Breves Notas sobre a Maximafilia na Internet
Carlos Pimenta
No momento em que vos escrevo há 152.500.000 visitantes da Internet (internautas) repartidos da seguinte forma: 87.000.000 nos Estados Unidos e Canada, número relativamente estacionário nos últimos meses, 33.190.000 na Europa, tendo registado um pequeno decréscimo nos últimos meses, 26.220.000 na Ásia e Pacífico, em aceleradíssima expansão, 4.500.000 na América do Sul e Central, em situação estacionária, 920.000 em África, em expansão, e 780.000 no Médio Oriente, em crescimento lento.
Na Europa o processo é liderado pela Alemanha. Portugal ocupa uma modesta posição mas está em fase de franco crescimento. Num ano registou um aumento de 100% nas ligações à Internet, ocupando a comunicação tipo diálogo (ICQ) os mais elevados índices de crescimento. O acesso a ficheiros que utilizam recurso multimédia (páginas web) tem, nacional e internacionalmente, uma grande importância. No caso português o grupo etário dos 15 aos 25 anos representam uma importante percentagem. Os internautas portugueses têm acesso a essa extensa e complexa rede de computadores, com protocolos de comunicação compatíveis, essencialmente no seu local de estudo ou trabalho, mas a grande percentagem de lares com computador faz prever que também aí a comunicação informática se generalize rapidamente.
Estamos perante um processo de comunicação útil nos mais diversos aspectos da nossa actividade profissional ou pessoal, mas onde ainda existe uma elevada dose de encantamento e deslumbramento. A Internet não é só o espaço informático que se visita ("surfa") para comprar, vender, dar ou obter informações, mas onde muitos de nós se deleitam, encontrando o que procuravam ou desconheciam, vibrando com o texto, imagem e som numa combinação que só o computador permite.
A utilização da Internet pelos filatelistas é uma forma fácil de comunicação, mas é também uma importante forma de promoção deste coleccionismo, de divulgação das belezas que a actividade filatélica transmite. E é-o por três razões já anteriormente referidas: há muitos milhões de potenciais leitores, os jovens representam um peso importante no conjunto, o encantamento da procura poderá atrair e deslumbrar muitos cidadãos que não sendo filatelistas ficam sensíveis à possibilidade de o ser, olhando a partir de então de forma diferente para as cartas que recebem ou enviam.
E se essa responsabilidade propagandística é extensível a todos os filatelistas, é-o muito particularmente aos maximafilistas porque os postais-máximos são uma peça filatélica fortemente atractiva para o público em geral, podendo ser, entre outras, uma via de acesso ao coleccionismo.
Aliás o reconhecimento da atractividade dos postais-máximos está no facto da UNESCO ter uma espaço na Internet em que os apresenta, associados à sua actividade de preservação do património histórico.
Infelizmente ainda são poucas as páginas especificamente dedicadas à maximafilia, mesmo tomando como universo as páginas web dedicadas à filatelia, que crescem a uma média de cerca de quarenta novas por mês.
Não conseguimos identificar com rigor a data de aparecimento de cada uma das páginas dedicadas à maximafilia mas estamos convencidos que a primeira que surgiu foi a do MAXIMAPHILY GROUP OF ISRAEL (http://members.iol.co.il/taldavid/index.html), sem dúvida a mais completa, apresentando um grafismo notável.
Acrescente-se em reforço desta apreciação manifestamente positiva que não é fácil a apresentação dos postais-máximos na Internet: a visibilidade do selo e do carimbo exige alta resolução e dimensão significativa o que faz com que as imagens tenham grande dimensão e o acesso se torne lento.
Na sua visita poderá ver muitos postais-máximos, familiarizar-se com a terminologia, aprender como se fazem e quais são as regras a que deve obedecer, conhecer os regulamentos, visitar outras páginas web sobre estes assuntos, listar as organizações e publicações maximofilas de todo o mundo (Portugal é o único que aparece com mais do que um clube: assim até perece que somos muitos!) e muito mais coisas.
LES MAXIMAPHILES FRANÇAIS (http://www.mygale.org/09/maxima/index.htm) e MAXIMUM CARD STUDY UNIT OF AMERICA (MACSU) (http://www.geocities.com/Eureka/Promenade/8559/): são as duas outras páginas oficiais, isto é, de clubes de maximafilia. A Associação Portuguesa de Maximafilia desde este ano divulga os postais-máximos e alguns aspectos da sua estrutura e literatura por intermédio da "Filatelia em Portugal", havendo uma ligação directa das páginas anteriormente referidas para o álbum de postais máximos, aqui existente
Será ainda de referir a existência de pouco mais de uma dúzia de páginas web de coleccionadores e, quase certamente, referências à maximafilia em sites de temáticas diferentes.
A Filatelia em Portugal (http://www.caleida.pt/filatelia) teve o seu nascimento em 11 de Novembro de 1996. Desde então tem tido grande aceitação nacional e internacional, como testemunham as 20.000 visitas no fim do ano transacto e as 433.460 solicitações durante 1998, a que correspondeu o carregamento de 2.000 Gbytes de informação.
Quando da sua constituição decidiu-se colocar informação sobre as emissões dos CTT. Dessa forma os postais-máximos (ou assim designados pela Administração Postal nas suas emissões) surgiram desde cedo no site. Surgiram igualmente na apresentação da legislação FIP sobre o assunto, no glossário e seu desenvolvimento, em alguns artigos.
Porque sempre dissemos que "Filatelia em Portugal" estaria aberta a todos, desde a primeira hora contactamos todas as associações e clubes filatélicos para colocarem informação sobre a sua actividade, para darem sugestões e enviarem materiais. Apesar de sempre se referir que tal não tinha qualquer encargo, antes pelo contrário, a resposta foi, e é, muito deficiente. No campo da maximafilia apenas a Associação Portuguesa de Maximafilia respondeu positivamente e através de um diálogo amável, franco e aberto chegamos a um nível de colaboração extremamente interessante.
Tal permitiu que a partir da versão 2.03, colocada em 29 de Abril de 1998, se criasse uma secção para apresentação dos postais-máximos produzidos por clubes filatélicos, em que a APM teve o pioneirismo e a colaboração principal.
É interessante registar o número de visitas e este álbum de postais máximos durante 1998:
| | | Maio | | 38 | | Setembro | 70 |
| | | Junho | | 56 | | Outubro | 27 |
| | | Julho | | 30 | | Novembro | 30 |
| | | Agosto | | 36 | | Dezembro | 44 |
Estes números são susceptíveis de diversas leituras:
- Em percentagem das visitas à "Filatelia em Portugal" a consulta dos postais-máximos é reduzida, como são todas as opções de menu que se afastam da apresentação dos selos (a visita aos carimbos tem tido também uma reduzida percentagem de visitas) ou da atitude de mais pedir do que dar (os anúncios é um das secções mais solicitadas).
- No contexto internacional, atendendo ao número de visitas aos sites dos clubes anteriormente referenciados, as visitas aos postais-máximos portugueses são em número não despiciendo.
- Alguns problemas técnicos podem contribuir para uma atitude de retraimento na visita a esta secção: tendo optado por colocar as imagens na dimensão do objecto representado, apesar dos cuidados de compactação e tratamento da imagem, o tempo de acesso à secção é excessivamente longo para os anseios de muitos internautas.
Pretendemos neste pequeno trabalho fazer um primeiro balanço da maximafilia na Internet.
A principal conclusão vai no sentido da acção: se hoje podemos realçar alguns aspectos positivos na divulgação informática da maximafilia ainda há um longo, diversificado e vastíssimo caminho a percorrer.
Estamos certos que continuarão a existir vontades suficientes para se conseguir atingir objectivos bastante mais ambiciosos.
A043/#183
1999/02
Publicado originalmente no Boletim da APM n º 57