Opiniões e Soluções

Há um ditado popular que diz "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Podemos aplicá-lo integralmente a esta versão da Filatelia em Portugal. Depois de longa insistência, estudo e conjunto de contactos conseguimos avançar em três aspectos importantes.

Em primeiro lugar criaram-se condições para que a página evoluísse em áreas até agora inviabilizadas, através da utilização de algumas técnicas de programação, sem pôr em causa o acesso de uma grande diversidade de visitantes, com diferentes programas, com as mais diversas versões. Um caso paradigmático é ter-se colocado em funcionamento a base de dados dos filatelistas, "em construção" desde o nascimento da página. A curto prazo outras áreas serão remodeladas ou acrescentadas.

Em segundo lugar resolveu-se avançar com um espaço novo sobre as administrações postais. Aí se procurará ter uma listagem completa das administrações postais presentes e passadas (o que já está em linha) e sobre cada uma delas fornecer um conjunto de informações geográficas, históricas e sociais, mostrar peças filatélicas, curiosidades, referir a história postal.

Durante cerca de um ano tentamos construir esta informação em colaboração com uma prestigiada editora portuguesa, tentando fazer uma ponte entre o estrito campo filatélico e o processo de ensino/aprendizagem na escola. Não tendo havido mais reacção às propostas por nós avançadas resolvemos meter mãos à obra. É uma trabalho de anos, sempre inacabado. Estamos aberto a toda a colaboração, a quem queira assumir a responsabilidade de gerir a sua informação.

Em terceiro lugar começam a vislumbrar-se condições para a formação de uma equipe trabalhando de forma regular na Filatelia em Portugal. À medida que esses novos colaboradores surjam e os seus trabalhos sejam apresentados far-lhe-emos referência expressa.

Por todos estes aspectos foi com grande alegria que colocamos em linha esta revisão. Por isso consideramos que tínhamos entrado na terceira fase da evolução da Filatelia em Portugal. Por isso lhe chamámos versão 3.01



Foi com alguma surpresa que li na última Filatelia Lusitana um artigo contra o Presidente da Direcção do Clube Nacional de Filatelia, o Clube e contra mim, a propósito de dois artigos escrito no Jornal de Filatelia sobre "A Filatelia e a Internet, reproduzido aqui na opção do menu "Artigos".

Sempre admiti que uma Federação tivesse coisas mais importantes a tratar, até porque a escassez de publicação da sua revista torna cada página de texto uma quase raridade. Mas assim não aconteceu e o Presidente da Direcção da Federação assume como dirigida a si toda e qualquer frase, mesmo quando a ele não se refere nem tal importância lhe foi atribuída.

Interroguei-me sobre a melhor atitude a tomar, que poderia ir de alimentar mais uma polémica que a muito poucos interessa, a pôr um processo em tribunal; que poderia passar por repor toda a correspondência trocada, e que já consta há muito da Internet, ou relembrar ao Senhor Presidente da Direcção da Federação que vivemos em democracia - a palavra está nos dicionários para quem não sabe o seu significado. Convencido que tão despropositado texto publicado na Filatelia Lusitana tem grandes probabilidades de indiciar problemas de saúde, resolvemos não tomar nenhuma dessas atitudes.

Depois da leitura de tão nugatório texto repeguei nos Náufragos do Autocarro de Steinbeck e com deleite relembrei cura para tantos males:

"Encontrava-se submerso pela desesperança ante esta loucura. As suas negativas soavam aos seus próprios ouvidos quase corno que admissões. Não compreendia o motivo por que ela se comportava desta maneira e a injustiça provocava-lhe apertos no estômago enquanto a raiva crescia também dentro de si.

A boca de Norma estava aberta e o micróbio da histeria aprestava-se para entrar nela. Gritos agudos começaram a sair dela a cada expiração As mãos apertaram-se-lhe em frente do peito como se procurassem destruir-se uma à outra.

Alice avançou para Norma, com o punho direito fechado, não como o punho de uma mulher, mas com os dedos firmemente apertados e os nós salientes, o polegar atravessado duramente sobre as falanginhas. As suas palavras eram ásperas e húmidas.

-Vai-te embora! Desaparece desta casa!. Vai para a rua apanhar a chuva! -Alice cresceu sobre Norma, esta recuou e um grito agudo de terror saiu-lhe da boca.

Ouviram-se uns passos rápidos do outro lado da porta e a voz de Juan soou cortante:

-Alice!

Esta imobilizou-se. A boca abriu-se-lhe como que impelida por uma mola e nos seus olhos apareceu uma expressão de medo. Juan entrou lentamente no quarto. Tinha os polegares pendurados nas algibeiras do fato-macaco. Aproximou-se dela tão silenciosa e agilmente como um gato rastejando. O anel de ouro no dedo amputado brilhava à fraca claridade que passava através da janela. A raiva de Alice desvaneceu-se para dar lugar a um sentimento de terror. Ela escapou-se para longe dele, passou pelos pés da cama e foi embater contra a parede. Ai foi obrigada a parar.

-Não me batas - murmurou ela. -Por favor, não me batas.

Juan chegou junto dela e a sua mão direita estendeu-se lentamente até segurar-lhe o braço logo acima do cotovelo. Juan fitava-a, não olhava através ou à volta dela. Dominou-a suavemente mas com firmeza, conduziu-a através do quarto, saíram e fechou a porta sobre Norma e Ernest.

Os dois olharam para a porta fechada e mal ousaram respirar. Juan levou Alice para a cama de casal, fê-la voltar com suavidade e esta deixou-se manejar como um paralítico e caiu pesadamente de costas na cama ficando a olhá-lo com uma expressão selvática. Juan tirou uma almofada de cima da cama e meteu-lha debaixo de cabeça. A mão esquerda, a do seu dedo amputado com a aliança de casamento, afagou-lhe o rosto meigamente.

-Agora vais sentir-te melhor -afirmou ele.

Ela cruzou os braços sobre a cara e os soluços irromperam estrangulados, ásperos, sem lágrimas."




Nuno Gonçalves teve a amabilidade de também nos deixar uma opinião que não podemos deixar de reproduzir:


A ideia de existir apenas um catálogo nacional e das ex-colónias, oferece-me grandes reservas. A valorização dos nossos selos é muito discutível. Veja-se qual o controlo que a Afinsa tem no que respeita aos selos de Macau: Ninguém o utiliza nem mesmo em Portugal.

Como é que se pode, por exemplo, no caso dos D. Luís fita direita, apresentar uma tiragem de X selos, e não existir um estudo individualizado de cada tonalidade, albergando tudo no mesmo "saco", com a saída "...de amarelo a laranja..."?

Veja-se o exemplo do catálogo MICHEL.

Vai sendo tempo de ser criado um organismo, que promova, trate da homologação e premeie a descoberta de diferenças e erros nas diversas emissões, à semelhança do que acontece, por exemplo, na Alemanha.

Tal permitiria baixar alguns preços de selos básicos, e posteriormente valorizar os desvios aos padrões. Há algum coleccionador que não busque o exemplar único ?

Por outro lado, tornaria possível a catalogação de muitas variantes que existem, mas mais ninguém conhece. E acreditem que há muitas...




Editorial 035 - 1999/03