Como seria bom colaboração!
Como é triste a sua não existência!

Carlos Pimenta

Exemplos para o texto seguinte

Exemplo 1 retirado do artigo Une marque inconnue: Da Ajaccio / VIA DI MARE, de Jean Claude DELWAULLE, publicado no Trait d'Union (AEP) nº 2.
Marca Desconhecida

Trata-se de uma carta de Olmeto (Corsa) de 28 de Setembro 1861 para Alghero (Sardanha), «6 Ott 61». O carimbo durante muito tempo desconhecido era palicado em Sassari (Sardaigne), posto de troca no interior da ilha.
Trata-se certamente de uma peça muito rara e de alto valor.


Exemplo 2
Porte Pago

Quando os correios insistem em tipificar o símbolo de porte pago, retirando-lhe muitos dos atractivos de que poderia ser alvo, as Selecções do Riders's Digest em 2001 embelezaram desta forma o tradicional cavalo, símbolo dos CTT. A estátua de D. José no Terreiro do Paço em Lisboa tem outro interesse.
Trata-se de uma peça recente e vulgar, quase sem valor comercial, mas que é interessante.



Em miúdo levava o meu pequeno classificador, oferecido por um amigo do meu pai, para a escola e nos intervalos, muitas vezes na própria aula, aproveitávamos para fazer trocas. Selo contra selo ou por algo mais quando nos defrontávamos com algum selo que considerávamos, sem qualquer informação ou consulta de catálogo que não sabíamos existir, que era uma peça rara. Por exemplo, era o caso de um selo da Colômbia, que para além de ser de ter "viajado de muito longe" era considerado por nós "o selo mais pequeno do mundo". Selos contra selos, selos contra cromos, selos contra carrinhos de corridas, selos contra berlindes, de preferência abafadores.
Durante muito anos mantinha correspondência com jovens em outras partes do mundo para a troca de selos.
Um inquilino da minha avó, sabendo que eu coleccionava selos, não perdia a oportunidade de recortar cuidadosamente os selos que vinham nas cartas - os jovens que fiquem a saber que houve um período da história em que as cartas eram franquiadas com selos - e entregarmo-los solenemente, fenómeno que se repetia quotidianamente. Também o meu pai e alguns seus amigos, nos seus empregos, tinham o cuidado de isolar essas bonitas peças para mim.
É certo que desde muito jovem que sei o que é o egoísmo e a desonestidade associada ao coleccionismo de selos. Um amigo de família, a quem devo a minha formação na utilização da pinça, da lupa, do classificador, do catálogo de Portugal, do álbum, das charneiras e processos de descolagem, "espantado" perante um Santo António que tinha CORRFIO em vez de CORREIO, levou-mo para analisar melhor em casa... e até hoje, passados quarenta anos, ainda não o conseguiu fazer. Mas, o que mais recordo é o ambiente de colaboração, o desprendimento, o sentido de inter-ajuda.

Tendo interrompido durante anos o coleccionismo - dificuldades várias e outros rumos da vida -, quando regressei a tal lazer constatei que na literatura filatélica se falava muito de Filatelia, Paz e Amizade.
Considerei estranho, porque aquilo que existe quotidiana e espontaneamente não necessita de ser falado, está no subconsciente ou inconsciente como pertença individual e colectiva. Os jornais não falam que há água, mas sim da falta de água, porque a existência daquela é "um dado adquirido". Fala-se da falta de electricidade e não da sua existência quando mexo no interruptor. Estando muitos de nós nas sociedades europeia habituados a comer, não é notícias que todos os dias almocemos. O que nos alvoroça a consciência é que tanto milhões continuem a sofrer de fome.
Enfim, ao ouvir falar tanto de Paz e Amizade na Filatelia - recordando os movimentos da revolução sexual "Faça Amor, não faça guerra" - de imediato suspeitei que houvesse na filatelia tão nobres sentimentos humanos.
Mas quando avancei com esta página A Filatelia em Portugal ainda oscilava entre a crença na bondade humana, também aplicada à filatelia, e o egoísmo altista a que as sociedades nos conduzem. E já lá vão seis anos.

É certo que desde cedo me chamaram ao realismo com aqueles processos bem típicos da sociedade em que vivemos. Combatendo vilmente o que parecia óbvio que tivesse aceitação generalizada: que era uma vantagem para os filatelistas portugueses ter uma página como esta, que era um promoção de Portugal e do nosso engenho criadora, que seria interessante ser acarinhada pelas autoridades que promovem a filatelia em Portugal, etc. Algumas boas "pauladas", alguns insultos e mentiras, e aí estávamos perante a realidade: vivemos em plena globalização onde se cantam hinos à "competitividade", vivemos em Portugal onde a inveja e cobiça e a mediocridade em muitos cargos campeia.
Alguns pensaram que eu acabaria por desistir, por "meter o rabo entre as pernas", por perceber que era um medíocre, que isto de computadores é obra do diabo, ou pelo menos da "oposição às práticas inteligentes" de que alguns tinham o monopólio.
Hoje já devem ter consciência que sou "osso duro de roer" e perceberem que com uma paciência chinesa aguardo o momento em que "serei o último a rir". Há dias fui ao lançamento do primeiro livro de uma antiga aluna que aí passou a ser muito mais do que isso. No discurso de apresentação do livro, por entre as banalidades que se tem de dizer nestas ocasiões, acrescentou algo que me tem feito que pensar: "não merece a pena remar contra a maré, há que esperar o momento oportuno e quando ele surge não perder a oportunidade". Não sei se estou de acordo ou não, pois ainda não fiz todas as análises que havia a fazer, mas que tem-me dado que pensar é verdade! Talvez a filatelia que muitos chamam "organizada" e que eu prefiro designar de "(des)organizada" me venha mostrar que a Vanda tem razão!

Como as palavras deslizam no teclado do computador...
Quando comecei a escrever este editorial não pensava falar em nada disto. Bom, mas já que está dito fica, rematemos rapidamente para o que ocupa este editorial.
Ao longo dos poucos anos desta página encontrei grandes amigo, vários filatelistas que me souberam apoiar. Recebi muitos e-mails extremamente interessantes, desde a opinião técnica rigorosa de algum filatelista sobre um qualquer assunto até ao agradecimento de um jovem brasileiro de 11 anos que tinha encontrado na página a informação sobre Camilo Castelo Branco que precisava para o trabalho escolar. Encontrei tudo isso mas sempre fui incapaz de encontrar colaboradores regulares (talvez com a excepção do amigo Carlos Calheiros que durante a fase inicial foi um colaborador regular e entusiasta) pessoas que de uma forma sistemática assumissem A Filatelia em Portugal como algo que também era seu. "Bocas", "promessas", afirmações vãs, recebi muitas, mas actos muito poucos.
Entre alegrias e desilusões, continuo à procura. E não é preciso mil colaboradores: basta um para que se "salve a honra do convento".

A sugestão e o desafio é simples. Gostaria de criar uma secção de JOIAS FILATÉLICAS onde colocasse imagens, e respectiva descrição, de peças filatélicas interessantes.
Interessantes significa esteticamente salientes, historicamente curiosas, peças vulgares mas que têm "agarradas a si" histórias que devem ser contadas. Interessantes não significa valiosas.
Assim se poderia colocar nessa secção a carta circuladas que teve isto ou aquilo, a variedade do selo que ficou deste ou daquele modo, o carimbo que deveria ser assim mas é assado, outras coisas.
Contudo não tomarei nenhuma iniciativa para além de lançar a ideia, criar a secção e colocar em linha o que me mandarem. Esta secção é vossa.
Olhem para a vossa colecção ou para as cartas que todos os dias recebem e se encontrarem uma peça curiosa, ela poderá passar a ser uma Jóia Filatélica com direito a fotografia e descrição na Internet.
Mandem-me a informação, mandem-me a imagem e o texto por e-mail e ela será colocada em linha, sempre (caso não digam nada em contrário) com a indicação de quem a enviou (nome e/ou e-mail).

Webmaster

Ficamos a aguardar!


Editorial 055 - 2002/11/07