A Internet e a Filatelia em Portugal

Carlos Pimenta

I PARTE

Foi-me proposto que fizesse um artigo sobre a "Filatelia em Portugal"1, página filatélica disponível na Internet e que é hoje, indubitavelmente, a "publicação periódica" de filatelia portuguesa mais lida. Acedi com o máximo prazer.

Ao esquematizar o trabalho pareceu-me que seria inadequado tratar especificamente daquela sem antes dar uma visão de conjunto sobre o que é a utilização da informática e das comunicações e sobre os impactos que têm, e podem ter, sobre a filatelia.

Acabamos por estruturar este trabalho em três partes. Uma primeira em que se elucida algumas questões básicas e em que se pretende introduzir todos os filatelistas, utilizadores ou não do computador, nesta nova realidade e em algumas das suas consequências para actividade filatélica. Uma segunda em que se descreve a experiência de lançamento e vida da "Filatelia em Portugal", experiência de pouco mais de um ano mas já cheia de ensinamentos. Finalmente uma terceira em que se lançam algumas pistas para o desenvolvimento da filatelia em Portugal através da utilização dos meios informáticos.

O que agora se apresenta é a primeira parte.

Uma nota adicional. Tivemos o cuidado de explicar todos os conceitos informáticos utilizados para que este texto seja acessível a qualquer filatelista, mesmo que nunca tenha mexido num computador. Associada a esta actividade didáctica pretende-se que eventuais receios de manuseamento do computador sejam ultrapassados. No entanto, não constituindo tais matérias conteúdo obrigatório deste trabalho, foram remetidas para notas no fim do texto. Pedimos a todos os leitores menos familiarizados com a informática e a Internet a maçada de lerem, a par e passo, essas notas.


I. COMPUTADORES, INTERNET E O MUNDO
Luísa chegou da escola eufórica. Chamou pela mãe, abriu a pasta e retirou cuidadosamente as folhas coloridas cheias de texto e imagens. No cimo um título desenhado sobre a fotografia de um jardim: "Orquídeas, uma flor para o meu jardim".
Explicou que aquelas páginas tinham sido feitas por ela e pelo professor utilizando um computador2 da escola. Tinha-lhe sido pedida uma composição sobre a natureza e as flores. O seu jardim surgiu-lhe como a hipótese imediata mas com o aconselhamento e as instruções do professor, sentada de fronte do computador, visitou uma enciclopédia situada algures num computador no Brasil, encontrou fotografias de orquídeas num outro computador na Austrália, transferiu a imagem daquele lindo selo usado, consultou o atlas que a escola tinha em CD-ROM3. Depois foi só juntar tudo isso, mostrar ao professor e corrigir os erros científicos e de português4.
Ainda teve que dar algum arranjo nas páginas para ficarem com melhor apresentação. Mas ali estavam, resplandecentes.
Tinha sentido inicialmente dificuldades. Apesar de já conhecer o processador de texto5 ainda não o dominava. Em contrapartida, contrariamente ao que estava à espera, "surfar na Internet"6 tinha sido muito fácil. Sabendo onde procurar, era trabalho infantil7. Estava convencida que até o seu irmão mais novo conseguiria. A única dificuldade era defrontar-se com textos em inglês, francês, alemão… até um em chinês8!



I.1. UM MUNDO QUE EXISTE

Na linguagem do chefe de tribo Tuiavii de Tiavéa os Papalaguis somos nós, cidadãos do mundo ocidental, filhos do racionalismo greco-romano, produtos da revolução industrial e dos sonhos da revolução francesa. Nesse magistral retrato da nossa sociedade resultante do confronto de culturas diferentes diz-se:

"Quanto mais realmente europeu for um homem, mais necessidade terá de coisas. Eis a razão por que as mãos do Papalagui nunca param de fazer coisas. A razão por que o rosto dos Brancos se apresenta geralmente cansado e triste, por que só muito poucos gastam tempo com as coisas do Grande Espírito, e a jogar no largo da aldeia, e a compor e cantar canções joviais, ou a dançar ao domingo, em plena luz do dia, ou a fruir dos seus membros de todas as formas possíveis, como a nós nos é dado fazer é que eles têm sempre coisas a fazer. E coisas a guardar. Coisas que se fincam, que se agarram a eles como as formiguinhas das praias. Para se apropriarem das coisas, cometem toda a espécie de crimes, sem que isso lhes afecte o ânimo. Guerreiam-se, não porque a sua honra esteja em jogo, ou para medir forças, mas apenas por cobiça das coisas de outrem".9


A descrição poderá envolver uma crítica e despertar o sonho de despego pelas coisas, de partirmos na procura dos encantos de uma natureza menos contaminada pelo homem ou de purificação da alma no ascetismo, mas não será esse o rumo da sociedade em que vivemos. Podemos escrever poemas e romances, fazer filmes, compor melodiosas sonatas, coleccionar folhas de plantas exóticas, organizar em álbuns fotografias do pôr do sol, aproveitar o carnaval para nos fantasiarmos de trogloditas e de todas essas formas enriquecermos o património cultural nosso e da humanidade, conseguirmos um equilíbrio no labor quotidiano. Mas não podemos mudar esse curso do mundo e qualquer sonho de missionação seria investir contra os moinhos de vento, como D. Quixote.

Da mesma forma será inútil lutarmos contra o relacionamento informático. A situação anteriormente descrita sobre a Luísa pode ser inteiramente verdadeira e a tendência será tornar-se partes dos nossos quotidianos. Provavelmente Luísa deixará de ficar eufórica porque as situações anteriormente descritas passarão a pertencer ao seu trabalho escolar. Entrar num computador no Japão e aí consultar o que se pretende será tão espontaneamente feito e tão habitual como chupar o rebuçado ou responder à pergunta do professor na aula de Português.

Também será inútil limitarmo-nos a lastimar os inconvenientes que a utilização do correio electrónico10 pode trazer para a filatelia. Com todo o respeito pelas opinião contrárias e reconhecendo que essas análises e alertas são sempre realizáveis, e cientificamente importantes, a minha postura é diferente: reconhecendo as potencialidades e inconvenientes para a filatelia que o actual quadro das comunicações levanta devemos sobretudo ser operacionais e utilizar a Internet para a promoção da filatelia em geral e o apoio a cada filatelista ou coleccionador11. É importante adaptar-nos à mudança.


I.2. SUA UTILIZAÇÃO FILATÉLICA

Preocupemo-nos a apresentar de uma forma sintética e com alguns exemplos que elucidem os que pretendemos afirmar algumas das potencialidades que a Internet apresenta para os filatelistas12. Embora a experiência nos vá ensinando muita coisa, há cuidados e dificuldades que uma tal enunciação apresenta. Refiramos duas, uma de natureza compreensiva e outra pragmática:
  1. A filatelia tem um núcleo duro que nos seus elementos constitutivos essenciais mantém-se inalterável com o advento da Internet. Não negando a sua transformação histórica, as suas dinâmicas são muito lentas e tem uma grande capacidade de resistência à mudança. O problema está em precisar as suas fronteiras.
    De uma forma consensual podemos dizer que a filatelia exige sempre uma relação multifacetada entre o indivíduo e um conjunto de peças filatélicas que constituem o objecto da sua atenção. Uma relação que conjuga, em graus variados conforme as idiossincrasias de cada um e os contextos sociais em que se inserem, racionalidade e afectividade, posse e altruísmo, isolamento e socialização, agonística e organização, projectos e símbolos, trabalho e lazer.
    Estudar os impactos da Internet sobre a filatelia e a forma como esta pode aproveitá-la está dependente dum conhecimento científico daqueles aspectos, que ignoramos13. Apesar de todas estas limitações poderemos muito sinteticamente parafrasear um amigo que nos afirmava ser impossível um coleccionismo cibernético, um coleccionismo de imagens sem o seu suporte físico, sem as reais peças filatélicas arrumadas adequadamente, numa ordem em que nos revemos e nos amamos.
  2. Se só a mudança é permanente em todos os aspectos da vida com redobrada força o podemos afirmar para a Internet. A velocidade das transformações é estonteante. Em cada minuto que passa ficamos desactualizados e alguns desses atrasos em certas circunstâncias podem ser aniquiladores de objectivos, esperanças e processos.
    Não é, pois, fácil sermos exaustivos quanto à utilização filatélica da Internet. Limitamo-nos a referir algumas vertentes que nos parecem ser mais marcantes actualmente.



I.2.1. RELACIONAMENTO ENTRE INTERVENIENTES NA FILATELIA

As comunicações aceleraram-se. Um texto, uma imagem, um som precisam de escassíssimos segundos para percorrer todo o mundo, para pôr em contacto intervenientes no processo filatélico situados em diversas partes do nosso planeta. É certo que este é um "luxo" particularmente aplicável às sociedades desenvolvidas e dentro delas aos não marginalizados económica e socialmente. É certo que não podemos esquecer estas desigualdades e pretender tudo resolver com soluções tecnológicas, mas também não devemos subestimar as tendências de evolução. Mesmo em regiões que têm pago com o subdesenvolvimento o desenvolvimento dos outros, há uma crescente penetração das redes informáticas, com particular destaque para a utilização do "e-mail"14. Mesmo em regiões socialmente desfavorecidas nas nossas sociedades de vanguarda o sistema escolar e as actividades profissionais tendem a colocar crescentemente os cidadãos em contacto com a Internet.

As comunicações tornam-se mais práticas. Escrito um texto para enviar a outrem não necessito, depois de dactilografar, de imprimir, de colocar no subscrito, de levar a um posto de correio. Segue logo. Com o carregar de uma tecla acedo a milhares de páginas de texto, imagem e som. De uma só vez posso enviar um "e-mail" para qualquer número de destinatários.

Algumas observações realizadas aos comportamentos dos utilizadores da Internet mostram, inclusive, que se está num processo de construção de novos códigos de comunicação universal. Frequentemente o receptor consegue entender muitos aspectos da mensagem do emissor sem conhecer a língua estrangeira utilizada. A imagem, a apresentação global, os símbolos são suficientes.

As comunicações ficam bastante mais baratas. O contacto entre dois filatelistas situados em continentes ou países diferentes custa menos de uma chamada telefónica local.

Alguns exemplos.

Se pretender que uma mancolista corra mundo basta estar inscrito em algumas "mailing lists15" e enviá-la por "e-mail" para o seu gestor. Automaticamente ela será divulgada por todos os inscritos. Uma das mais divulgadas só num fim de semana ultrapassou um milhão de mensagens enviadas16.

Como veremos no ponto seguinte é-lhe fácil localizar filatelistas que possam ter os mesmos interesses e por-se em contacto com eles. Desta forma poderá rapidamente criar uma rede de informações indispensável para sua colecção17.

Muitos comerciantes espalhados por todo o mundo têm páginas "web" na Internet onde podemos verificar as suas especialidades, que peças têm em stock e seus preços. Se tiverem alguma coisa que lhe interessa, sentado ao seu computador poderá fazer a encomenda e o pagamento. Se estiver mais interessado em leilões poderá quase todos os dias localizar mais de uma dezena e fazer de imediato as suas ofertas.

As mesmas facilidades existirão para conhecer a actividade de muitas administrações postais, para visitar alguns museus filatélicos cuja visita cibernética é entusiasmante, para encontrar outros coleccionadores disponíveis para relações de troca ou para encontrar sobre alguns temas repositórios de grande informação. E se quiser adquirir programas informáticos de catalogação, estudo da imagem ou feitura de álbuns também tudo se processa de forma simples.

Se por acaso tiver um selo que não consegue identificar existe sempre um amigo que o poderá fazer. Se não for tão simples existe o clube filatélico, a revista da especialidade ou um perito. Todas essas vias podem e devem continuar a ser utilizadas mas também poderá enviar por "e-mail" a imagem do selo para uma página "web" especializada nessa matéria e aguardar que qualquer filatelista em qualquer parte do mundo o ajude.

Enfim, as possibilidades são quase intermináveis. Mas a resolução de um problema traz por vezes novas dificuldades. Neste contacto universal a utilização de diferentes catálogos (Gibbons, Michel, Scott, Yvert et Tellier, entre outros) tornará difícil alguns contactos. Ter todos sai caro e é pouco prático. Mas talvez haja uma forma de resolução porque na imensidade de criatividade e iniciativa pessoal que a Internet permite há quem se encarregue de fazer muitas dessas conversões, gratuitas18.

Tente colocar outras hipóteses de utilização da Internet neste âmbito e certamente encontrará uma via para a concretizar19. Os limites da imaginação são quase a única restrição20.


I.2.2. COMPILAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA INFORMAÇÃO

A grande acessibilidade das pessoas à informação disponibilizada contida nas redes informáticas situadas em qualquer local cria condições favoráveis para a constituição de importantes bases de dados21 que, por um lado, sistematiza informação proveniente de diversos locais e, por outro, pode ser consultado por qualquer pessoa de uma forma simples.

A grande diversidade de informações e de pessoas empenhadas na sua compilação e sistematização aconselhariam a utilização de bases de dados partilhadas, mas outros factores apontam em sentido contrário. Em primeiro lugar o facto da Internet ser um espaço aberto à iniciativa em que não existe qualquer tipo de coordenação. Em segundo lugar porque cada iniciativa filatélica na Internet, individual ou colectiva, surge totalmente autónoma das restantes. Finalmente porque os processos de coordenação são lentos: exige o aparecimento de relações de entendimento e confiança, a garantia de continuidade, a uniformização de procedimentos técnicos, a superação da vaidade e egoísmo individuais.

Na área filatélica uma das bases de dados pioneiras foi "FAQ Stamps" (Resposta a perguntas frequentes sobre selos), nascida, mantida e desenvolvida por Gert Bultman. Nascida da troca de ideias, opiniões e informações sobre filatelia através de uma mailing list, este texto, disponibilizado actualmente em www, é um verdadeiro livro sobre os mais diversos aspectos da filatelia, contendo informações de diversas partes do mundo, escrito colectivamente. Privilegiando naturalmente o espaço de língua inglesa e de maior desenvolvimento da informática, continua hoje a ser uma referência interessante.

Também desde muito cedo, quando os recursos técnicos de apresentação ainda eram pequenos, surgiram as listas de coleccionadores. Phil Guptill foi um dos primeiros a criar uma tal listagem. Qualquer coleccionador pode mandar-lhe informações sobre si e o seu coleccionismo e essa informação é acrescentada à base de dados e disponibilizada gratuitamente para todo o mundo. Qualquer filatelista poderá lá entrar e através da utilização de mecanismos elementares de pesquisas encontrar possíveis parceiros para relacionamento filatélico22. Depois dos pioneiros outros se seguem, por vezes revoltando-se contra o monopólio dos pioneiros, apesar de apenas ser um monopólio de iniciativa perfeitamente destronável, no bom sentido, por quem decidir com empenhamento percorrer caminho semelhante23.

Merece ainda destaque Joseph Luft, comerciante americano de selos, que resolveu na sua página reservar um espaço para a listagem organizada de páginas sobre filatelia situada em qualquer parte do mundo. O que provavelmente julgava ser, no início, uma actividade complementar tornou-se o mais importante. Hoje em quando se cria uma página nova na Internet e se pretende divulgar entre todos os que, de alguma forma, estão ligados à filatelia, a forma mais rápida de o fazer é mandando-lhe a informação24.

Se aqui fazemos referência a estes três pioneiros, não podemos esquecer a multiplicidade de bases de dados que actualmente existem com estas características: sobre leilões filatélicos, sobre exposições, sobre trocas entre filatelistas, sobre administrações postais, sobre regulamentos, etc.. Aliás, em rigor, todas as páginas sobre qualquer coisa filatélica (tema, imagens de selos, país, etc.) constituem bases de dados. O que distingue os três anteriormente referidos destes é que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo pode intervir nos seus conteúdos.


I.2.3. MAIOR FACILIDADE DE DIVULGAÇÃO

Sabido que a filatelia não é somente, nem talvez principalmente, juntar as peças filatélicas (selos, blocos, obliterações, franquias mecânicas, subscritos circulados, provas, ensaios, etc.) mas também lê-las e interpretá-las, mas também através delas ler e interpretar a sociedade de que elas foram veículos de relacionamento, os filatelistas são obrigados assiduamente a fazer investigações.

As enciclopédias que enchem metros de estante, os dicionários de folhas amareladas que há tantos anos utilizamos, os livros da especialidade que nos interessam, as revistas de divulgação ou científicas de uma determinada área do saber continuam a desempenhar uma função fundamental. Se estão ligadas a nós por relações afectivas de uma prática cultural herdada e construída, mais do que necessárias são insubstituíveis.

Mas hoje há outras fontes de informação que, independentemente do seu suporte25, são ficheiros de computador. Em alguns casos desempenharão as funções similares ao livro mas noutras aumenta as nossas capacidades de acesso e leitura:

(1) De acesso porque é fácil num livro de milhares de páginas encontrar uma palavra ou frase, porque é fácil entre milhares de computadores espalhados pelo mundo localizar os que possuem informações que eventualmente nos interessam, porque existe uma grande probabilidade de termos lado a lado, articulando-se entre si na apresentação, o texto, a fotografia, a sequência filmica, o som.
(2) De leitura porque esta referida articulação entre várias formas de comunicação se combinam facilitando a leitura, aumentando os elementos disponibilizados.


Se pretender fazer um estudo sobre um selo, um tema ou um acontecimento histórico poderá até acontecer que outro filatelista já o tenha feito e haja um endereço na Internet em que tal possa ser encontrado.

Este aspecto chama a atenção para uma mudança social em curso. Até recentemente o acesso à informação era a fonte de poder, de supremacia em relação ao outro. No futuro a tendência é a informação estar disponível para todos e a diferença, o poder se assim quisermos, identificadora estar na capacidade de aproveitá-la, na capacidade de interpretá-la e convertê-la em uma informação organizada, na capacidade de através da racionalidade, da emotividade e criatividade dar-lhe a mais esplendorosa utilização.

É certo que o filatelista terá sempre como seu elemento diferenciador, de poder, o seu acesso às peças filatélicas. Não há lugar, como dissemos e insistimos, a um coleccionismo virtual, mas todos os elementos complementares estão em mudança. Acrescente-se que a mudança tem velocidades diferenciadas conforme as áreas da filatelia. Assim, por exemplo, a literatura filatélica está particularmente exposta.


I.2.4. NOVAS FORMAS DE COLECCIONAR E EXPOR

Adquirir as peças para uma colecção, conceber a sua organização, dispô-las em páginas de álbum feitas da forma que considerarmos melhor, colocá-las no álbum, procurar sempre que possível melhorá-la, reconcebê-la e reestruturá-la, olhar com carinho para a obra feita continuam a ser actividades dos filatelistas mas nem aqui, neste núcleo duro, deixa de entrar o computador e a Internet.

Entra na redacção dos textos, na feitura das páginas do álbum, na apresentação. Entra, como vimos, nas informações obtidas, as quais influenciam na concepção da colecção, na sua organização e disposição gráfica. Entra na maneira de apresentar a colecção ao público.

Centremo-nos neste último aspecto.

Se até agora a exibição de uma colecção passava por colocá-la numa mostra ou exposição filatélica ou por, num serão filatélico, abrir aos amigos as nossas colecções, agora é possível apresentá-la ao mundo de uma forma permanente, utilizando a Internet. Esta possibilidade de passar a colecção montada para o computador e disponibilizá-la nas redes informáticas a toda e qualquer pessoa que a pretenda visitar tem diversas consequências sobre os públicos da filatelia, sobre os conteúdos da colecção, sobre a sua forma e ainda sobre a regulamentação filatélica.

Tem impactos sobre o público sobretudo porque este amplia-se enormemente, geográfica e culturalmente. Não serão apenas os indivíduos antecipadamente relacionados com o coleccionismo de selos que a vão ver mas muitos outros. Dar-se-ão novos passos significativos no que é o sonho de muitos que organizam as exposições filatélicas: conseguir atrair para o coleccionismo e para a filatelia novos sectores da população. Se considerarmos que é entre as novas gerações que mais se tem difundido o gosto e o saber de "surfar na Internet" poderemos concluir que as exposições virtuais poderão reforçar o futuro do coleccionismo26.

Tem impactos sobre o conteúdo porque há muito mais tempo para observar uma colecção podendo-se ir mais ao pormenor, porque a capacidade de manter viva a atenção dos eventuais observadores passa por introduzir, com alguma frequência, modificações, porque a organização não sequencial pode permitir outros desenvolvimentos.27
Os impactos sobre a forma resultam directamente de dois factos: os visores dos computadores não têm o formato das folhas do álbum; há a utilização do hipermultimédia, isto de se passar de uns assuntos para os outros através de uma frase, uma imagem ou qualquer outro sinal. Pode-se conjugar a apresentação sequencial com outras, sendo a sequência temática a mais "natural" para quem usa a Internet. É uma mudança de forma que arrasta alterações de concepção.

Se se pretender manter este tipo de apresentação das colecções como marginal em relação às exposições, provavelmente os regulamentos da Federação Internacional de Filatelia continuarão actualizados e adaptados. Mas se os filatelistas tomarem consciência que este meio de comunicação é importante, embora não possa substituir as tradicionais, então há que introduzir alterações nos regulamentos28.


I.3. VANTAGENS E INCONVENIENTES

Ao longo das páginas anteriores apresentámos alguns caminhos que os filatelistas podem trilhar para aproveitar a Internet. As vantagens foram quase todas indicadas mas permitam-me que insista numa ideia: é um percurso de encontro com a juventude.

Sobre isso diz-nos José Bastos ao escrever-nos da Suécia. Desiludido por encontrar poucas associações filatélicas portuguesas na Internet interrogava-se:

"A Filatelia é, em geral, uma ocupação das camadas mais idosas, (como nós, pois eu nasci em 46), e a Informática é da gente nova, como os nossos filhos. Então porque é que nessas associações não se encontram as duas gerações e modernizam a filatelia? Talvez seja até uma maneira da gente mais jovem se começar a interessar pelos selos. Ou o Patriarcalismo ainda não foi substituído por um companheirismo de campos especializados com mútuo benefício?"29


De facto a utilização da informática e da Internet para a divulgação da filatelia pode ser uma razoável via de mobilização da juventude e, como se dizia numa revista francesa, mais não fazendo que traduzir o senso comum, "Se nada for feito em direcção aos jovens a filatelia morrerá inexoravelmente". E esse é um perigo bem maior, junto com outros que nos dispensamos de analisar aqui, que a substituição da correspondência tradicional pelo correio electrónico.

Temos, no entanto, de estar bem cientes de duas coisas:
  1. Contributos individuais, iniciativas isoladas, no aproveitamento destas novas tecnologias são importantes e devem ser estimuladas, mas uma transformação significativa exige um envolvimento das instituições. Os CTT e as Associações Filatélicas têm que compreender o que está em jogo, têm de ser capazes de fazer alguns investimentos, quebrar os receios e avançar. E ao fazê-lo têm de ter interiorizado que nem só de exposições vive a filatelia e muito menos os milhares de coleccionadores que continuam isolados. Têm também de estar conscientes, para o bem e para o mal, que ao entrarem por essa via existem procedimentos e velocidades que têm de ser alteradas, velhas "hierarquias" poderão cair e outras surgirem, eventualmente mais adaptadas ao mundo contemporâneo30.
  2. As peças filatélicas são, essencialmente, instrumentos de relações sociais. A filatelia é relação humana através da posse da sua colecção. As relações humanas são influenciadas pelas tecnologias, obviamente, mas não se poderá esperar que a Internet resolva todos os problemas. As visões tecnocratas são quase sempre enganadoras e frustrantes.


Terminemos esta primeira parte com uma postura optimista. Fernando DaSilva31, afirma, a propósito da página por nós criada, que "Desta vez, no chamado ciberespaço, a presença filatélica portuguesa começa a fazer-se sentir, até, com muito menos desfasamento face ao que se faz nos países mais desenvolvidos do que aconteceu com os pioneiros nacionais."

Esperemos que no futuro, com um trabalho colectivo, possamos reafirmar orgulhosamente que assim continua a ser.



II PARTE

No artigo anterior procurámos dar uma visão de conjunto sobre o que é a Internet e como os computadores e as redes informáticas locais, regionais, nacionais e internacionais podem ser utilizadas pelos filatelistas e pela filatelia. Neste vamos analisar um caso concreto, uns dos primeiros a surgir em língua portuguesa, situado em computadores localizados em Portugal (aspecto secundário), feito por portugueses e tendo como objecto central os acontecimentos filatélicos em Portugal.


II. FILATELIA EM PORTUGAL: UMA EXPERIÊNCIA, UM RUMO

Sendo uma experiência de sucesso, segundo diversas ópticas, e sendo o produto de um esforço quase solitário, apresentamos nas linhas seguintes algumas das linhas de força do projecto. Essa divulgação e explicação é importante porque permite atingir muitos novos sectores que até agora não tiveram oportunidade de visitar a página na Internet. Também o é porque a apresentação sistemática da sua evolução e do seu conteúdo permitirá, assim esperamos, que alguns mais incrédulos possam ter uma visão mais abalizada. Finalmente é-o porque permitirá para além da descrição dos factos tirar alguns ensinamentos, algumas linhas de força das possíveis tendências de evolução da filatelia. Podemos dizer que esta é a nossa principal preocupação, apesar de os factos ocuparem a maioria do espaço seguinte.

Termine-se esta introdução manifestando a nossa inteira disponibilidade para debater as ideias aqui apresentadas, para voltar a equacionar todas as nossas opiniões, para estudar possíveis desenvolvimentos. O espaço que mantemos com regularidade no Jornal de Filatelia visa essencialmente essa troca de ideias e opiniões. Todas as apreciações sobre qualquer assunto, por mais objectivas que o seu autor as considere, têm sempre uma importante carga de subjectividade. A crítica, no sentido pleno do termo, é uma das vias mais eficientes de reduzir essa subjectividade. Além disso a crítica é um sinal de que a escrita não foi em vão. A pequenez do nosso meio, a vaidade que por vezes se tem e talvez uma certa maneira de estar na vida de todos nós fazem com que haja uma tendência inadequada e desajustada para se confundir crítica de ideias com confronto de pessoas, mas já é tempo de ultrapassarmos um tal provincianismo.


II.1. OPERACIONALIZAÇÃO DE UMA IDEIA

II.1.1. DO FILATELISMO ISOLADO À INTERNET

Filatelista desde tenra idade, motivado pela beleza dos selos e pelo empenho de um vizinho estrangeiro em entregar-me os pedaços de papel dos envelopes cuidadosamente recordados, sem qualquer antecedente familiar de coleccionismo, fui sempre um coleccionador isolado. A minha relação com o mundo filatélico era feito inicialmente pela compra de pacotes de selos na tabacaria da terra, pelas encomendas por correspondência a um comerciante, tendo a compra de um livro de iniciação sido um importante passo, pelas ofertas periódicas feitas pelo meu pai nas idades em que o ensino superior, os amores e a política ocupavam plenamente o tempo.

Depois de altos e baixos na atenção dada às colecções, por razões de ocupação profissional e de disponibilidade financeira, entrei numa fase mais madura de coleccionismo, mas caracterizada sempre pelo isolamento: inscrevi-me em clubes de filatelia por considerá-los importante mas não participando na sua vida associativa, aumentei a leitura de revistas e livros filatélicos, reorganizei as minhas colecções (tradicionais e temáticas), reduzia ao máximo as trocas internacionais por falta de tempo, paciência e repetidos.

Foram precisos muitos anos para ter compreendido que a filatelia tem possibilidades de desenvolvimento infindáveis, que havia muitas delas que desconhecia completamente. Foram precisos muitos anos para perceber que interrogarmos os selos é uma oportunidade inestimável para aumentarmos o nosso conhecimento do mundo, tornando inteligível a realidade que nos cerca e de que fazemos parte. Foram precisos muitos anos e ter experimentado períodos da vida mais difíceis, para encontrar na filatelia um enaltecedor refúgio de tranquilidade e de superação dos quotidianos de fadiga e luta.

Foi nesse último período de transição, na passagem de uma ignorância serena, por desconhecimento da sua vastidão, para uma ignorância esclarecida, conhecendo-lhe já as dimensões, que tive oportunidade de começar a lidar com a Internet, de verificar que começava a haver muita coisa nas redes informáticas nacionais e internacionais sobre filatelia, mas que o panorama em Portugal era desolador.
Estávamos no princípio de Setembro de 1996
Filatelista há quarenta anos, assíduo frequentador da Internet, pedagogo por profissão e com alguma experiência informática, sentia-me constrangido por verificar que em Portugal a filatelia não aproveitava este precioso espaço de comunicação, informação e "convívio". Possível local de convivência entre filatelista (ou futuros filatelistas) portugueses e entre estes e os de todo o mundo, numa época em que o subdesenvolvimento, a miséria, as línguas e os custos são as únicas restrições à comunicação mundial.
Num contexto europeu de relativo atraso em relação aos países da América do Norte, Portugal começava timidamente a utilizar a Internet. Uma ou outra iniciativa filatélica já aproveitava esses meios, mas o panorama pareceu-nos confrangedor.
Os sistemáticos afazeres profissionais criavam-me algum receio em lançar a Filatelia em Portugal, mas a ideia de que era necessário fazer algo estimulava-nos a avançar.
A 10 de Setembro anunciamos a nossa intenção junto dos CTT e estruturas federativas filatélicas portugueses, divulgando a nossa intenção e solicitando algumas informações.
O silêncio foi total.
Voltámos a insistir, contactando algumas associações filatélicas que conhecíamos.
Algumas reacções favoráveis e manifestações de carinhos contrastaram com o silêncio que outros teimaram em manter.
Entretanto o incitamento de alguns amigos, o apoio técnico do meu filho e a disponibilização de equipamentos informáticos para manter a página ajudaram-me a decidir avançar.
A Filatelia em Portugal ficou disponível a 11 de Novembro de 1996.
A pouco e pouco fomos alterando alguns aspectos, acrescentando documentação e imagens, revendo procedimentos, conjugando a manutenção de uma certa apresentação global com as alterações que são sempre necessárias.
…
Pelo volume de contactos e mensagens recebidas dos mais diversos locais podemos considerar que os meses de Março a Maio [de 1997] foram de afirmação definitiva da página.
Simultaneamente tornou-se um exemplo e uma referência que tem estimulado que os jovens filatelistas associem as suas paixões: filatelia e informática. Passamos a não ser os únicos. Começam a surgir algumas iniciativas filatélicas portuguesas na Internet.
Alguma coisa se fez, muitíssimo mais há para fazer. Mesmo muito mais!


Para além deste breve historial acrescente-se alguns elementos:
  1. O lançamento de um espaço na Internet – isto é, um conjunto de textos e imagem acessíveis a qualquer pessoa que tenha um computador e uma ligação às redes informáticas – sobre a filatelia em Portugal foi mais uma expressão do empenho patriótico do que dos meus entusiasmos filatélicos. Acrescente-se que a visita à primeira página filatélica na Internet de origem portuguesa (da autoria de Pedro H. Duarte e intitulada Ilustres Navegadores Portugueses) foi, pela sua qualidade e simplicidade um bom estimulo para o percurso que iria realizar.
  2. Desde a primeira hora considerei que a lançar-se alguma coisa sobre a filatelia em Portugal deveria procurar dar uma visão de conjunto do que se passava no nosso País e que tal dificilmente poderia ser o empreendimento de uma pessoa isolada, e ainda por cima com tão grandes carências de formação. Mas também desde cedo tornou-se evidente que a capacidade dos CTT e das associações filatélicas para abarcar novas ideias era quase nula32. Primaram pelo silêncio. Sou suficientemente persistente para lutar pelas minhas ideias, mas às poucas vozes que nos apoiaram, institucionais ou individuais, devo o estímulo para não ter desanimado e um importante volume de conhecimentos adicionais.
  3. As mensagens que comecei a receber provenientes dos mais diversos locais, em que os emigrantes portugueses ou descendentes de portugueses assumiram um papel de destaque, mostravam com alguma evidência que a criação da Filatelia em Portugal correspondia a uma necessidade sentida por diversos sectores, isto é, que havia pessoas em Portugal ou espalhadas pelo mundo que procuravam encontrar na Internet referências a Portugal ou à filatelia no nosso País.
  4. De início o desconhecimento de quem seria o público preferencial da Filatelia em Portugal era muito grande, mas sempre admitimos que deveria ser um espaço cibernético em que tanto se sentisse bem quem não tinha experiência informática como quem já a tivesse, tanto os indivíduos que nunca coleccionaram selos mas que tinham alguma curiosidade sobre o assunto como o iniciado ou o experiente. Esta diversidade de situações fez com que procurássemos construir uma página de "fácil navegação", isto é em que as pessoas nunca se perdessem ou facilmente se reencontrassem, com o conteúdo suficientemente amplo para que todos encontrassem alguma coisa de interesse e sentissem vontade de regressar. Tecnicamente seguiram-se as regras que permitissem a leitura por parte de todos os programas de computador existentes no mercado.
  5. Reconhecida a dificuldade em levar para a frente o projecto sem a colaboração alheia em diversos locais da página se apelava à colaboração, ao envio de mensagens para nós. Embora tais espaços de diálogo se justificassem, não se revelaram o estímulo que poderíamos inicialmente imaginar.


Se as nossas preocupações iniciais eram a divulgação de uma realidade portuguesa que amávamos, a filatelia, rapidamente percebemos que não nos podíamos restringir à apresentação de algumas das suas facetas em Portugal. Também se tornava necessário mostrar aos portugueses, sobretudo aos filatelistas portugueses, o que se passava internacionalmente, o que estava disponível na Internet. Mostrarmo-nos, neste mundo de comunicação globalizante, também era mostrar os outros.


II.1.2. USO DA LÍNGUA PORTUGUESA

É nosso entendimento que o enriquecimento da cultura mundial passa pela diversidade, pelo diálogo entre culturas diferentes num permanente processo de influência e ajustamento. É meu entendimento que a língua é um insubstituível elemento cultural a que se associa estreitamente maneiras de encarar o mundo, valores e filosofias. É meu entendimento que a língua portuguesa é um importante elo de afirmação da lusitaneidade e que nem sempre tem tido a atenção que lhe é merecida, incluindo por quem teria a missão de a defender e promover. Por todas estas razões sempre foi nosso propósito que o espaço cibernético em criação fosse essencialmente em língua portuguesa. Contudo, sem nunca pôr em causa estes aspectos, a apresentação aos outros, numa época em que ainda não existem tradutores simultâneos eficientes, tornava-se necessário fazer com que os que não conhecem a nossa língua consultassem a Filatelia em Portugal. A primeira maneira de o conseguir foi através da apresentação simples e da utilização de figuras que trasmitissem uma ideia dos conteúdos. Em segundo pela tradução para inglês e francês de diversos textos. Sabido que não havia condições para traduzir tudo e à mesma velocidade com que se procedia à escrita em português, não se optou por uma separação total entre as versões mas pela colocação "lado a lado" dos mesmos textos em diversas línguas.

II.1.3. AS PRIMEIRAS INTENÇÕES

Enfim quando a Filatelia em Portugal foi para o ar pela primeira vez anunciavam-se, na primeira página, as suas intenções, os seus objectivos:
A filatelia é uma actividade lúdica para muitos, um financiamento estatal para alguns, um negócio para outros. É sempre uma aprendizagem e um deleite. Actividade solitária do coleccionador abre-se ao relacionamento humano sem fronteiras. A informática e as comunicações modificam a nossa vida. A filatelia acompanha essa evolução. Este espaço cibernético e filatélico pretende ser um ponto de encontro de quantos fazem da filatelia um lazer ou uma profissão. Ponto de encontro que ajude a divulgar a filatelia portuguesa no mundo e insira todos os interessados nas redes informáticas em que a filatelia está presente.
A língua portuguesa é o nosso meio de comunicação privilegiado, mas não esqueçamos os outros nesta nossa comunicação universal.
Este espaço também é seu. Visite-nos com regularidade. Sugira-nos iniciativas. Enviem textos, imagens, sons e informações. Criem outros espaços para onde possamos estabelecer ligações. Respeitem os direitos de autor que nós faremos o mesmo.
Porque o espaço também é seu tudo é gratuito. Pague-nos com a sua deferência e amizade. Pague-nos com o fraterno relacionamento entre filatelistas, com a divulgação da filatelia entre os jovens.



II.1.4. APRESENTAÇÃO

Nas apresentações em multimédia assume alguma importância a simbologia utilizada. Por isso constituiu preocupação inicial decidimo-nos por um fundo e por uma imagem inicial de apresentação.

Os primeiros selos de Portugal, os famosos D. Maria, tinham de estar presentes nessa representação da filatelia portuguesa. Considerando que nestas acções é frequentemente importante a recriação, a combinação da racionalidade com a imaginação, optou-se por um fundo que representa o selo de 100 réis numa das cores da bandeira nacional, na cor da esperança, em verde33. Tratando-se, na nossa opinião, de um fundo bastante bonito e representativo, a leitura dos textos apresentados sobre ele torna-se frequentemente difícil. Por isso ele é o fundo de início da página e de cada uma das grandes opções, usando-se um outro mais neutro para quase todas as restantes situações.

Mais difícil foi encontrar o "ex-libris" da Filatelia em Portugal, uma imagem suficientemente representativa da filatelia portuguesa, numa situação intermédia entre as emissões clássicas e as contemporâneas (mostrando assim que não se iria privilegiar nenhuma delas), esteticamente bela, com uma dimensão que não exigisse demasiado tempo de acesso, razoavelmente neutra do ponto de vista do que representa. Admitindo-se como ponto de partida que um bloco teria uma dimensão mais adequada ao fim em vista, fez-se a digitalização de vários, tendo-se finalmente optado pelo bloco da segunda série de costumes portugueses, emitido em 1 de Março de 1947, desenhado por Maria de Lourdes de Melo e Castro, impresso por Courvoisier S.A. O seu único senão era o de ser uma emissão muito associada à visão ruralista e corporativa do Estado Novo: surgia na sequência de uma primeira série de exaltação dos valores nacionais34. Admitindo que os valores estéticos possuem uma perenidade superior às épocas históricas e às circunstâncias que os motivou tomámos esse bloco como ponto de partida. Apenas houve a necessidade de reduzir o contraste das cores, diminuir a sua dimensão informática apesar de manter as suas dimensões em centímetros, sobre ele colocar o nome da Filatelia em Portugal recorrendo a um processo elementar da animação.


II.2. EVOLUÇÃO E REALIDADE ACTUAL

II.2.1. EVOLUÇÃO

Em muitos aspectos uma página na Internet como a Filatelia em Portugal tem muitas semelhanças com uma revista filatélica. Transmite uma mensagem sob a forma escrita com o recurso a texto e imagens. Está organizada por secções que podem ser localizadas através de um índice.

No que é fundamental as semelhanças são enormes, manifestamente mais relevantes que as diferenças.

Estas radicam-se numa impossibilidade de leitura sequencial – é sempre através dos diversos índices ou locais de ligação que se passa de um "texto" a outro – numa maior abundância de meios de comunicação – imagens animadas, sons, vídeos (embora não tenhamos feito uso destes dois últimos recursos até ao momento), uma muito mais fácil e imediata comunicação com os editores – através de e-mail ou do preenchimento de formulários. Além disso a sua "edição" é manifestamente mais barata.

Contudo uma das diferenças mais significativas é a possibilidade cumulativa: quando se pretende acrescentar nova informação não é necessário pôr de lado a anterior e fazer uma nova publicação, como nas revistas. Basta acrescentar.

Deste facto resulta que a tendência principal de evolução faz-se pela acumulação de materiais associada a uma (re)organização da apresentação.

Por estas razões Filatelia em Portugal guarda a memória da sua própria evolução.

A evolução recente pode ser sintetizada em duas vertentes:
  1. De reconhecimento social.
A persistência numa página na Internet sobre filatelia, o crescente número de visitantes, a sistemática procura do contacto e relacionamento com as instituições filatélicas portuguesas, a colaboração de alguns amigos no funcionamento e divulgação da página, o conflito que opôs Filatelia em Portugal e a ACOFIL a propósito de PORTUGAL’9835, a crescente informatização do nosso País e a participação na MEVIFIL’97 contribuíram para um formal e material reconhecimento da nossa existência, traduzindo-se em Os últimos meses de 1997 e início de 1998 foram decisivos nesta viragem.
  1. De conteúdo.
    Esta traduziu-se na introdução de estatísticas, que permitem acompanhar mais estreitamente a aceitabilidade da página, e na introdução de mecanismos de pesquisa que permitem ao utilizador através de palavras imediatamente localizar os "documentos" que lhe interessam (o que marcou a passagem da versão 1. Para a versão 2).


Feitas estas considerações genéricas sobre a evolução da Filatelia em Portugal passamos à descrição do seu conteúdo, com um alerta adicional. Uma página na Internet terá tanto mais credibilidade quanto mais frequentemente for actualizada, a que corresponderá maior número de acessos. Porque temos sempre muitos materiais em atraso aguardando que tenhamos tempo para os introduzir, porque todos os dias nos chegam novas informações para colocar, porque as ideias novas fervilham na procura de algum tempo disponível para serem concretizadas e ainda porque alguns apoios na área da programação permitem concretizar projectos antigos, e porque reconhecemos a importância dessa frequente actualização, quase todos os dias trabalhamos algum tempo sobre a página e com uma periodicidade semanal ou quinzenal introduzimos modificações.

Provavelmente algumas coisas que vamos referir de seguida já estarão mais completas no momento em que ler este artigo. No entanto as linhas de força fundamentais mantêm-se.


II.2.2. ESTRUTURA ACTUAL

A Filatelia em Portugal está estruturada em seis grandes secções, as quais estão expressas na zona superior do visor (e aí se mantêm permanentemente, permitindo em qualquer momento reorientar a leitura):

Página Principal

É a "capa" da Filatelia em Portugal. É o que surge em primeiro lugar.
A partir da página principal pode-se ter acesso a um conjunto de informações que têm a ver com a história e a vida quotidiana da Filatelia em Portugal: da sua história à explicação do responsável, dos direitos de autor às publicações recebidas, por exemplo.

Dicas da Semana

É o "editorial" da Filatelia em Portugal.
É um espaço de informação e comentário sobre acontecimentos filatélicos que na nossa opinião merecem algum destaque.

Livro de Visitas

É o "boletim de assinatura" gratuita da Filatelia em Portugal.
É o formulário para qualquer pessoa que esteja interessado em receber informações das alterações e acréscimos da página. Para além disso tem à sua disposição o acesso directo ao correio electrónico e a um conjunto de formulários que permitem o diálogo específico connosco.

Links de Filatelia

É o elo de ligação a todos os endereços filatélicos existentes na Internet.
Por aqui poderá inscrever-se em listas de discussão e de informação por correio electrónico e visitar as páginas multimédia (web) existentes em Portugal ou no estrangeiro.

Menu

É o corpo principal da Filatelia em Portugal.
É onde se trata dos diversos assuntos da filatelia em Portugal ou que possa ser útil para ela.

Pesquisa

Permite impulsionar a pesquisa em toda a Filatelia em Portugal, seleccionando os ficheiros que contêm a(s) palavra(s) indicadas.36



II.2.2.1. "PAGINA PRINCIPAL"

A "Página Principal" apresenta o "ex-libris", já anteriormente referido. Explicita a natureza da página

Gostamos sobretudo de afirmar, contrariamente à grande maioria do existente na Internet, que a Filatelia em Portugal não tem qualquer intuito lucrativo. É tão firme esta convicção que quase todos os dias temos que rejeitar propostas que nos são feitas, assim como recusar qualquer pagamento pela informação que as pessoas ou as instituições possam colocar na Filatelia em Portugal. Não é por qualquer ódio ao vil metal ou desprezo pelos benefícios terrenos mas tão somente por uma questão de princípio, de contra-fogo às dinâmicas concorrenciais do quotidiano, de coerência com a nossa visão da filatelia como espaço de recriação, alegria e fuga às pressões da sociedade em que vivemos37.

Diga-se no entanto que este projecto não seria possível se a empresa Caleida não se tivesse disponibilizado para colocar nos seus computadores a Filatelia em Portugal com acesso 24 horas por dia.

É igualmente na "Página Principal" que, como se disse, se coloca um conjunto de informações sobre a própria página.


Responsável

A Internet é um espaço de liberdade de criação e anonimato onde é possível tudo o que a imaginação e o engenho humanos sejam capazes de criar. Pensamos que é salutar para uma boa relação entre "escritores" e "leitores" que as páginas multimédia na Internet tenham a indicação do responsável pela sua edição. Essa a razão fundamental da apresentação das nossas coordenadas, mas não é a única. A ela acresce a necessidade de atenuar desconfianças e tentar mostrar que é uma iniciativa meditada e com uma estratégia de longo prazo.

Objectivos de Filatelia em Portugal

Pretende em poucas palavras, tal como já tivemos a oportunidade de mostrar, quais são as preocupações fundamentais que nos têm norteado desde a primeira hora.


Breve História desta Página

Procuramos manter viva a história da Filatelia em Portugal, podendo-se em cada momento reconstituir grande parte do seu percurso. Rever poderá ser modificar a apresentação ou acrescentar o conteúdo. É sempre aceitar o passado, quantas vezes ingénuo ou inadequado, consciente que a vida é um permanente processo de aprendizagem em que o erro é profundamente criador.


Palmarés

Quando criámos a Filatelia em Portugal nunca pensámos participar em exposições filatélicas competitivas. Ainda hoje admitimos que a participação em tais certames pode acarretar algumas dificuldades. Em primeiro lugar porque montar uma página web para exposições – embora pelos actuais regulamentos filatélicos ainda não se saiba muito bem o que isso é – é diferente de ter um tal espaço na Internet para o grande público: na actual situação há um profundo divórcio entre a generalidade dos coleccionadores e das pessoas eventualmente interessadas no coleccionismo e os grandes certames exposicionais. Em segundo lugar porque a participação em exposições pode gerar uma "medalhite", doença perniciosa no combate ao stress e nos bons usos e costumes da filatelia, que pretendemos pugnar com a Filatelia em Portugal.

No entanto a participação na MEVIFIL’97 foi entusiasmante e permitiu-nos compreender que essa é uma actuação não despicienda se pretendermos que a Filatelia em Portugal seja aceite por certas "elites filatélicas".


Projectos Futuros

Os projectos futuros são um saco cheio de possibilidades em que a experiência da actividade filatélica se casa com a imaginação e a vontade humanas e a imensidade de desdobramentos da própria actividade filatélica.

Neste ponto sugerimos, a título indicativo, vinte e cinco hipóteses de evoluções futuras, algumas das quais já em curso.

A razão da existência desta entrada é simples. Porque estamos permanentemente a apelar à participação de todos os que queiram e possam colaborar, consideramos oportuno apresentar a título exemplificativo, algumas hipóteses de evolução futura, podendo eventualmente facilitar a compreensão de como poderiam colaborar.


Direitos de Autor

Esta secção tem duas partes distintas. Numa primeira estimula-se a utilização dos materiais que constam da Filatelia em Portugal desde que se tenha o cuidado de indicar a fonte. Numa segunda inventaria-se todas as colaborações dadas: desde a concepção da página ao secretariado, desde o empréstimo de material à elaboração de artigos, desde a apresentação de sugestões ao fornecimento de equipamento. É simultaneamente um acto moral imprescindível e um agradecimento a quantos nos têm ajudado, provenientes de "clãs" muito diversas.


Estatísticas

É possível reter uma série de informações sobre as visitas que são feitas à Filatelia em Portugal, conhecer alguns aspectos da sua origem, quantificar os acessos e as solicitações, registar o dia e a hora, saber o que foi procurado. Não será necessário muitas explicações para se perceber que o estudo atento destes dados pode fornecer informações preciosas sobre o universo dos visitantes, sobre as suas preocupações, sobre o que é procurado. Informações úteis para procedermos a uma avaliação do nosso próprio trabalho e definirmos opções futuras, para eventualmente escolhermos áreas estratégicas de promoção.

Também foi importante para se tomar consciência de que a Filatelia em Portugal era um projecto aceite pelo público, com impactos bastante mais fortes do que os tradicionais (o que não invalida que estes continuem a ter o seu público e a preencher funções fundamentais), com uma vitalidade que não pode ser subestimada.

A objectividade destas informações e a compreensão que nos permite da utilização da informática na filatelia aconselha-nos a que sinteticamente apresentemos alguns dos dados recolhidos:

Assumimos que nos primeiros meses de vida da Filatelia em Portugal não se justificaria intensamente a existência de estatísticas. Os dados começam em 1 de Junho de 199738.

Os acessos podem ser analisados globalmente a partir de dois tipos de informações:


Para o segundo semestre de 1997 temos:

Dados Síntese dos bytes transferidos:

Total

766.428.759 Bytes

Média Mensal

127.738.127 Bytes

Mínimo Mensal

81.768.578 Bytes, Julho

Máximo Mensal

207.085.908 Bytes, Outubro

Média Diária

4.165.374 Bytes

Mínimo Diário

400 Bytes, dia 27/07/1997

Máximo Diário

32.090.164 Bytes, dia 03/10/1997


Dados Síntese das solicitações recebidas:

Total

173.665 Solicitações

Média Mensal

28.944 Solicitações

Mínimo Mensal

20.162 Solicitações, Julho

Máximo Mensal

42.330 Solicitações, Outubro

Média Diária

943 Solicitações

Mínimo Diário

2 Solicitações, dia 27/07/1997

Máximo Diário

4216 Solicitações, dia 03/10/1997


Em Janeiro (último mês para que temos informações completas) o número de bytes transferidos e de solicitações recebidas diariamente foram de 5.921.231 e de 1339 respectivamente39.

Durante o referido semestre acederam à página a partir de pelo menos 61 países diferentes, sendo os 10 principais domínios conhecidos, em permilagem:

pt40
408,99

net
154,73

com
74,65

br
43,62

es
26,82

it
18,30

fi
10,45

edu
9,74

de
6,25

fr
5,57


O facto de alguns feriados, com destaque para o dia de Natal, terem sido dias de grande quantidade de acessos poderia levar a admitir uma actividade diferente conforme o dia da semana. Contudo não é isso que se passa: as visitas distribuem-se por todos os dias da semana, feriados ou dias de trabalho. Há uma ligeira maior frequência nas sextas-feiras, mas não parece ser significativo.

Com o actual tempo de vida da Filatelia em Portugal, profundamente marcado por acréscimos de estrutura e criação de novas opções, ainda não faz muito sentido uma estatística indicadora das áreas da Filatelia em Portugal mais visitadas.


Referências à Filatelia em Portugal


Sempre que alguém nos envia uma apreciação da Filatelia em Portugal ou nós sabemos de alguma referência localizável colocamo-la neste local, com a indicação de data e proveniência. Ficam de fora desta listagem os vários endereços filatélicos na Internet que têm uma ligação para a nossa página. Felizmente a grande maioria dos comentários são positivos mas não há da nossa parte qualquer preocupação de seleccionar, corrigir ou comentar.

Algumas das observações são particularmente úteis para o nosso trabalho ou permitem elucidar sobre o conteúdo da página.


Programas Informáticos Disponíveis


Sempre que encontramos um programa informático que possa ser útil para os filatelistas ou os ciberfilatelistas negociamos com os seus autores ou proprietários a possibilidade de disponibilizá-los.


Publicações Recebidas


Esta opção começou muito timidamente e tem tido uma expansão aceleradíssima. A proposta que temos feito aos diversos editores de revistas e outras publicações periódicas (incluindo catálogos) é a de fazermos publicidade das suas edições – colocando referência à edição, a imagem da capa do último número e o sumário das revistas que nos enviaram – e eles enviarem-nos gratuitamente a publicação41. Cerca de 40% das publicações contactadas reagiram favoravelmente. Umas enviando esporadicamente e outras de uma forma sistemática. De início as portuguesas eram as mais difíceis de responder afirmativamente mas felizmente a situação alterou-se. Hoje estão listadas 45 publicações de diversos países.

Associado a esta listagem há um espaço reservado para a inventariação das referências a Portugal e à filatelia portuguesa nas revistas estrangeiras.

Ainda na Página Principal temos um acesso directo a informações disponíveis sobre a PORTUGAL’98, a qual desaparecerá após a sua realização, e a possibilidade de nos enviarem um correio electrónico.


II.2.2.2. "DICAS DA SEMANA"

Funcionando como editorial desta publicação que é a Filatelia em Portugal assume-se como um texto, que procura abarcar alguns dos aspectos importantes do momento ou estruturalmente significativos sobre a filatelia.

Temos que reconhecer que nem sempre as intenções foram concretizadas, por diversas razões.

A primeira tem a ver com o volume de acontecimentos filatélicos existentes nos nossos meios. Intrigas, guerras e guerrazinhas, críticas balofas e mesquinhices torpes do movimento associativo e exposicional filatélico há em abundância, mas não é intenção da Filatelia em Portugal prestar atenção a tais assuntos, seja porque só desprestigiam a filatelia, seja porque são totalmente irrelevantes para o grande público filatélico, seja ainda porque normalmente exprimem-se em textos que mais parecem escrita de marcianos do que em são labor intelectual.

Em segundo lugar porque não é quotidianamente que surgem informações e acontecimentos visíveis ou interessantes para o grande público que justifiquem um comentário de editorial.

Finalmente porque as nossas próprias capacidades, os nossos conhecimentos, são manifestamente insuficientes para alimentar comentários abalizados com uma relativa periodicidade.

Neste momento é possível encontrar na Filatelia em Portugal, entre as dicas passadas e a presente vinte e seis diferentes textos. Estamos certos que a sua leitura cronológica é elucidativa de quanto temos aprendido e de quanto tem evoluído a Filatelia em Portugal, mas continuamos insatisfeitos com a globalidade do trabalho realizado. Na nossa opinião a qualidade das diferentes dicas é muito desigual com uma evolução positiva. Algumas delas continuam a ser relidas com carinho e com a certeza de que voltaríamos e reescrevê-las, mas o mesmo não se poderá dizer de todas. Além disso, por vezes é muito difusa a fronteira entre a dica e o artigo, constante de outra secção.

Também esta secção está aberto à colaboração de todos mas raros têm sido os contributos alheios.

Acrescente-se que o título desta secção pode ser apelativo mas é enganador. Em primeiro lugar porque só faz sentido apresentar um texto de cada vez – pelo que seria preferível falar em Dica – e a ideia de semanal ainda não foi atingida, nem provavelmente o será nos próximos tempos.


II.2.2.3. "LIVRO DE VISITAS"

É a secção da comunicação entre os leitores e o responsável pela Filatelia em Portugal, começando por se inscrever no livro de visitas, isto é fornecendo a indicação do nome, endereço do correio electrónico, indicação se é filatelista, o que colecciona e se pretende receber informações da página e colaborar.

O principal intuito é criar uma base de dados de pessoas mais interessadas na Filatelia em Portugal a quem se informa das alterações que são produzidas e a quem, de quando em vez, se lança o desafio de colaborarem neste ou aquele aspecto.

Neste momento temos 207 inscritos no livro de visitas, com quem estabelecemos esse diálogo.

Tem sido uma experiência profícua de que os principais senões estão no fornecimento de endereços de correio electrónico errados, em reduzida percentagem, e na declaração de disponibilidade para colaborar ser contemplativa.

Esta base de dados é para exclusiva utilização pela página.

A partir desta secção é igualmente possível ter acesso a muitos outros formulários de comunicação a propósito do dicionário, do glossário, das ligações internacionais, dos artigos, etc.


II.2.2.4. "LINKS DE FILATELIA"

As páginas multimédia (web sites) são uma das formas de comunicação na Internet que mais se generalizou. A utilização combinada do texto, da imagem, do som e do vídeo tornou-as atraentes e um potente meio de transmissão de informação.

Também nos meios filatélicos houve uma utilização crescente das páginas web, embora a sua distribuição geográfica seja profundamente desigual: o norte do continente americano mantém a liderança destacada, a Europa e o Extremo Oriente seguem em segundo e terceiro lugares, a alguma distância de desfasamento. Alguns continentes, como o africano, ainda estão a dar o primeiros passos.

Facultar aos filatelistas portugueses acesso a essas diversas páginas de filatelia existentes no mundo foi uma das nossas preocupações desde o início. Uma das possibilidades seria remetermos para alguns web sites estrangeiros que têm uma listagem de endereços. Outra seria ensinarmos como proceder à procura de endereços filatélicos na Internet e remeter para um dos motores de busca. Em vez de procedermos de uma dessas formas optamos por organizar na Filatelia em Portugal os diversos endereços existentes (em Portugal, o que se assinala a vermelho, e no estrangeiro) permitindo a qualquer um com um simples "clicar" aceder a computadores situados em qualquer parte do mundo.

Organizámo-los nas seguintes categorias (com o seguinte conteúdo e número de ligações):

Administrações Postais

Endereços das páginas oficiais das administrações postais.
Normalmente contêm informações sobre os seus serviços, sobre as mais recentes emissões filatélicas e os planos de emissão. Em muitos dos casos é possível fazer directamente a assinatura das emissões ou uma encomenda espcífica. Por vezes as informações sobre os selos são acompanhadas de explicações adicionais.
68

Apontadores

Páginas que têm como preocupação fundamental fornecer endereços e permitir ligações a outras páginas na Internet sobre filatelia. Apenas uma delas, poderá ter informações, sobretudo recentes, não contidas na Filatelia em Portugal.
56

Associações

Endereços de associações, clubes, grupos de estudo, núcleos filatélicos espalhados pelo mundo.
Seja qual for o tipo de colecção que se faça quase certamente é possível encontrar na Internet uma instituição filatélica com informação útil.
O conteúdo destas páginas é muito variável, indo desde o mero anúncio do endereço postal e uma ligeira publicidade à sua actividade até à reprodução de muitos selos e disponibilização de estudos, publicações e outros materiais.
224

Coleccionadores

Páginas individuais de coleccionadores.
O seu conteúdo é muito desigual, indo da mera apresentação de quem é até às propostas de troca, fornecimento de mancolistas e listas de venda. Em muitos casos abordam também alguns tipos de coleccionismo e reproduzem diversos materiais filatélicos. O gosto de cada um impera sobre tudo o mais.
157

Comerciantes

Consideramos nesta rúbrica todas as páginas que têm como preocupação fundamental a venda de selos ou quaisquer outras peças ou material filatélico.

O seu conteúdo é muito variável mas é certo que encontrará sempre diversos leilões e listas de selos em stock, em que poderá intervir.
527

Museus

Existem alguns, ainda poucos, museus filatélicos que podem ser visitados virtualmente. Estão agrupados neste item.
A sua qualidade é muito diversa.
12

Países e Regiões

Reúne os endereços das páginas que têm por preocupação fundamental divulgar as emissões filatélicas de uma ou várias administrações postais. São páginas cuja responsabilidade não é das administrações postais.
Umas vezes são iniciativa de filatelistas, outras de clubes, outras ainda de turismo ou ministérios não associados às administrações postais. A sua qualidade é muito variada mas é frequentemente possível encontrar materiais interessantes.
Não se esqueça que as "Administrações Postais" e as "Associações" também contêm muitas informações de regiões.
43

Programas

Endereços de páginas que informam sobre programas de computadores para utilização filatélica ou sobre CD-ROMs de conteúdo filatélico.
Enciclopédias e catálogos em CD-ROM, programas para inventariação do que se tem e elaboração de mancolistas, para feitura de páginas de álbum, para estudo das imagens, etc. podem ser encontrados nestes endereços.
Em alguns casos pode obter directamente o programa ou uma sua demonstração.
25

Publicações

Endereços de revistas, livros ou catálogos filatélicos, assim como de comerciantes especializados em bibliografia filatélica.
Algumas destas publicações estão em linha e podem ser imediatamente consultadas.
31

Temas

Endereços de páginas que se ocupam d a filatelia temática ou de qualquer outro tipo de organização filatélica não tradicional. (Em alguns casos a história postal e a marcofilia estão organizadas em "Países").
A iniciativa da sua criação é geralmente de filatelistas ou clubes. O grau de profundidade é muito diversa, mas é frequentemente possível encontrar referências interessantes.
98

Diversos

Endereços filatélicos que não se englobam em nenhuma das rúbricas anteriores.
São os casos das informações sobre códigos e tarifas postais, bases de dados de filatelistas e locais de estabelecimento de contactos e de troca, acesso a "news" (grupos de discussão) sobre filatelia, conversões entre numerações de diferentes catálogos, listagens de coleccionadores, acções de formação filatélica e outras informações.
48

TOTAL 1289


Não temos dúvidas em considerar que as ligações internacionais da Filatelia em Portugal é um dos conjuntos mais completos existente a nível mundial e, na nossa opinião, está organizado de uma forma lógica e de muito fácil acesso. Também nos parece ser uma secção de agrado dos visitantes. Contudo temos dúvidas na sua manutenção. Em primeiro lugar porque é muito trabalhoso manter actualizado e são energias que não são utilizadas directamente na divulgação da filatelia em Portugal (poucos são as páginas portuguesas e a sua divulgação não exigiria uma secção tão ampla). Em segundo lugar porque neste momento existem alguns locais, nomeadamente a clássica página de Joseph Luft que poderia preencher aproximadamente as mesmas funções.

Esta secção permite ainda o acesso a grupos de discussão e informação por e-mail (Mailing Lists)


II.2.2.5. "MENU"

É nesta secção da Filatelia em Portugal que está o essencial do seu conteúdo, tudo o que se refere à filatelia no nosso País ou que pode ser útil para os filatelistas portugueses.

As escolhas são feitas através de um menu, organizado por ordem alfabética

Analisemos sinteticamente o conteúdo de cada um desses pontos.


II.2.2.5.1. "Anúncios"

Como o seu nome indica, o objectivo desta área é permitir a colocação em linha de um anuncio breve de natureza filatélica. Neste momento tem 87 anúncios. Todos eles são apresentados exactamente como nos são transmitidos pelas pessoas interessadas. A única "censura" que fazemos é sobre alguns muitos extensos ou que muito pouco têm a ver com filatelia.

Dois reparos: (1) A Filatelia em Portugal assumiu uma dimensão internacional, e a sua aceitação transcende o âmbito dos acontecimentos filatélicos em Portugal. Tal facto está a originar o aparecimento de anúncios que nem são de filatelistas portugueses nem se referem especificamente a selos portugueses. Esta situação poderá exigir futuramente a tomada de algumas decisões. (2) Se o ficheiro começar a atingir dimensões que exijam muito tempo de carregamento teremos que manter os anúncios em linha apenas durante um semestre.

São decisões a assumir oportunamente.


II.2.2.5.2. "Artigos"

Nesta área colocamos artigos de filatelia. A ideia inicial foi restringirmos os artigos à abordagem de aspectos específicos da filatelia portuguesa ou a autoria dos trabalhos a filatelistas portugueses. Contudo rapidamente nos apercebemos que muito difícil estabelecer essas fronteiras. Por um lado há artigos eventualmente úteis para os filatelistas portugueses que nem dizem especificamente respeito a Portugal nem foram elaborados por portugueses. Por outro, sendo as nossas preocupações muito dirigidas para a difusão da filatelia entre a juventude e a articulação com o ensino, há muitos trabalhos que não sendo especificamente de filatelia abordam temáticas relevantes para estas (lazer e tempos livres, cognição, etc.).

Para além de tudo o mais, reputamos que é importante não só estudar tudo o que se relaciona com as peças filatélicas (matéria da filatelia) mas também estudar a própria actividade filatélica nas suas vertentes sociológica, psicológica, económica, antropológica, histórica (matéria do que poderíamos designar por "estudo científico da actividade filatélica", ou, utilizando uma terminologia mais sintética "filatelogia").

A grade maioria dos artigos (até agora muito raramente recebemos um artigo para publicar, como acontece com as revistas) são retirados de revistas filatélicas nacionais ou estrangeiras. O critério de selecção é uma conjugação de acaso e de prioridades da Filatelia em Portugal. Acaso porque resulta de termos encontrado este ou aquele material. Prioridades pois quando se desenvolve uma determinada área de trabalho (ex. maximafilia) procuramos antecedê-la de alguns artigos sobre o assunto.

Neste momento estão disponíveis 24 artigos, ordenados pelas datas em que foram colocados na página. Apesar das possibilidades de pesquisa por palavras, pensamos que dentro de algum tempo há que organizar os artigos, assim como as dicas, segundo uma divisão por assuntos.

Os artigos que não são escritos expressamente para a Filatelia em Portugal só são publicados com prévia autorização do editor ou autor.


II.2.2.5.3. "Bibliografia"

Na perspectiva de fornecermos aos filatelistas o máximo de informação sobre as actividades filatélicas em Portugal é nossa intenção fazer um inventário completo da literatura filatélica que alguma vez foi produzida.

Como já tivemos oportunidade de referir temos consciência que a concretização total do objectivo é cheia de dificuldades e exige um grande volume de trabalho, mas tudo é possível se "a alma não é pequena" e se houver um espírito de colaboração entre filatelistas. Para tal basta que todos os que têm bibliografia cuja informação não está ainda na Filatelia em Portugal me enviem por e-mail os respectivos dados, aspecto que registaremos nos "Direitos de Autor".

Para já temos a bibliografia organizada da seguinte forma:
Artigos de Revistas (Não Filatélicas)
Catálogos
Documentos de Exposições
Livros e Brochuras
Revistas Filatélicas


O que pretendemos nesta fase, que certamente ainda durará alguns anos, é fazer o inventário de todos os livros, brochuras e artigos de filatelia, desde o primeiro que foi escrito em Portugal, ou sobre Portugal, até aos dias de hoje. Depois das rubricas anteriormente referidas estarem relativamente preenchidas avançaremos para a última fase: artigos em jornais nacionais (diários e semanais) e regionais.

Neste momento não consta dos nossos horizontes a colocação do texto dos artigos ou dos livros, e tal só se poderá concretizar numa fase seguinte e com a prévia autorização dos editores e autores.

O volume de informação que esta rúbrica comporta exige-nos sermos cuidadosos na introdução de imagens, as quais sobrecarregam bastante os recursos do computador. Assim, nas revistas apenas tencionamos colocar as capas dos primeiros números ou das novas séries. Nos livros a introdução da capa e do respectivo índice é a contrapartida propagandística de quem nos oferece os livros.

Nas revistas filatélicas, em que temos investido muito trabalho, neste momento temos 24 revistas filatélicas portuguesas de que há pelo menos o índice de um número. Algumas publicações já têm em linha os índices completos de todos os números publicados.


II.2.2.5.4. "Comerciantes"

Era nossa intenção possibilitar a qualquer comerciante filatélico colocar aqui uma pequena informação, pelo menos em português mas possivelmente também noutras línguas, sobre as suas coordenadas e a sua actividade. O facto de receber frequentemente pedidos de informação sobre comerciantes e aquisição de selos em Portugal mostra que este espaço tinha razão de ser.

Escrevemos a quase todos (provavelmente todos se as listas telefónicas e de certas instituições estão certas) mostrando o que nos movia, oferecendo gratuitamente um certo espaço na Internet. De início só um respondeu ao apelo, muito posteriormente seguido de outro, e nenhum outro se dignou pura e simplesmente responder.

Um comerciante quer vender. Oferecemo-lhe gratuitamente publicidade que circula por todos os cantos do mundo. Quase ninguém quis e tive a amabilidade de responder. É bastante triste, não por nós, mas porque mostra que tipo de comerciantes temos.

Entretanto fui recebendo algumas propostas de comerciantes de outros países, que nada têm de específico sobre a filatelia portuguesa, que pediam para colocar publicidade, por vezes contra pagamento. Fomos sistematicamente recusando, em nome de princípios e objectivos, que de muitos outros nem um "não, obrigado" mereceu.


II.2.2.5.5. "Conselhos Filatélicos"

Pretende-se apresentar um conjunto de sugestões sobre o tratamento dos selos e outras peças filatélicas, cuidados a ter com a colecção.

Quase tudo já está escrito. Sempre que nos passa pelas mãos textos com este cariz transcrevemo-lo, com a indicação da respectiva fonte.


II.2.2.5.6. "Dicionário"

Os filatelistas defrontam-se frequentemente com problemas de tradução entre o português e outras línguas. É para os ajudar que temos tentado construir um pequeno dicionário de "termos filatélicos" e de "cores", estando em perspectiva um de nome de países.

Não apresentando dificuldades de maior e tendo a vantagem de uma vez constituído não exigir modificações amiudadas, tem chocado com a dificuldade em encontrar a palavra adequada para algumas traduções.

Como em todos os casos todas as ajudas são extremamente bem-vindas.


II.2.2.5.7. "Emissões"

Nesta opção do menu informamos das emissões provenientes dos CTT: emissões filatélicas e publicações de livros. Os carimbos comemorativos constam duma opção específica do menu. Não temos informações regulares e fidedignas sobre inteiros postais, embora não gostássemos de menosprezar tais materiais.

A partir do plano de emissões para um ano vamos assinalando as que já têm alguma informação (passando de bola azul a verde) e as que já têm uma informação completa (passando de bola verde a multicolor). Em relação a cada emissão referem-se os dados técnicos e as imagens dos selos, do carimbo de 1º dia, do FDC, dos blocos, das carteiras, dos postais-máximos.

Dos livros apresentamos o que já anteriormente referimos na bibliografia: imagem da capa e índice.

É nossa opinião que basta haver uma pagina portuguesa na Internet que apresente esta informação. Quando iniciamos a construção da Filatelia em Portugal havia um filatelista que a tinha em linha mas fazia-o a preto e branco e sem informação técnica adequada. Por outro lado os CTT, que em princípio devia disponibilizar esse informe – com o conteúdo das pagelas e as imagens das peças filatélicas – também o não faziam atempadamente. É com alguma estranheza que vemos algumas novas páginas em boa hora surgidas, apresentarem a intenção de anunciar as novas emissões. Da nossa parte, se verificarmos que existem outros endereços na Internet em que se faz o anuncio das novas emissões, e se faz com qualidade, actualidade e de forma persistente (com perspectivas de continuidade) de bom gosto deixaremos de ter este trabalhos e fazemos uma ligação para esse local. Há tanta coisa interessante e importante para fazer que será inadequado andarmo-nos a repetir, não sei bem com que objectivos, ou falta deles.


II.2.2.5.8. "Eventos e Informações"

Esta área dá informações sobre eventos filatélicos, decompondo-se em duas subáreas:
Salões, Mostras, Exposições, Comemorações Futuras
Feiras Periódicas de Coleccionismo


As informações por nós colocadas resultam até agora exclusivamente de vermos aqui ou ali anunciada uma mostra, uma exposição regional, nacional ou internacional, de encontrarmos algumas referências a feiras. Nunca recebemos um pedido expresso de divulgação de informação de um tal evento, o que reputamos de um claro desperdício de oportunidades de divulgação a custos nulos. Apesar desta limitação pensamos que é o local de informação mais permanente e completo.


II.2.2.5.9. "Feira das Trocas"

É nossa intenção neste ponto facilitar a troca de selos, e outras peças filatélicas, entre coleccionadores, com incidência nos portugueses. Para que tal seja operacional é necessário que se processe de forma automática, isto é, sem a nossa intervenção. Ainda não tivemos oportunidade de resolver os problemas informáticos que tal apresenta.

Mantém-se, infelizmente, "em construção"


II.2.2.5.10. "Filatelistas"

É nossa intenção nesta opção constituir uma base de dados com todos os filatelistas portugueses ou de selos portugueses que desejem integrá-la. Como tudo o resto da Filatelia em Portugal seria gratuito.

A sua constituição está regularizada. Carecendo de autorização da Assembleia da República, pelo facto de se tratar de uma base de dados pessoais que não resulta da regular actividade administrativa, ela foi obtida por ofício da Comissão Nacional de Protecção de Dados Pessoais Informatizados (Ref. Proc. nº 276/97; Of. nº 1264 de 97.10.06).

Tal como no caso anterior ("Feira das Trocas") para que seja operacional deve ser automática. Isto é, quem quiser acrescenta os seus dados, o próprio poderá sempre modificá-los ou eliminá-los. Qualquer pessoa poderá obter uma listagem dos filatelistas que estão na base de dados, total ou parcial.

Ainda não tivemos oportunidade de resolver os problemas informáticos que tal apresenta. Também está "em construção"42.


II.2.2.5.11. "Glossário"

Nesta opção explica-se o significado de alguns termos filatélicos.

Depois de se ter constituído um pequeno dicionário sintético de termos filatélicos, recorrendo essencialmente a textos produzidos aqui e ali, passámos a rechear o seu conteúdo com apreciações mais desenvolvidas de alguns dos seus termos, recorrendo à ilustração gráfica, à informação complementar, à opinião abalizada e às questões polémicas.

Para cada termo tender-se-á a passar de "glossário" ou "dicionário" para "enciclopédia". Quando todos os termos indicados (137) tiverem esse desenvolvimento poderemos pensar em alargar o número de termos filatélicos.


II.2.2.5.12. "Imagens e História"

Esta é uma das áreas que nos é mais querida e a que, infelizmente, não temos tido tempo para dedicar a atenção merecida. É nossa intenção apresentar aqui todos os selos e blocos de Portugal, integrando-os num enquadramento histórico da década ou lustro a que pertencem e acompanhando-os das suas imagens, das informações técnicas e das histórias a eles associadas (história dos acontecimentos neles representados e história da própria emissão filatélica). Porque se trata de uma importante informação sobre a filatelia portuguesa pugnávamos por ter todos os textos traduzidos em inglês e francês.

Neste momento estão disponíveis os blocos emitidos nos períodos 1940-1949, 1970-1974, 1975-1979 e estamos a trabalhar afincadamente para muito em breve se terem as emissões filatélicas de 1921-1929 e de 1930-1939.

Colocar em linha todos os selos portugueses com os respectivos dados técnicos e informações históricas é, antes do mais, trabalhoso. Depois chocamos com diversas dificuldades: não possuímos algumas das peças filatélicas, somos ignorantes de alguns períodos ou emissões, os catálogos filatélicos, nomeadamente o único existente actualmente, tem grandes falhas de informação e alguns erros. Contudo a grande dificuldade para muitos períodos é a inexistência de uma história do selo português. Todos os períodos não abrangidos pela obra História do Selo Postal Português de Oliveira Marques chocam frequentemente com dificuldades grandes e muitas vezes exigiriam longas investigações.

Apesar destes obstáculos pretendemos preencher o objectivo de colocar em linha todos os selos portugueses emitidos. Nuns casos apenas as imagens e os dados técnicos, noutros também os dados históricos.

Se toda a colaboração é sempre bem vinda, neste caso é-o muito especialmente.


II.2.2.5.13. "Instituições"

Este espaço é essencialmente dedicado às associações filatélicas, fornecendo-lhes gratuitamente a possibilidade de divulgarem ao mundo quem são, como são e o que fazem.

Apesar de todas as estruturas terem sido contactadas por correio, apenas aproveitaram desta oportunidade dezassete, o que é manifestamente pouco. Sempre que tomamos conhecimento que alguma estrutura associativa filatélica já tem uma página na Internet estabelecemos também aqui (além do que consta na secção dos "Links") uma ligação.

Poderíamos dizer a propósito das instituições filatélicas o que dissemos anteriormente dos comerciantes. É, na nossa opinião e até prova em contrário, um absurdo terem um espaço gratuito para divulgarem as suas iniciativas e não o aproveitarem. Um absurdo que não somos capazes de entender porque nenhuma teve a frontalidade de se nos dirigir dizendo abertamente que não pretendiam colocar dados da sua instituição na Filatelia em Portugal e explicando porquê43.

O que não temos dúvida é em afirmar que a filatelia em Portugal sai deste ambiente de contenção menos divulgada.

Quase inexoravelmente todas as instituições filatélicas portuguesas que sobreviverem aos tempos de mudança que actualmente vivemos nas áreas da comunicação e da informação terão dentro de alguns anos páginas na Internet, facto tão natural como constarem da lista telefónica ou terem um boletim. Nessa ocasião, que esperamos com ansiedade e confiança, esta opção de menu deixará de ter significado.


II.2.2.5.14. "Manual para Iniciados"

Há opções do Menu que estão sistematicamente em actualização porque tratam assuntos que estão em alteração, porque o seu conteúdo está em grande medida associado à documentação a que vamos tendo acesso ou por qualquer outra razão. Outras opções estão fora deste dinamismo, apesar de frequentemente serem filatelicamente mais interessantes e serem das que merecem mais o nosso carinho. "Manual para Iniciados" está nesta última situação. O seu atraso no conteúdo é o resultado dos provenientes conflitos da falta de tempo para actualizar uniformemente todos os aspectos da Filatelia em Portugal e de termos atingido uma grande dimensão e estarmos "sozinhos" (com múltiplos e variegados contributos) neste empreendimento.

"Manual para Iniciados" pretende ser a reprodução de um conjunto de ensinamentos para muitos que se iniciam na filatelia mas diferenciar-se do produzido pela especificidade de algumas abordagens, pela reanálise das questões numa época informática e de comunicações globais44 e ainda pela combinação do texto com as imagens e o som.

Esta opção, conjuntamente com "Imagens e História", é uma prioridade em todas as planificações e que acaba por ser relativamente maltratada pela falta de tempo.


II.2.2.5.15. "Marcas Postais"

Em determinada fase da vida da Filatelia em Portugal um filatelista português inscreveu-se no "Livro de Visitas" e manifestou interesse em colaborar na marcofilia. Contactado para o efeito acabou por nunca avançar no sentido que ele próprio tinha manifestado. Depois em conversas com um amigo que desde a primeira hora nos apoia começou a delinear-se o que poderia ser uma abordagem das marcas postais em Portugal. Finalmente começamos a estudar com mais atenção o problema e fomos aumentando progressivamente o nosso fascínio pelas marcas postais. Resolvemos criar esta opção de menu.

Num primeiro tempo, e é esse que agora nos preocupa, procuraremos colocar disponíveis todas as marcas postais que constam do Noticiário Filatélico dos CTT, desde o primeiro até à actualidade. Mantendo a numeração fornecida pelos CTT, por um lado faz-se um inventário por anos das marcas postais45 e por outro colocam-se lado a lado, numa zona própria, o conjunto das marcas postais do mesmo mês, ordenadas por número.

A articulação automática entre estas duas informações permite um cruzamento de quaisquer critérios de pesquisa (numero, data, acontecimento, tema, região, etc.) com a visualização da respectiva imagem.

Para já estão disponíveis os carimbos e flâmulas comemorativos de 1995 em diante, o que significa 419 marcas postais.

Filatelia em Portugal
mais não fez do que reproduzir o que muitas revistas de filatelia fazem. As únicas diferenças resultam da organização que a multimédia aconselha e permite e da natureza cumulativa da organização da informação. E as vantagens da informática são manifestas.


II.2.2.5.16. "Miscelânea"

Há um conjunto de informações e referências de natureza muito variada que são interessantes, úteis, eventualmente mobilizadoras, mas que têm características muito diversificadas e cuja extensão futura desconhecemos. Assim se constitui a "Miscelânea":
De Aqui e de Ali
Transcrição de apontamentos dispersos surgidos em diversas publicações:
Textos Lapidares
Transcrição de ideias que nunca deveriam ser esquecidas pelos filatelistas:
Humor
Rir dá saúde... até aos filatelistas
Sabia que...
Pequenas informações para si.
O que Pensam os Artistas
Referências à filatelia nas artes
Definições de Filatelia
A partir das definições muito há a dizer

O seu conteúdo está em frequente mudança, seja pelo acréscimo de novas rúbricas, o que já aconteceu diversas vezes, seja pela saída de alguma que poderá vir a constituir uma opção do "Menu" geral, o que é previsível

II.2.2.5.17. "Postais-Máximos"

Independentemente de qualquer apreciação técnica ou filatélica sobre os postais máximos é aceite com relativa unanimidade que eles são bastante apelativos para quem ainda não é coleccionador ou para quem se inicia nessas lides. Também o é o facto de qualquer pessoa poder emitir postais-máximos, isto é, combinar o postal ilustrado, o selo e o carimbo.

Por estas razões pareceu-nos importante ter uma área específica de divulgação dos postais-máximos, sendo manifestamente insuficiente a referência a um ou outro emitido pelos CTT (tanto mais que muitos destes pouco ou nada têm das características que são exigidas a um postal-máximo).

Nesta área divulgamos os postais-máximos referentes a emissões actuais que nos sejam enviados por associações filatélicas portuguesas dedicadas à maximafilia: reprodução da imagem nas dimensões naturais, informação técnica e indicação da instituição que nos enviou46.

Esta secção manter-se-á enquanto as respectivas instituições as mantiverem e não transferirem o seu conteúdo para uma eventual página do clube.


II.2.2.5.18. "Regulamentos"

Esta opção pretende disponibilizar a todos os interessados os regulamentos filatélicos nacionais e internacionais.

Muitos já estão disponíveis, outros ainda não estão por razões de contrabalançamento com as outras áreas, ou por não termos a certeza se os textos que possuímos são a última versão.


II.2.2.5.19. "Troca de Ideias"

É mais uma área de diálogo entre os visitantes da Filatelia em Portugal. Quem tiver alguma questão a colocar informa-nos e nós colocamo-la na página. Quem souber a resposta ou tenha qualquer contributo a dar sobre o assunto envia-nos a resposta e nós colocamo-la disponível. Complementarmente se tiver alguma sugestão ou informação a apresentar aos restantes filatelistas também poderá fazê-lo do mesmo modo.

A receptividade desta área é um razoável barómetro do "espírito filatélico" existente, mostra qual a capacidade dos filatelistas estarem disponíveis para os outros. Como dizia em certa ocasião, se queremos que nos informem também devemos informar quando sabemos, mas o comodismo ou as azáfamas do quotidiano tendem a atenuar a aplicação daquele princípio, ético e pragmático47.


II.2.2.5.20. Notas sobre o futuro

É de prever que dentro em breve o menu conte com outras opções, nomeadamente "Administrações Postais" (uma listagem das administrações postais de todo o mundo com um conjunto de informações filatelicamente relevantes a propósito de cada uma) e "Roteiro Filatélico de Portugal" (uma visita pelos conselhos portugueses através dos nossos selos). Este "Roteiro" já conta com a colaboração de um especialista em questões de património cultural.


II.2.2.6. "PESQUISA"

Neste momento só está implementado um tipo de pesquisa: através de um conjunto de caracteres, de palavras. Dada a opção ao computador ele procura em todos os ficheiros de texto (.html) e selecciona os que contêm o conjunto de caracteres seleccionados48.

Suponha, por exemplo, que está a fazer um estudo sobre o distrito de Évora e pretende-se saber o que existe na Filatelia em Portugal sobre essa região. Coloca-se "Évora" no formulário respectivo e ele apresenta a lista: Emissões filatélicas de 1997 e 1998, carimbos de 1996, 1997 e 1998, Emissão de 1949 referente à dinastia Avis, artigos na Filatelia e Numismática, Boletim da Associação Portuguesa de Maximafilia e Boletim do Clube Filatélico de Portugal, Filatelia Lusitana e A Filatelia.

Depois, dentro de cada uma destas referências seria igualmente fácil localizar exactamente onde se encontra a palavra "Évora".


II.3. PROJECTOS E SOCIALIZAÇÃO

Na "Página Principal" colocamos um inventário de projectos para o futuro, como já referimos. Escrito numa das primeiras edições, e raramente retomado, é com algum espanto que relemos o então elaborado e constatamos que ao fim de um ano e pouco quase todas as sugestões entraram em fase de concretização. Essa constatação mostra, entre outros aspectos, que merece a pena sonhar e lutar pelos sonhos.

À luz da nossa experiência actual podemos decompor as perspectivas de evolução futura da Filatelia em Portugal nos seguintes pontos, realizáveis simultaneamente:
  1. Continuar com as actividades actualmente em curso e pormenorizadamente referidas ao longo do texto anterior.
  2. Criar e desenvolver novos aspectos da Filatelia em Portugal
  3. Divulgar a Filatelia em Portugal junto das escolas de Portugal e transformar o seu conteúdo simultaneamente em matéria de estudo e de gosto pelo coleccionismo.
  4. Promover acções de divulgação internacional que permitam a manutenção de bons níveis de recepção e a divulgação da filatelia portuguesa em novos espaços.


O "novos" projectos da Filatelia em Portugal são:
  1. Pôr a funcionar as bases de dados das opções de "Feira de Trocas" e "Filatelia"
  2. Criar uma base de dados sobre administrações postais alguma vez existentes, apresentando sobre cada uma delas um conjunto de informações geográficas, históricas, de história postal, para além de outras informações úteis para os filatelistas (moeda, abecedário, alguma terminologia filatélica, endereço da administração postal, etc.).
  3. Criação do roteiro filatélico de Portugal fazendo para cada conselho do País uma pequena análise da sua realidade; um inventário dos selos emitidos que de alguma forma têm a ver com ele, explicando o que representam e a sua ligação ao conselho; um inventário das marcas postais relacionadas com o município; se possível alguma história postal.
  4. Levantamento da legislação sobre actividade postal e a sua disponibilização, desde os primórdios até aos dias de hoje.


Ambicioso? Como sempre. Como sempre o apelo à colaboração.


II.4. NOTA QUASE FINAL

Tivemos o privilégio e a felicidade de termos detectado a quase inexistência da filatelia portuguesa nas redes informáticas internacionais e tomado medidas para a superar. Pela nossa maneira de estar intelectualmente no mundo (gostando de primeiro compreender e analisar a floresta antes de concentrarmos a nossa atenção sobre a árvore) decidimos construir um web site que abarcasse todas as vertentes da filatelia portuguesa. A ajuda preciosa que o meu filho deu na concepção informática da página e o incentivo que o agregado familiar, a começar pela minha companheira, tem dado à prossecução da iniciativa, tantas vezes em prejuízo de um relacionamento familiar mais estreito, viabilizou o projecto.

Para muitas não tínhamos, e não temos, conhecimentos e recursos suficientes mas sempre confiamos nas possibilidades de cooperação, de entreajuda entre muitos dos filatelistas. O tempo decorrido deixou-nos muito mais pessimistas quanto a essa colaboração, sobretudo à institucional. Não temos duvidas significativas quanto ao facto de que muitas das estruturas de alguma forma ligadas à filatelia deveriam colocar em lugar bem visível o ponto 3 do Código de Ética do Filatelista e sobre ele meditar profundamente:

A solidariedade filatélica constitui um dever dos filatelistas e é inseparável do respeito pelos interesses da Filatelia. nela se compreendendo a permuta de informações, a entreajuda e o incentivo mutuo.


Mas também aprendemos neste curto tempo de existência da Filatelia em Portugal que há amigos maravilhosos, filatelistas lúcidos, abnegados, entusiastas, inovadores. Quem tem a seu lado tais amigos não tem dificuldade em ir muito mais longe.

A Filatelia em Portugal mostrou-me novos horizontes e maneiras de conceber a filatelia e o mundo. Com ela cresceu toda a minha actividade filatélica, desde a constituição das colecções até à participação na vida associativa. É nossa intenção prosseguir nesse rumo, com todos, que connosco tenham um relacionamento "leal, correcto e honesto", colaborando.

Nunca pretendemos nem desejámos o monopólio e por isso tudo faremos para o aparecimento de muitas páginas web sobre filatelia em Portugal, matéria que ocupará o terceiro e último artigo desta série. Estamos convictos que a generalização dos meios informáticos postos ao serviço da filatelia modificará muitos dos actuais procedimentos e formas de organizar as instituições e as relações entre os coleccionadores. Muito provavelmente modificará também as hierarquias actualmente existentes em muitos espaços filatélicos mas não temos a pretensão de ocupar nenhuma, apenas aceitando as que resultam do normal trabalho na Filatelia em Portugal.

Somos como somos, e como "burro velho não toma andadura", felizmente, continuaremos a proceder como até agora. Com as nossas virtudes e os nossos defeitos, com espírito colectivo e idiossincrasias. Por entre a malhas dessa rede de relações humanas continuaremos a expressar inequivocamente as nossas ideias. Lutaremos sempre por ideias e contra ideias, nunca confundiremos esse debate numa luta contra e por pessoas.



III PARTE


III.1. INTRODUÇÃO

No primeiro artigo procurámos dar uma visão de conjunto sobre o funcionamento dos computadores em conexão através de redes que hoje atravessam todo o mundo. Centrados sobre as novas possibilidades que a Internet permite aos filatelistas, aproveitámos essa descrição para introduzir os mais alheios destes assuntos na terminologia e especificidades das técnicas cibernéticas.

Nele defendemos a utilização da informática na filatelia, potenciando o que de bom aquela apresenta, apesar de se reconhecer a existência de alguns impactos negativos. Com base no que já existe de filatélico nos milhares de computadores mostrámos algumas das novas possibilidades no relacionamento entre filatelistas, na compilação e divulgação da informação, na adaptação das práticas antigas às novas tecnologias.

O segundo artigo foi a apresentação de uma experiência relativamente bem sucedida de criação de uma página multimédia de divulgação da filatelia em Portugal no espaço mundial. Percorrendo detalhadamente o seu conteúdo fomos demonstrando algumas das possibilidades abertas por este meio de comunicação e as preocupações e cuidados que deve rodear um processo deste tipo.

Do conjunto das análises é possível tirar algumas linhas de força, algumas preocupações gerais, que devem estar presentes em todos quantos se preocupam com o coleccionismo e com a filatelia:
  1. Há uma "transferência de poder" das instituições formais e das hierarquias para as da libertação da imaginação e de revelação dos conhecimentos.
  2. A velocidade de circulação da informação aconselha novos ritmos de actuação filatélica.
  3. A utilização das redes para a divulgação e obtenção da informação sugere a complementarização dos processos actuais com outros que a informática permite.
  4. A articulação de esforços entre filatelistas e, de uma forma geral, o relacionamento intenso entre si deixam de exigir o relacionamento pessoal.


Estamos a tratar especificamente da Internet, e esse vai continuar a ser o nosso assunto, mas não podemos deixar de referir que a simples utilização do computador, independentemente da sua ligação às redes, abre novos horizontes à filatelia e cada vez mais se torna um instrumento indispensável de trabalho:
  1. É crescente o número de catálogos de selos que são apresentados em CD-ROM, podendo-se admitir que nas próximas décadas se tornem dominantes, mesmo exclusivos.
  2. O registo das peças filatélicas, que temos e que nos faltam com todas as informações que nos interessem faz-se vantajosamente com a utilização de bases de dados informáticas.
  3. As folhas de álbum podem ser feitas por nós muito facilmente e com grande qualidade transformando o nosso álbum num manifestação das nossas preocupações e personalidade.
  4. Muitos dos estudos sobre as peças filatélicas podem ser vantajosamente realizados passando a sua imagem para o computador e aí trabalhando-a.
  5. Começam a surgir apresentações, histórias de aventuras, jogos de computador que utilizam o CD-ROM como suporte, sendo uma importante via para chamar a atenção das crianças e dos jovens para a filatelia.


Recordados estes aspectos tratados nos artigos anteriores, e feito este pequeno desvio da temática central recordando outras vertentes em que o computador é importante para os filatelistas e a filatelia, centremo-nos nas preocupações fundamentais do presente artigo: lançar algumas pistas de reflexão e trabalho para a filatelia portuguesa, para todos quantos se interessam por estes assuntos, tendo em vista o aumento do número dos coleccionadores, a elevação da informação e conhecimentos de cada um, a diversificação das actividades filatélicas, a melhoria das estruturas existentes, o aumento do dinamismo, uma mais estreita interligação entre a filatelia portuguesa e a mundial.

Perante os desafios do futuro há, na nossa opinião, duas atitudes:
  1. a dos que compreendem que algo de novo está a acontecer, que têm como lema de que nada do que é humano lhes deve ser estranho e que procuram, com diferentes graus de participação, conhecimentos e disponibilidade, integrarem-se no movimento de informatização e de comunicação interplanetária
  2. o dos que não compreendem que novos horizontes da comunicação humana despontam ou que sabendo que tal é inevitável criam alibis, combates, ilusões para se manterem alheados de tal processo.


No fim é uma postura de vida que também se reflecte na filatelia. A diferença não está no ter ou não computador, por motivos económicos ou outros, no saber ou não trabalhar com ele, no ter esta ou aquela idade. A diferença está na atitude, no reconhecer ou não a relevância da situação, no querer ou não participar desse "novo mundo". Sócrates tinha todo o saber da sua época e a vontade inesgotável de sempre ir mais longe. Por isso teve a coragem e a lucidez para dizer que "só sabia que nada sabia". É nessa vontade de ir mais longe, com todas as limitações que cada um tenha - financeiras, de conhecimentos, de contexto social ou familiar, de saúde, etc. - que está a força do futuro.

Porque á habitual dizer-se que "essas coisas dos computadores é para os mais jovens" convém dizer sobre o assunto algumas coisas: 1) Não há dúvida que o ambiente tecnológico em que se formam as personalidades, em que se dá o essencial da aprendizagem condiciona muito significativamente as aptidões, pelo que os jovens de hoje - embora dentro destes se possam considerar muitos subgrupos conforme as classes e as regiões - têm uma apetência e inclinação para a utilização do computador e da Internet que as gerações anteriores não têm; 2) Os computadores são essencialmente instrumentos de trabalho (e lazer) que facilitam a vida dos seus utilizadores e da sociedade - embora tenham, inegavelmente, bastantes efeitos perversos - pelo que a sua utilização está ao alcance de qualquer cidadão independentemente da idade. Desde o lançamento da Filatelia em Portugal, os apoios, os estímulos, as colaborações partiram tanto de pessoas idosas como jovens, de utilizadores da informática como de pessoas que nunca o fizeram. Tenderia até a dizer que os filatelistas alheios à informática foram os mais intervenientes no sucesso da nossa iniciativa.

Apresentemos pois um conjunto de pistas de trabalho para a filatelia portuguesa utilizando a Internet. Não são propostas mas simples sugestões, matéria para uma reflexão colectiva. Mater dixie poderá ser uma tendência espontânea do ensino universitário de cátedra a que profissionalmente não tenha ficado isento - apesar de sempre ter tido mais, muito mais, a preocupação de problematizar do que transmitir ideias feitas - mas procurarei nesta incursão filatélica não ser contaminado.


III. 2. APRENDER, APRENDER SEMPRE

Quando se fala do filatelista automaticamente se pensa em alguém que analisa cuidadosamente o conteúdo de cada selo, de cada carimbo, que procura saber as razões da sua emissão e o significado dos acontecimentos que estão representados nas palavras e nas imagens.

Infelizmente a verdade não é bem esta. As pressões do quotidiano, a falta de meios ao nosso alcance para esse trabalho, o desconhecimento de algumas técnicas de pesquisa e de centros de informação, os mecanismos automáticos de coleccionismo que são oferecidos por administrações postais e comerciantes faz com que as rotinas entrem na nossa actividade de coleccionismo.

A informática e as comunicações internacionais vieram criar novas exigências de aprendizagem e, simultaneamente, abrir muitas novas portas para a obtenção do conhecimento. A velocidade de transformação da informação exige a aquisição de novas metodologias de obtenção daquela e um regular trabalho de actualização.

Desenvolvamos um pouco mais estas ideias.

Já se disse: muitos dos procedimentos futuros da actividade filatélica exige o computador. Os catálogos estão a passar ao formato CD-ROM, as páginas de álbum seriam vantajosamente comercializadas por computador, muitas das visitas aos comerciantes são vantajosamente feitas por computador, todos os dias existem leilões nas redes informáticas, etc.

Por outras palavras, é cada vez mais conveniente os coleccionadores saberem utilizar os computadores e a Internet, o que é bastante simples. E se o é para todos, torna-se particularmente imperioso para os dirigentes filatélicos, para quantos nas mais diversas estruturas pugnam, pelo menos teoricamente, pelo desenvolvimento da filatelia.

A partir do momento em que a utilização da informática se torne um acto banal do quotidiano, e por isso mesmo também da actividade filatélica, passa-se a ter à nossa disposição um manancial de informação que permitirá tornar-nos mais empenhados na actividade filatélica, mais informados, mais investigadores. Meia dúzia de toques em teclas do computador, confortavelmente sentados, com algumas guloseimas à mão saciando os nossos apetites, permitem substituir idas aqui e ali, a consulta deste e daqueles livros.

Até muito recentemente a pergunta de mais difícil resposta era: onde posso obter informações? Hoje esta pergunta tornou-se banal e depois da aquisição de algumas metodologias de pesquisa por computador deixou de ser problema. A pergunta decisiva hoje é: como seleccionar a informação que me interessa? A informação generalizou-se, tornou-se mais acessível a todo e qualquer cidadão. O acesso à informação deixou de ser o centro do poder e este, nas matérias que aqui nos ocupa, passa a estar centrado na inteligência, na imaginação e na habilidade de cada um, na sua capacidade de seleccionar e transformar o "mar agitado da informação" num espaço em que tranquilamente possa enriquecer construtivamente a sua informação e, sobretudo, a formação.

A velocidade de transformação da informação, a diversificação dos seus suportes e meios de divulgação, o seu aumento, seja em resultado dos conhecimentos acumulados seja das técnicas da sua disponibilização, exigem uma permanente atitude de aprendizagem, uma atitude de humildade perante o grande hiato entre os nossos conhecimentos e aqueles que o mundo filatélico globalmente possui.

Frequentemente este dinamismo da informação filatélica exige, dos filatelistas e das suas estruturas, uma atitude mais dinâmica. Temos de ter cuidado para que os ritmos impostos pela tecnologia não transformem uma actividade de lazer, de fuga ao stress, numa actividade também ela mergulhada nas turbulências do quotidiano, mas torna-se necessário novos ritmos, novas velocidades de resposta, novas dinâmicas de interacção com os meios informáticos nacionais e internacionais.

Por tudo isto dizemos que aprender, aprender sempre é a palavra de ordem para todos os filatelistas. É uma intenção velha que hoje encontra novos mecanismos de manifestação e concretização.

Dada a insipiência da utilização dos meios informáticos na filatelia portuguesa (mensurável através do numero de páginas, do número de associações filatélicas com páginas oficiais, do número de mailing lists, etc.) é fácil concluir que há um grande trabalho a desenvolver neste campo, um trabalho que exige, antes do mais, uma mudança de atitude.


III. 3. ESPAÇOS DE TROCA DE IDEIAS

Pela sua facilidade é importante a existência de espaços de diálogo entre filatelistas, "estruturas informáticas" onde todos possam obter informações e trocar ideias.

As formas que podem assumir são diversas:


podendo em qualquer momento surgir novas possibilidades.

Em língua inglesa existem vários espaços de troca de ideias direccionados para a filatelia em geral ou alguns dos seus segmentos, há um ou outro caso esporádico em outras línguas, mas em português nada há. A Filatelia em Portugal quase que não cumpre nenhuma destas funções, nem está nos seus objectivos, embora aqui e além procure estimular o diálogo e a interconexão. O problema principal com que nos defrontamos quando pretendemos integrar esses espaços de diálogo é duplo: dificuldade da língua; temáticas tratadas. O reduzido número de participantes portugueses em comparação com os americanos faz com que os assuntos tratados sejam quase exclusivamente associados à filatelia dos EUA, mesmo quando esses espaços pretendem ser aberto às problemáticas filatélicas do mundo.

Por isso defendemos, sem pôr de lado a participação nesses fóruns mais amplos ou a utilização das outras línguas, que se criem centros de discussão, de debate, de troca de ideias, em português, em Portugal.

Qualquer filatelista que disponha de meios informáticos poderá lançar algumas das formas de diálogo atrás referidas, mas haveria fortes vantagens, e um estímulo diferente, que pelo menos algumas dessas acções fossem desencadeadas pelos clubes filatélicos, sejam estes do tipo tradicional - isto é, com uma sede física, com uma estrutura orgânica típica - ou virtual - rede de filatelistas informatizados com um mínimo de estrutura orgânica.

A interligação desses espaços virtuais de debate com estruturas, já em início de informatização, como as escolas básicas e secundárias, os bombeiros voluntários - frequentemente com uma intervenção cultural e até filatélica em muitas regiões - as câmaras municipais, apenas para citar algumas, poderá estender a filatelia a outros meios.

Videoconferência sobre a história e geografia de Portugal através dos selos, sobre história postal ou qualquer outra matéria filatélica; notícias (news) sobre a filatelia em Portugal; uma mailing list em língua portuguesa sobre filatelia em geral, grupos de discussão que por icq todos os dias entre certas horas promovam entre si certos debates são algumas sugestões entre muitas, tantas quantas a imaginação, os conhecimentos e o público permitam e aconselhem.

Do ponto de vista técnico todas estas possibilidades são relativamente fáceis de implementar. As maiores dificuldades estão na criação de uma organização e disponibilidade para que estas iniciativas se possam concretizar.

A este propósito é oportuno fazer três reparos:
  1. Qualquer uma destas acções são de fácil implementação, mas "não caiem do céu aos trambulhões". É necessário uma vontade de realização, um mínimo de organização e, sobretudo, pessoas que acreditem no projecto e sejam animadores com folgo para acompanhá-lo até uma fase em que "role por si", que não desistam aos primeiros contratempos.
  2. Todas estas iniciativas são interessantes mas não se pode ficar na vertente tecnocrática. O que está em jogo, aqui e sempre, são os homens, com os seus comportamentos orientados pela socialização ou pela sua maneira impar de estar no mundo. As soluções técnica são indispensáveis à prossecução destas iniciativas, mas as soluções tecnocráticas são frequentemente fictícias.
  3. A lógica do mercado - tão imperiosamente presente nos procedimentos actuais, mesmo nas instituições sem fins lucrativos - não pode ser a orientadora destas iniciativas. Estamos numa sociedade ainda muito pouco informatizada, a utilização da Internet ainda é escassa, Portugal é quase desconhecido nas principais redes informáticas internacionais e somos mais receptores que emissores, a informação filatélica é insuficiente, a discussão sã e fraterna quase nula e, por tudo isso, não podemos esperar que qualquer acção que se desenvolva tenha logo uma grande audiência. Será a persistência da oferta que criará a sua procura.



III. 4. UNIDADES DE ESTUDO VIA COMPUTADOR

Em Portugal e no estrangeiro existem filatelistas que se ocupam de certas peças filatélicas: Selos de D. Maria, História Filatélica das Universidades, Selos Mecânicos, Marcas Postais de Lisboa, Ceres, Lusíadas, Selos Fiscais, Emissão Base Vistas e Monumentos, Correio Marítimo, Correio Aéreo, Inteiros Postais, etc.

Frequentemente são filatelistas isolados, conhecendo um ou outro interessado na mesma temática, publicando-se de quando em vez alguns resultados dessas pesquisas. Entretanto grande parte dos que estão interessados nesses trabalhos, ou que poderiam aderir se tivessem conhecimento das possibilidades abertas ao coleccionismo por essas vias, ficam afastados desses círculos extremamente fechados. Se estão separados geograficamente a interacção é lenta ou totalmente impossível utilizando os meios tradicionais.

A informática abre novas possibilidades. A divulgação do interesse em constituir-se uma unidade de estudo sobre um qualquer assunto filatélico permitirá que pessoas que nunca se encontraram, que não se conhecem, que se situam em espaços geográficos diferentes passem a ter um conhecimento mútuo da sua existência e possam conjugar esforços. Os meios de comunicação modernos permitem formas rápidas e baratas, de transmissão de ideias. A sua utilização permite que os intervenientes no grupo possam rapidamente aumentar os seus conhecimentos, assimilando as contribuições dos outros. A divulgação da existência da unidade de estudo, as iniciativas que possam assumir nos espaços de troca de ideias a que nos referimos anteriormente permitirá atrair novos filatelistas, chamar a atenção para essa faceta do coleccionismo. A criação de uma página web associada à unidade de estudo permitirá de uma forma muito económica divulgar os trabalhos resultantes desse estudo.

E para iniciar uma tal unidade de estudo basta haver um "lider" e um grupo reduzido de filatelistas interessados, utilizadores dos meios informáticos.


III. 5. BRINCAR "COM" OS SELOS

Para os filatelistas os selos são o centro da atenção. Servindo para ilustrar situações ou exprimir ideias em diversos tipos de colecções continua a ser a vedeta pela qualidade do seu estado, raridade e espcificidades. Mas os selos são também um pretexto para muitas outras coisas. Com eles podem-se construir jogos infantis ou de adultos, contar histórias dos mais diversos tipo, fazer viagens no espaço e no tempo, ensinar ciências ou o mundo que nos rodeia, aumentar a cultura e a sensibilidade aos diversos sinais da vida.

Porque não contar algumas histórias da navegação portuguesa através dos selos? Porque não montar em vídeo uma história policial em torno dos selos nativos na Índia Portuguesa? Porque não aproveitar as imagens de diversos selos portugueses para fazer uma viagem através de Portugal? Porque não montar um jogo de aventuras utilizando selos? Porque não "enfeitar" um poema com selos? Porque não fazer um desenho animado em torno de qualquer assunto filatélico?

Estamos certos que todas estas possibilidades, que cada vez estão a ter mais expansão, associado aos recursos multimédia que o computador permite e à grande capacidade de gravação que o CD-ROM apresenta, podem ser poderosos meios de lembrar que o selo existe, que nos pode ajudar a conhecer o mundo e a contribuir para a nossa felicidade. São meios indirectos de chamar ao coleccionismo novos jovens de todas as idades.

A filatelia portuguesa só teria a ganhar se fossem feitos mais esforços nesse sentido, seja pelas instituições filatélicas seja por empresas que encontrem aí uma forma de ganhar dinheiro. Provavelmente uma parceria entre clubes filatélicos, empresas e escolas poderia dar alguns resultados.

Felizmente que alguma coisa já se fez nesse sentido (nomeadamente pelos CTT) e que estão em curso outras iniciativas, mas impunha-se uma muito maior divulgação.


III. 6. MOSTRAS E EXPOSIÇÕES PERMANENTES

Um dos objectivos da apresentação das colecções em exposições é chamar a atenção do público para a filatelia, é criar novos coleccionadores, é informar os que já o são. Se assim é, quanto mais pessoas poderem apreciar a colecção, quanto mais tempo ela estiver exposta, quando mais cuidado houver na sua leitura maior o seu impacto.

Por outras palavras, a disponibilização de algumas colecções na Internet e a sua divulgação pode ser um importante estímulo ao coleccionismo, à divulgação dos diferentes tipos de filatelia, particularmente se forem boas filatélica e pedagogicamente, o quem nem sempre se conjuga. É possível e conveniente utilizar páginas web para a apresentação dessas colecções.

No entanto ainda estamos numa fase de aprendizagem de como se apresenta uma colecção em multimédia, em suporte magnético, utilizando computadores com visores do tipo actualmente utilizado. Não pode ser, por diversas razões, a simples reprodução do que se faz hoje: os visores não têm o formato A4; a leitura sequencial pode ser vantajosamente articulada com a leitura por ligações entre diferentes páginas da colecção; a articulação da imagem e do texto pode ter outras disposições e combinações; para além dos selos (imagens) e do texto é possível introduzir imagens animadas, música, vídeos.

Ainda não há experiência acumulada nessa área mas facilmente pode ser adquirida. Pela nossa parte estamos disponíveis para a Filatelia em Portugal criar uma área de exposição e aí apresentar algumas colecções, se os seus autores estiverem disponíveis para colaborar connosco.

Admitindo que no futuro possam existir mostras filatélicas exclusivamente virtuais, aprender a "montar" colecções na Internet poderá ser um interessante campo de experimentação, de aprendizagem, de transmissão de conhecimentos, actividade de que lucrará toda a filatelia.

Seria interessante o desenvolvimento de um esforço nesse sentido. Tanto mais quanto não está sujeito ainda a regras. A imaginação, a estética e a vontade dos coleccionadores são soberanas.


III. 7. ESTRUTURAS E REGULAMENTOS EM MUDANÇA

A vida das sociedades está em profunda mudança e um dos seus agentes dinamizadores é a microinformática associada às comunicações. Também a filatelia está. Alguns dos aspectos aqui referidos parecem poder ilustrá-lo. As relações sociais (comportamento dos homens; formas de associação, conjugação de esforços e concorrência; padrões culturais e crenças; negócios e estruturas produtivas; etc.) poderão criar condições favoráveis ou desfavoráveis à propagação das inovações tecnológicas, mas quando estas são estruturantes, como é o caso da microinformática, acabam por se impor. Na "luta" entre o desconhecimento ou alheamento da utilização da informática à filatelia e as novas possibilidades que esta abre é inequívoco que a vitória está antecipadamente anunciada. Ou os homens e as estruturas compreendem o fenómeno, aprendem, repensam a sua missão, e saem fortalecidas do processo, ou a pouco e pouco definharão ou manter-se-ão num sono letárgico.

Acções de formação para dirigentes filatélicos, divulgação das práticas informáticas junto dos associados, criação de fóruns de discussão sobre os novos horizontes (com aspectos positivos e negativos) abertos, empenhamento da juventude na ciberinformática, montagem de mostras filatélicas em linha, abertura de museus virtuais, criação de uma rede de comunicação rápida e consulta entre associações filatélicas, são urgências para a renovação do nosso (português, e não só) ambiente filatélico.

O quadro legal também tem de ser alterado em função destes aspectos.

Hoje discute-se o papel das páginas web, dos CD-ROM, dos recursos multimédia, nas exposições. É bom que assim aconteça pois estamos perante "substitutos" ou "complementos" da literatura filatélica e ainda não há um entendimento perfeito de como tais materiais devem ser tratados. É a regulamentação da participação nas exposições competitivas mas é também o repensar os critérios de pontuação, a natureza dos jurados, a forma de eles actuarem.

Mas existem muitas outras matérias que podem carecer de estudo, novas leis ou modificação das antigas. Algumas específicas da filatelia (cibermostras, código de ética, etc.) outras mais gerais, mas também englobando-as (ex. direitos de autor).

A lei umas vezes diz o que não se pode fazer, deixando à iniciativa de cada um amplo campo de manobra, outras vezes só permite fazer o que está expressamente determinado. Umas vezes tem uma função pedagógica, outras uma dominância punitiva. Fazemos votos de que os regulamentos que procurem cobrir as novas situações sejam um hino à liberdade e à imaginação, um instrumento pedagógico para a divulgação da filatelia.


III. 8. OUTRAS POSSIBILIDADES

Nas linhas anteriores referimos algumas possibilidades de evolução futura. As que sabemos possíveis e de mais fácil exequibilidade.

Desde já outras hipóteses poderiam ser levantadas como, por exemplo, a realização de cursos de filatelia utilizando as técnicas do ensino à distância, seguindo uma prática já efectiva nos EUA. Mas se o artigo fosse escrito no próximo mês certamente que teríamos novas ideias, novas sugestões. Bastaria entretanto estaremos atentos à evolução da tecnologia, viajarmos na Internet (nas páginas filatélicas e outras) e termos a capacidade de nos espantarmos com cada novidade que encontrássemos.

Hoje como ontem, a ignorância (resultante da evolução ontogenética e filogenética, do contexto histórico ou das atitudes individuais) é uma das importantes restrições ao progresso, à evolução da filatelia. Há que superá-la.


III. 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O campo de liberdade individual aberto pela Internet é imenso. Em todas as épocas a mudança é o que de mais permanente existe mas a nossa tem, em relação ao passado, a especificidade da sua vertiginosa velocidade.

Este facto aconselha que não terminemos esta série de artigos em uma breve referência ética e pragmática à relação entre liberdade e responsabilidade e uma nota sobre o papel que as associações filatélicas podem, ou devem, desempenhar nesta transformação.


III.9.1. LIBERDADE E RESPONSABILIDADE

Liberdade e necessidade são duas faces de uma mesma realidade. Condicionado pela técnica e pela sociedade em que nasceu e vive, o homem rasga em cada momento novos horizontes para a sua vontade individual. Controlado, ou controlável, pela informática até ao mais ínfimo pormenor da sua vida, encontra nos computadores e nas comunicações planetárias um campo de acção inesgotável, um desafio aos seus conhecimentos e à sua capacidade criadora.

Porque a filatelia é um campo de manifestação das idiossincrasias de cada um de nós e, em alguma medida, de "fuga" às pressões do quotidiano, a ciberinformática é um hino à liberdade. Uma liberdade que tem de ser acompanhada por uma consciência cívica e ética reforçada, atenta à especificidade do que está em jogo.


III.9.2. AS ASSOCIAÇÕES FILATÉLICAS E A INTERNET

O essencial já foi dito: as associações filatélicas não só devem acompanhar os progressos tecnológicos e de relacionamento humano derivados da utilização da informática como devem ser pioneiras, bandeirantes de novos caminhos, visionárias de utopias tornadas realidade.

Provavelmente a própria lógica organizativa mudará, provavelmente a hierarquia da competência modificará a configuração do tabuleiro de xadrez nacional e internacional, mas não há lugar à personalização das mudanças. Todos que têm por lema compreender o que é humano terão certamente lugar na construção do futuro.


Terminamos com os votos que este conjunto de artigos tenham sido úteis para uma reflexão colectiva. Esperamos que a A Filatelia Portuguesa receba sobre o assunto posições discordantes, alternativas ou complementares, num esforço colectivo e construtivo de diálogo democrático e cientificamente profícuo.


NOTAS
(1) Aqui fica o endereço: http://www.caleida.pt/filatelia<<<
(2) De facto utilizaram mais do que um computador. Este é a face visível, juntamente com a impressora e o aparelho de ligações ao exterior via linha telefónica (modem) mas utilizaram igualmente as comunicações nacionais e internacionais (por linha telefónica, por satélite ou fibra óptica), os computadores que em diversos locais recebem as solicitações e as encaminham, os computadores onde a informação procurada estava armazenada. Utilizaram ainda programas ("software") isto é, sequências lógicas de instruções dadas à máquina utilizando linguagens específicas. Apesar da complexidade do conjunto dos elementos e de cada um deles, para o utilizador a informação surge, como actualmente se diz, transparente. Isto é, o utilizador não precisa de saber informática, o diálogo entre o computador e o seu utilizador é muito simples.<<<
(3) Os vulgares CD, aqueles suportes físicos tão utilizado por nós para ouvirmos música, também podem ser utilizados para conter informação lida pelos computadores. É um suporte que funciona como uma memória a que o computador vai buscar dados. CD-ROM = CD - Random Only Memory.<<<
(4) Escrever à mão, numa máquina de escrever ou num computador permite, no essencial, preencher o mesmo objectivo. Passar "para o papel" as ideias, transmitir ao leitor essas informações. As opções por uma ou outra via de escrita depende dos gostos e saberes de cada um. Uma carta de amor continua a ter mais sabor escrita à mão enquanto um relatório pode ser bem mais rapidamente escrito no computador. Na generalidade das situações este apresenta diversas vantagens: o que se escreve fica gravado e as correcções não exigem refazer tudo, pode-se utilizar partes de textos já anteriormente escritos sem estar a rescrevê-los ou copiá-los, dicionários potentes facilitam a correcção da ortografia e da gramática e até dão uma grande ajuda na eventual tradução, as notas de fim de página ou texto são introduzidas automaticamente, escolhe-se o tipo, tamanho e cor da letra, se se pretender o alinhamento da margem à direita nem temos que pensar no assunto, permite combinar texto e imagem sem precisar de fazer colagens. Obviamente que nem tudo são vantagens: o computador é mais caro que a generalidade das canetas, não trabalha sem electricidade, tem maior prbabilidade de se avariar.<<<
(5) Nome dado aos programas de computador utilizados para escrever texto formatado.<<<
(6) Designação generalizada entre os jovens para designar a consulta de informações na Internet. Aproveitemos para dar uma ideia aproximada do que isto é. Assim como dois aparelhos de telefone podem comunicar entre eles também dois computadores o podem fazer. Basta que estejam ligados directamente entre si através de um cabo (por onde vão e vêm os sinais eléctricos que representam a informação) ou um deles esteja associado a um emissor, ou outro a um receptor e estejam sintonizados entre si. Quando os computadores estão ligados entre si diz-se que estão em rede. E um conjunto de computadores em rede entre si podem estar ligado a um outro conjunto de computadores em rede. Temos uma rede de redes ou, simplesmente, uma rede maior, abrangendo mais computadores. Para que tudo isso funcione basta que haja essas ligações e que os computadores que recebem informação compreendam a "linguagem" utilizada pelos computadores que emitiram. A Internet é uma rede de redes de computadores espalhados por todo o mundo que utilizam entre si a mesma linguagem (chamada protocolo) de comunicação.<<<
(7) Para percorrer a Internet existem programas específicos. Os ficheiros WWW (World Wide Web) são hoje os mais populares e para os consultar utilizam-se programas genericamente designados por "browser". Para o utilizador é fácil. Tem um texto no visor do computador e através de uma frase ou imagem convida-se a visitar alguma coisa, por exemplo, o museu filatélico na Suécia. Com o rato coloca o cursor nessa frase ou imagem e carrega no botão. Passado poucos segundos está num computador na Suécia a visitar esse prodigioso e pedagógico museu filatélico, com um guia utilizando o inglês ou o sueco. Para o utilizador tudo foi simples. E não precisa de saber mais do que carregar no botão do rato e entender o inglês. E o que se passou entretanto? Talvez isto. Ao carregar na tecla do rato o programa enviou uma mensagem para o aparelho das comunicações (modem) dizendo que quer ir para um ficheiro e computador designado por www.posten.se/museum/index.html (www.posten.se designa o computador, museum o local do disco do computador em que se encontra a informação e index.html é o ficheiro; o facto deste ter uma "extensão" html indica que é um ficheiro escrito numa linguagem própria para este tipo de comunicações). Essa informação foi enviada para um computador localizado na sua cidade que interpretou a mensagem e, como qualquer chamada telefónica, a encaminhou directa ou indirectamente para a Suécia, para uma determinada localização. Chegado ao computador pretendido a mensagem de entrar e consultar um determinado ficheiro é lida e aceite. A partir desse momento dá-se o processo inverso: o ficheiro pretendido vai progressivamente viajar até ao seu computador onde, dento de momentos o pode consultar. Como tudo isto se processa a altíssimas velocidades bastarão poucos segundos para ter acesso à informação pretendida.<<<
(8) Esta comunicação mundial coloca crescentemente o problema das línguas, veículos de comunicação mas também de dominação. As tendências são contraditórias. Por um lado há uma hegemonização do inglês como veículo de comunicação internacional, por outro há tentativas de reafirmação das línguas nacionais e o aparecimento de programas para tradução simultânea entre línguas.<<<
(9) Tuiavii, O Papalagui, Lisboa, Antígona, 1991, 13ª Ed., pág. 30/1<<<
(10) Este contacto entre computadores que a Internet permite faz com que os homens se possam comunicar enviando textos, imagens e sons entre si. É a essa comunicação, estabelecida segundo certas regras, que se designa por correio electrónico ou tão somente e utilizando a terminologia inglesa, "e-mail". A sua rapidez, facilidade e gratuidade são hoje factores aliciantes propiciadores da substituição de muita da carta escrita pelos meios tradicionais.<<<
(11) Foi essa a nossa perspectiva quando abordamos o problema em "Internet e Filatelia (um comentário e um esclarecimento)", Boletim do Clube Filatélico de Portugal, n.º. 376<<<
(12) Numa análise sociológico-filatélica mais fina poderíamos distinguir diferentes posturas dos cidadãos perante o coleccionar selos, hierarquizando-os em diversos tipos, psicológica e funcionalmente diferentes: dos indiferentes aos coleccionadores, dos "ajuntadores" aos filatelistas. Neste trabalho englobamos na designação genérica de coleccionador ou filatelista todos os que têm uma postura de interessar-se pelos selos e em diferentes graus de empenhamento e conhecimento vão organizando minimamente as suas colecções.<<<
(13) Duas observações. Esse desconhecimento certamente resultará de ignorância da minha parte mas será legítimo "defender-me" afirmando que as pesquisas visando um estudo científico (psicológico, sociológico, antropológico, histórico, geográfico, económico, semiótico, etc.) da actividade filatélica - a qual tem de reconstruir as suas matrizes de leitura conforme o quadro histórico a que se aplica - revelaram-se bastante escassas e eventualmente afastadas de uma aplicabilidade globalizante à nossa realidade. Após a constatação uma segunda nota alertando para a importância desse estudo.<<<
(14) Sobre este assunto há interessantes artigos na Internet que chamam a atenção para a maior relevância do "e-mail" nos processos de comunicação filatélica, apesar de frequentemente se dar mais atenção ao WWW ou às News.<<<
(15) Quem estiver interessado em enviar ou receber mensagens emitidas por um conjunto de indivíduos, que se associam para o efeito inscreve-se, de uma determinada forma, sem qualquer custo. É quanto basta. Sempre que um dos elementos envia uma mensagem para o computador central ela é automaticamente difundida por todos os elementos do grupo. Algumas "mailing lists" são moderadas, isto é, há uma apreciação sobre cada mensagem recebida para se decidir do seu envio para os restantes elementos, e outras não.<<<
(16) Na "Filatelia em Portugal" encontrará todas as informações para se inscrever nas "mailing lists" filatélicas de língua inglesa e francesa. Assim como pode inscrever-se também pode anular a participação. <<<
(17) Recentemente houve numa das mailing lists uma discussão sobre a importância do "e-mail" para os filatelistas. Muitos foram os testemunhos positivos, como o de Ron Shanahan, australiano, que afirmava (em 13/01/1998):

My collection of booklets of the world has increased greatly since being on the net and making contacts in many countries. The lists are a great help, without them we would not have had the contacts we do. I have made quite a few friends in the course of 'trading' via this system. So far, all the exchanges have been good, without problems, and all have been honest and straight forward.

The time (and cost) saving is tremendous, and being able to send scanned images and attachments if necessary is the icing on the cake.<<<
(18) Em torno desta questão tem havido bastantes debates entre filatelistas na Internet. A mundialização das relações e o facto de cada um dos grandes catálogos ter áreas de influência são factos que se contradizem. As hipóteses abertas por essa conversão é interessante mas o ideal seriam outros mecanismos mais expeditos. Se alguns sonham com novos sistemas uniformes de numeração outros gostariam, bem mais realisticamente, que houvesse catálogos de conversão ou um catálogo indicasse a numeração realizada pelos outros. A grande dificuldade hoje existente é que a numeração de cada catálogo está protegida por direitos de autor e ninguém a poderá utilizar comercialmente.<<<
(19) Se visitar "Filatelia em Portugal" terá numa rubrica (Links de Filatelia) uma lista organizada de mais de um milhar de ligações por todo o mundo. Bastará carregar no botão do rato para entrar em computadores remotos.<<<
(20) Permitam-me mais um exemplo verídico. Um jornalista filatélico australiano num dia de Dezembro estava a escrever um artigo. A determinada altura considerou conveniente ter o plano de emissões para 1998 do nosso País. Pelos meios habituais procurou o que existia na Internet sobre "filatelia" e "Portugal". Localizada a página "Filatelia em Portugal" verificou que ela talvez tivesse a informação pretendida mas estava em português. De imediato mandou-me um "e-mail" colocando o problema. Estando eu com o computador ligado e tendo já em minha posse a tradução para inglês de imediato lhe enviei. Em cinco minutos resolveu o seu problema e pode tranquilamente continuar a escrever o artigo. E Portugal ganhou em ser capaz de responder prontamente. A mesma situação poderia ter sido resolvido por telefone e fax? Teoricamente sim mas a "liberdade" de comunicação e contacto na Internet aproxima mais as pessoas anónimas.<<<
(21) Podemos designar por base de dados todo o conjunto de dados manuseáveis sob qualquer forma e armazenado em qualquer local. Há alguns anos uma base de dados tinha que ser quase obrigatoriamente centralizada, isto é, tinha que estar localizada integral e exclusivamente em um único computador. Embora eventualmente acessível a todos os utilizadores da rede os programas que permitiam acrescentar, modificar, combinar, procurar dados exigia essa localização centralizada. Actualmente a tendência é as bases de dados partilhadas, isto é, localizadas em diversos computadores (eventualmente localizáveis em diferentes locais do globo), com gestores diferentes e autónomos. As diversas partes da base de dados completam-se entre si e os dados podem ser manipulados como se tudo se processasse num mesmo computador. As vantagens (organizativas, de pessoal, de volume de informação, de marketing, etc.) das bases de dados partilhadas são enormes.<<<
(22) "The Stamp Trader List (STL) contains the names & "e-mail" addresses of stamp collectors & dealers who wish to establish connections & trade stamps with other people on the Internet. Full updates of the STL are posted to the Internet twice a month, normally on the 1st and 15th day of the month.
It's an introduction service with absolutely NO FEES OR CHARGES involved. It's up to STL subscribers to get in touch with someone who appears to have similar collecting or trading interests.<<<
(23) Em colaboração com esta base de dados original mas autonomizando-se posteriormente para o espaço de língua castelhana (abrangendo também o português) surgiu o "LIS - Lista para el Intercambio de Sellos", situado em Espanha.<<<
(24) A grande popularidade dessa página tem feito com que comece a apresentar algumas debilidades, para além de, desde a origem, tender a centrar a informação de certas partes do mundo com desconhecimento de outras. Para além de debilidades de organização na actualização e sistematização da informação é de referir o facto da importância de marketing que apresenta para qualquer um tender a desvirtuar a fidedignidade da informação.<<<
(25) Esses ficheiros podem estar em discos, em disquetes, em cd-rom em disco óptico ou em qualquer outro. A sua natureza e a forma de ser utilizado mantém-se no essencial.<<<
(26) Na "Filatelia em Portugal" há a intenção de ensinar como se pode apresentar uma colecção virtual. mas ainda não tivemos tempo para o fazer. Entretanto um dos aspectos mais aliciantes é vermos como pessoas que se confessam não coleccionadoras se manifestam entusiasmadas com o que vêm. Compreendem, talvez pela primeira vez, a diversidade de aspectos que a filatelia comporta.<<<
(27) Permitam-me que deixe uma nota sobre este aspecto. Vamos supor, o que veremos não ser inteiramente possível, que um coleccionador coloca na Internet a sua colecção tal como está no álbum, isto é passa pelo scanner as sua diversas folhas do álbum. Se quiser pode ficar por aí e está, admitamos que sim, todas as regras da Federação Internacional de Filatelia. No entanto fica a possibilidade de, sem alterar essa estrutura, fornecer ao visitante toda uma informação adicional que não faz sentido numa exposição mas que poderá fazer num acto de comunicação que se pretende pedagógico e aliciador de novos filatelistas. Simultaneamente revelará conhecimentos do coleccionador que actualmente não necessitará de expor.
Dois exemplos, sabendo-se que a apresentação utiliza os princípios do hipermultimédia:
(1) Colocando o cursor sobre o selo ou a marca postal e carregando no botão é possível descrever ao visitante toda a história daquele selo ou a história postal que lhe está associada, respectivamente.
(2) Vamos admitir que o selo apresentado é o nº 1630 segundo a numeração do catálogo da AFINSA (Selo de 30$00 do 6º Centenário da Revolução de 1383):
Clicando na figura que vem à janela diz quem é e conta a sua vida, clicando na multidão transcreve as descrições de Fernão Lopes sobre os movimentos de massas na Revolução de 1383, clicando na margem indica quem foram os artistas que conceberam e gravaram o selo e descreve a sua vida, clicando num qualquer lugar especificado para o efeito toca as músicas utilizadas na época, etc.<<<
(28) Embora não seja o local oportuno para discutir estas questões, alguns dos regulamentos internacionais estão particularmente desactualizados. Veja-se apenas que cada vez mais os catálogos são em CD-ROM, que vários jornais são produzidos e divulgados por Internet, que muitas páginas "web" são verdadeiras publicações periódicas e os regulamentos não consideram nenhuma destas possibilidades.<<<
(29) Retirado de "Filatelia e Juventude", Junho 1997, Dicas da Semana<<<
(30) Em Portugal há uma forte tendência à personalização das situações. Esta problemática das hierarquias é uma fácil constatação a partir da observação da realidade, das experiências de transformação e do conhecimento do que é funcionar na Internet. Mais nada do que isso.<<<
(31) Em "Leituras Periódicas", Selos e Moedas nº 100, (Abril 1997) <<<
(32) Nesta pobreza de imaginação e capacidade de inovação, houve instituições e pessoas que, sem nos conhecer, aderiram à ideia e nos deram muita força. Neste pioneirismo cabe uma palavra de muito apreço e grande gratidão ao Clube Filatélico de Portugal e ao Sr. Carlos Calheiros da Silva. Numa segunda fase muitos continuaram silenciosos mas muitos outros nos apoiaram. Na rúbrica "Direitos de Autor" é possível encontrar essas referências.<<<
(33) Foi construído a partir da digitalização da reimpressão de 1953 do referido selo. A partir da imagem de um único selo automaticamente se constrói a imagem de bloco. <<<
(34) No ano de 1936 o Estado Novo está em fase de organizar a sociedade portuguesa segundo os princípios do corporativismo, Salazar consolida o seu poder e na Europa reforçam-se as posições nacional-fascistas. É neste quadro e na sequência da emissão de selos na Alemanha (em 1935) com fatos regionais que surge a ideia desta edição.<<<
(35) Resume-se nas seguintes três fases: (1) contactamos informalmente a ACOFIL para estudar da possibilidade da Filatelia em Portugal estar na exposição permitindo a qualquer visitante navegar na Internet; (2) foi-nos respondido "Contudo lamentamos informá-lo não ser possível autorizar a sua pretensão, dado que alguns comerciantes também têm páginas de caracter comercial na lnternet e tal poderia fazer alguma confusão com a iniciativa de V.Ex.a. Acresce que os próprios CTT irão utilizar a lnternet para divulgar a exposição e estamos certos que a sua iniciativa iria causar apreensão nos meios filatélicos." (3) Não aceitamos a resposta que nos foi dado. Para mais pormenores ver PORTUGAL'98 e a "Filatelia em Portugal" ou A Propósito de uma Carta da Acofil, nas Dicas Passadas<<<
(36) Assinale-se, para que se compreenda a importância desta opção, que neste momento (versão 2.02) a Filatelia em Portugal é constituída por 745 ficheiros de texto (.html) e 1097 ficheiros de imagens (.gif ou .jpg)<<<
(37) Não desprezaríamos ter acesso a recursos financeiros que nos permitissem ter apoios de secretariado ou acesso a alguns programas de computador, o que nos permitiria concretizar muito mais rapidamente os nossos projectos de ampliação da página, mas nunca aceitaremos que o acesso a tais recursos limite ou condicione a nossa maneira de pensar, a nossa opinião, aquilo que escrevemos. E fazê-mo-lo num ambiente em que sabemos haver excessivas subserviências seja pela nossa maneira lusa de estar na vida seja porque apoios e compromissos diversos geram autocensuras e silêncios.<<<
(38) A imensidade da informação estatística que nos é disponibilizada aconselha a que apenas coloquemos em linha informações sintéticas e já tratadas. Esta preocupação, associada ao tempo necessário para proceder a essas análises faz com que tivéssemos optado por colocar em linha blocos de informação por semestres. Assim, o que agora disponibilizamos são informações do último semestre de 1997, o que não invalida a nossa disponibilidade para fornecer a quem o solicitar justificadamente informações mais actualizadas.<<<
(39) Para termos uma noção mais pormenorizada do que estes números significam façamos uma comparação tosca com as revistas filatélicas: Uma página desta revista que tenha texto e duas imagens tem 52450 bytes de informação. Assim, a informação diariamente lida da Filatelia em Portugal corresponde a 113 páginas desta revista.<<<
(40) pt=Portugal, net=pode ser qualquer parte do mundo, idem para com, br=Brasil, es=Espanha, it=Itália, fi=Filândia, edu=instituições de educação (sobretudo nos EUA), de=Alemanha, fr=França.<<<
(41) Nas publicações listadas há cinco excepções ao principio formulado: Boletim do Clube Filatélico de Portugal, Filatelia Portuguesa, Jornal de Filatelia, Boletim da Associação Portuguesa de Maximafilia e Topical Time. O seu caracter excepcional resulta de eu ser sócio das respectivas instituições receber as publicações e nunca lhes ter colocado a questão da forma referida. Refira-se complementarmente que o Clube Nacional de Filatelia e a Associação Portuguesa de Maximafilia tiveram a amabilidade de me oferecerem muitos números antigos. Também o Clube Filatélico de Portugal me enviou um ou outro número antigo solicitado.<<<
(42) Entretanto tem sido enviadas para nós diversas fichas de inscrição para esta base de dados. Estão todas arquivadas para serem incluídas quando a base de dados for disponibilizada. Aproveitamos para manifestar a esses filatelistas, que em alguns casos fizeram acompanhar os seus dados por amigáveis palavras de estímulo e apoio, os nossos agradecimentos.<<<
(43) Desconhecimento do que é a Internet e sem o espírito de investigação que caracteriza os filatelistas? medo de que estivessem a entrar numa brincadeira de mau gosto? incapacidade de quebrar as rotinas e pouca abertura à inovação? convicção profunda que tudo o que seja virtual é um inimigo a abater; preocupação pela actualização que um marketing acarretaria? São hipóteses que deixamos no ar e para as quais não temos respostas manifestamente satisfatórias.<<<
(44) Dedicaríamos particular carinho a "2ª Parte: Apresentar uma colecção na Internet "<<<
(45) Com as seguintes informações: [ano/número de informação] [tipo de marca postal] [datas de utilização: aaaa/mm/dd a aaaa/mm/dd] [local geográfico de aposição do carimbo] [razões da emissão da marca postal] [motivos constantes do carimbo, utilizável em temas]<<<
(46) A Associação Portuguesa de Maximafilia desde a primeira hora tem sido uma instituição colaboradora activa da Filatelia em Portugal e aos seus dirigentes devo muita amizade, incentivo e ajuda. As outras associações de maximafilia foram contactadas, como o foram todas as associações filatélicas e nunca reagiram.<<<
(47) Quando estou a tecer estas considerações não me alheio das responsabilidades. O meu percurso filatélico foi de coleccionador isolado e pouco receptivo a contactos, pouco atreito a fornecer aos outros os meus próprios conhecimentos, até uma grande disponibilidade e compreensão de que não é possível ser coleccionador sem uma estreita relação entre todos.<<<
(48) Se colocar mais que uma palavra separadas por espaços em branco, estes são interpretados logicamente como OU. Por outras palavras, o programa procura todos os ficheiros em que existe pelo menos uma vez uma das palavras referidas.<<<


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1998/08
Publicado originariamente em A Filatelia Portuguesa (Nºs. 80, 81 e 82)
Foram retiradas todas as imagens que o acompanhavam