ao clube para adquirirem, mesmo gratuitamente, um livro de filatelia porque querem tê-lo na sua estante? Certamente que a experiência diz-nos que não, mas vários milhares quiseram ter o livro electrónico no seu computador:
Os Selos Nativos da Índia Portuguesa6461
Um Certo Olhar pela Filatelia12465
Selos de Portugal Álbum I9237
Selos de Portugal Álbum II9933
Selos de Portugal Álbum III7313
Selos de Portugal Álbum IV1000
História do Correio de Chaves1082
The Native Stamps of Portuguese India3151
A Certain Look at Philately1310


5. Continuaremos a procurar inovar.
Agradecemos as válidas inovações dos outros


Editorial 059 - 2004/06/10
A Filatelia Portuguesa nº 122