Estratégias de Longo Prazo
- Um comerciante português colocou algumas imagens de selos recentes e seus preços, criou uma página na Internet sem estrutura e atractividade. Passados poucos meses abandonava o projecto, não terminando com a ligação, porque não tinha clientela.
- Um clube filatélico aceitou colocar os seus produtos na Internet, depois de alguma reflexão movida pelo receio de vir a ter, de um momento para o outro, tantos pedidos que não seriam capazes de dar despacho. Ao fim de meio ano perante a escassez de encomendas resolveu deixar de ligar ao assunto.
- Um filatelista resolveu colocar as suas paixões filatélicas no espaço cibernético admitindo que nos meses seguintes receberia imensos aplausos pela sua obra. O silêncio foi total ao longo dos meses e os visitantes poucos. Resolveu não mais actualizar a página.
- Filatelia em Portugal na fase inicial da sua constituição resolveu escrever a todos os clubes filatélicos portugueses pedindo uma informação para colocar em linha. Poucos responderam e os que o fizeram nunca mais se lembraram de actualizar a informação dada.
Poderíamos continuar os exemplos. Todos eles revelando pouco realismo, pouco conhecimento das fraquezas do meio filatélico português e da situação semiperiférica do nosso país nas vertentes tecnológica, social e cultural. Todos eles revelando actuações de curto prazo, efémeras, sem continuidade. Todos eles revelando uma ausência de estratégia.
Não é dessa forma que poderemos modificar o panorama filatélico nacional. Também o não será com palavras nunca concretizadas ou concretizáveis. Também o não será com falta de sentido social e preocupações dominantes de promoção pessoal. Muito o menos o será dividindo ou dividindo-se, corrompendo ou corrompendo-se, maltratando ou maltratando-se.
Quando Filatelia em Portugal apareceu pouco mais era do que um sonho, uma ideia vaga. Desconhecíamos muitas das envolvências e estávamos muito longe de conhecer quantos adversários - a maioria por razões totalmente desconhecidas para além das imanentes à vaidade e inveja humanas - iríamos criar.
Contudo algumas ideias eram firmes e perfeitamente assentes:
- A amizade e o diálogo eram as nossas preocupações pragmáticas e éticas.
- Dirigindo-nos a todos os que poderiam interessar-se pelo coleccionismo de selos, tínhamos como público preferencial os que entendiam português e eram filatelistas anónimos.
- O processo que então se iniciava só produziria efeitos se fosse obra de anos, sem preocupações imediatistas ou intenções de lucratividade, numa procura incessante de melhoria
- Muito respeito por todos os visitantes da página.
Continuamos hoje perfeitamente firmes nos mesmos princípios com uma mais clara consciência do terreno em que nos movemos.
Há uns anos, ver uma ligação numa página estrangeira para a Filatelia em Portugal era um espanto para nós. Vermos o nosso trabalho referido numa revista estrangeira um encantamento. Hoje continuamos a viver intensamente essas situações, a estarmos atentos, mas tornaram-se actos relativamente habituais. O reconhecimento internacional que temos tido, o facto de sermos a referência para muitos quando falam do Portugal filatélico, o posicionamento que temos, dá-nos alegria mas sobretudo aumenta as nossas responsabilidades.
Espanto continua a ser o reconhecimento do nosso trabalho pela filatelia (des)organizada portuguesa que prefere esquecer ou ignorar, quando não combater. Subsidiar, estimular, nunca!
Neste momento estamos envolvidos em projectos europeus e latino-americanos.
Firmámos recentemente um acordo com a prestigiada empresa iBazar, recentemente comprada pela toda poderosa eBay, de colaboração mútua que já está no terreno.
Em protocolo com o Clube Nacional de Filatelia lançámos a primeira revista filatélica electrónica em Portugal, e uma das primeiras no mundo.
Estamos em negociações com outras instituições para o estabelecimento de acordos de cooperação.
Sem dúvida que a A Filatelia em Portugal ganha com todos estes acontecimentos. Mas com ela ganha toda a filatelia portuguesa, "saindo da concha", dialogando com os outros. Ganha a filatelia portuguesa que se abre ao, e no, mundo.
Tudo isto foi feito sem qualquer estrutura de apoio, com pouco tempo disponível.
Dêem-me um funcionário em tempo inteiro e nós modificamos o mundo da filatelia em Portugal.
Editorial 046 - 2001/03