Continuemos trabalhando e sorrindo
Considerações iniciais
Cada versão da Filatelia em Portugal posta em linha é um momento de contentamento e de angústia.
Ao longo dos dias, quando em momento de lazer nos ocupamos deste espaço cibernético ou em ocasiões de trabalho uma ideia peregrina nos assalta, vamos anotando cuidadosamente o que temos que fazer quando das próximas revisões. A lista das tarefas cresce incessantemente e mal apagamos uma acção já realizada muitas outras saltam desenfreadamente. O que há a fazer é sempre mais do que o feito. A força da imaginação e o muito que há a fazer na filatelia portuguesa são alavancas poderosas de um trabalho incessante.
Esta é a angústia que nos invade. Queríamos ter metido as marcas postais comemorativas do período 1990 a 1994, mas só fizemos 1993 e 1994. Queríamos inventariar todos os artigos em catálogos de exposições cujos documentos se empilham em dois caixotes, mas só fizemos de um. Gostaríamos de ter reformulado completamente a apresentação de algumas secções da Filatelia em Portugal mas o tempo não chegou. Era nossa intenção rearrumar o «Manual para Iniciados» mas nem sobejou tempo para olhar os títulos. Tantos milhares de palavras que ficaram por escrever, quantos milhares de imagens que não chegaram a ser digitalizadas. Uma angústia que não nos pode possuir porque nos tolhe os movimentos.
Uma angústia que não pode impedir de olharmos para trás e verificarmos quanto andámos, quanto aprendemos, quantos amigos fizemos.
Pediram-nos para a revista Filatelia Portuguesa um artigo sobre a página Web. Acabamos por escrever três (ver na opção de "Artigos" do "Menu") em que explicitamos ideias, esperanças e desesperos, sonhos e realidades. E o balanço é francamente positivo. É bom de quando em vez darmos sentido à vida, reflectirmos criticamente sobre as nossas actividades, não sermos ensonados pelo quotidiano.
É com estes sentimentos contraditórios, mas de rumo conhecido e criticamente premeditado, que metemos mãos a escrever "As Dicas da Semana", última tarefa de cada revisão. Também aqui os assuntos a tratar fervilham pedindo a nossa atenção.
Há que seleccionar com uma consciência clara de quem os nossos interlocutores. Ou, pelo menos, a quem nos queremos dirigir: aos milhares de filatelistas que gostam de se divertir, que gostam de coleccionar, que gostam de conviver, que acreditam que os momentos de lazer são de confraternização entre os homens, de quimeras tornadas realidade.
Chamemo-lhe povo filatélico, que muito nos honra na visita à Filatelia em Portugal. Depois há outros filatelistas que fazem do lazer o stress da conquista de medalhas em exposições, que fazem da fraternidade um campo de batalha, que fazem do ócio a alavanca do poder. Para esses também aqui estamos mas não com aquele carinho que os coleccionadores "do povo" nos merecem.
PORTUGAL 98
Esta é a última versão de Filatelia em Portugal antes da PORTUGAL 98.
É um grande acontecimento filatélico em potência mas só o será de facto se aumentar os conhecimentos dos filatelistas, se aumentar o número de coleccionadores, se incentivar o trabalho organizado da filatelia portuguesa, se ajudar a que filatelia rime com democracia. É um grande acontecimento que só cumprirá os seus objectivos - não sei se expressos mas pelo menos desejados por nós - se atrair público, se caras novas tomarem contacto com o mundo dos selos e da filatelia.
Desde o nascimento da Filatelia em Portugal, e foi em Novembro de 1996, que chamamos a atenção para a PORTUGAL 98, que promovemos a sua imagem, que criámos uma ligação directa da «Página Principal» para o conjunto de informações sobre a mesma, que enviamos para outros espaços cibernéticos informações sobre ela, que reproduzimos artigos sobre esse assunto.
Não podemos ser acusados de denegrir a iniciativa ou de a subestimarmos. Mas defender a PORTUGAL 98 não é perder o sentido crítico, não é silenciarmos a falta de cumprimento dos compromissos por uns, a pouca lucidez de outros e a prepotência de alguns, assim como não é esquecermos a boa vontade e abnegação de muitos.
Por isso desde a primeira hora pretendemos que a Filatelia em Portugal estivesse presente como forma que entusiasmar os jovens para o coleccionismo, essa geração para quem a informática faz parte do quotidiano. Talvez por isso a ACOFIL respondeu que só íamos "lançar a confusão", a Federação nunca entendeu o que era uma página web e alguns dos organizadores da PORTUGAL 98 nos procuraram manter afastados, quão infectado por algum vírus, provavelmente informático. Embora essa seja uma história de "escárnio e maldizer" que oportunamente contaremos a todos os nossos leitores, depois da exposição passada, no "lavar dos cestos da vindima", importa dizer desde já que os CTT tiveram em todo o processo uma posição de lucidez e dignidade que me apraz registar.
Por agora reforcemos os votos de sucesso para a PORTUGAL 98, esperando que nos sejam fornecidos os dados referentes a visitantes, participantes jovens, e, já agora, custo por visitante.
Ano Internacional dos Oceanos

É um facto sobejamente conhecido que hoje não é possível possuirmos todos os selos do mundo, nem todos os que vão saindo. E, no entanto, muitos iniciados na filatelia, muitos apaixonados pelos selos, continuam a coleccionar tudo o que lhes aparece, selos de todos os países. A comprová-lo estão os muitos que visitam o nosso «Livro de Visitas» e que declaram isso mesmo.
Mais do que ignorância tal atitude revela paixão, gosto de saber e encantamento. Há tantos selos belos, porquê deixá-los de lado? Há tantos ensinamentos que os selos estrangeiros nos podem fornecer que parecem ser força bastante para coleccioná-los. A filatelia mundial é tão bela que a força da beleza supera a frieza dos cálculos de custos e possibilidades.
A viabilidade de fazer uma colecção rápida, de todos os países do mundo, com um fio condutor é uma agradável síntese entre aquele desejo universalista manifestado por muitos e uma racionalidade do possível. É o que Ana Lúcia Loureiro Sampaio chama de «colecção das séries ónibus».
Em determinadas ocasiões, todos os países membros da União Postal Universal, entram em acordo e emitem selos sobre um mesmo assunto. Sempre assuntos de interesse mundial, alguma campanha ou homenagem; a maior parte delas em apoio à ONU, que determina que um ano é destinado a esta ou àquela campanha ou homenagem. Como o Ano do Combate a Malária, o Ano Internacional da Criança e, muitos outros. Os selos são sempre sobre um mesmo assunto, mas não são iguais, cada país emite livremente selo ou série de acordo com suas próprias características ou preferências. Mas há outras que nada tem a ver com a ONU, como por exemplo, os comemorativos dos congressos da UPU.
O objetivo seria possuir todas as Séries Ônibus, entretanto, cada série já é uma pequena coleção. Assim, a coleção pode ser feita em etapas, fazendo-se poucas séries por vez, para não ficar muito complicado. Não é preciso ter um catálogo, mas é necessário fazer uma pesquisa, para saber os países participantes e os números de emissão dos selos, para depois poder procurá-los melhor nas lojas e feiras de trocas.
A arrumação é como a Coleção das Grandes Séries, já descrita anteriormente e, como aquela, esta também não é uma coleção cara. É só um pouco mais trabalhosa, porque é bem maior e entram todos os países. É um tipo de coleção bem indicado para quem quer ter uma coleção universal, sem gastar muito dinheiro e, ao mesmo tempo, não correr o risco de se dispersar, como pode ocorrer quando se faz uma Coleção Representativa.
Neste mesmo estilo de coleção, podemos enquadrar os Giros de Europa e de América. São selos emitidos anualmente sobre um determinado tema pelos países da Europa e, agora, a partir de 1990, iniciou-se a emissão na América com assuntos americanos. São duas coleções muito boas e fáceis de se fazer. Principalmente a América, que está começando agora.
Há também alguns assuntos importantes que fazem com que muitos países emitam selos na mesma época, mas não são séries ônibus, porque não há uma contratação específica da União Postal Universal. Os países são livres para emitir ou não a respeito de determinados assuntos de interesse mundial, como por exemplo: "Os 150 Anos da Emissão do Penny Black" que ocorreu em 1990; "Bicentenário da Revolução Francesa", que ocorreu em 1989; grandes exposições filatélicas de âmbito internacional, como a nossa Brasiliana, etc. Podemos chamar de giro de assunto e, cada assunto pode ser considerado uma pequena coleção.
O Ano Internacional dos Oceanos, exactamente este ano de 1998, é um desses casos. Em Dezembro de 1994 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovava definitivamente a proposta da Comissão Oceanográfica Internacional para que durante um ano houvesse uma concentração da opinião pública sobre os Oceanos, os governos tomassem iniciativas para a sua protecção e os cientistas de todo o mundo coordenassem os seus esforços.
Acontecimento mundial, agarrado filatelicamente por algumas administrações e esquecido por outras, assume particular importância para PORTUGAL, pois a EXPO98 é parte integrante desse movimento de sensibilização.
Até este momento vinte e cinco administrações postais emitiram selos, blocos, envelopes de primeiro dia, marcas postais. Criaram-se postais-máximos e promoveram-se iniciativas. Até ao fim do ano outras surgirão.
A reduzida dimensão da colecção, a sua natureza universalista, as preocupações ecologistas que comporta e a beleza de várias peças filatélicas já emitidas aconselham a que estudem a possibilidade de coleccionar AIO. Deixemos uma ou outra imagem para aguçar o apetite:
Selo,
Bloco (reduzido),
FDC (reduzido),
Marca Postal.
Reparem bem nesta etiqueta!
Reparem bem nesta peça filatélica. É o que se costuma designar por etiqueta (porque não selo?) de máquinas de venda automática. É, indubitávelmente, uma bela peça que atrai a atenção de quem receba correspondência franqueada com ela ou que tenha a sorte de a encontrar.
Ela prova-nos que se podem obter maravilhosas peças filatélicas por meios mecânicos e que é possível conciliar a celeridade e funcionalidade dos serviços de correspondência com a beleza das peças filatélicas. As nuas etiquetas que quotidianamente nos impingem nos balcões dos CTT, incolores, sem mensagem, desinteressantes não é um fatalismo tecnológico. Pelo contrário, é uma não utilização da tecnologia ao serviço da beleza.
Programa Filatélico para 1999
Os CTT apresentaram a sua proposta de emissões filatélicas para 1999. Lista de emissões e uma breve justificação das escolhas feitas.
Podem consultar esse material nas «Emissões» constantes do «Menu». Cada um fará a apreciação que considerar mais adequada. Uns concordarão com algumas emissões outros discordarão de outras, alguns encontrarão contempladas as suas sugestões outros farão ouvir a sua voz no início do próximo ano, quando da apresentação de sugestões para o ano seguinte.
Aqui e agora gostaríamos apenas de chamar a atenção para alguns aspectos:
a) A listagem provisoriamente produzida é a síntese de um vasto conjunto de sugestões feitas por cidadãos deste ou doutro país, num processo aberto, participado, dialogante. Quem quiser apresenta sugestões. Não há restrições de qualquer tipo. Todos sabem o resultado. As opiniões contam por si e não porque quem as emitiu é isto ou aquilo. O facto dos CTT mandar a quem apresentou sugestões contempladas uma amável carta agradecendo a colaboração mostra que não estamos apenas perante um procedimento burocrático. Há cuidado, sentido humano, colaboração. É um procedimento a enaltecer.
b) Obviamente que o resultado final não é apenas o fruto das opiniões emitidas. Há que atender a recomendações internacionais, a sugestões institucionais, a cifras de circulação de correspondência, a número de assinantes filatélicos, às contas do receber e gastar. Por isso será difícil uma posição parcial, uma opinião isolada encontrar-se totalmente satisfeito com o plano final obtido. Na compreensão da quantidade de elementos presentes e da diversidade de intenções está a lucidez da tolerância. Na crítica justificada e no combate de ideias a manifestação da cidadania e da convivência entre os homens.
c) Uma crítica frequentemente feita é de haver muitas emissões, eventualmente com tiragens reduzidas em relação às necessidades e de para cada uma delas surgir uma grande diversidade de peças (selos, blocos, carteiras, inteiros postais, postais, postais-máximos, etc.). A prática de algumas poucas séries com grandes tiragens foi substituída pela de muitas séries com reduzidas tiragens. Parece que a intenção mais imediata é sacar dos milhares de assinantes filatélicos e dos comerciantes a maior quantidade de dinheiro possível. É verdade, mas não é só isso. É o resultado contraditório da importância social que os CTT e a filatelia têm no mundo contemporâneo. A velocidade dos acontecimentos, a multiplicidade de efemérides e desafios sugeririam para alegria dos cidadãos e dos filatelistas, sobretudo temáticos, um muito maior número de emissões. Os constrangimentos atrás referidos e as fracas posses de muitos filatelistas, sobretudo jovens, sugeririam menos emissões. É difícil admitir que exista um ponto de equilíbrio.
Bom, esta dica já vai longa. Um ciberleitor sugeriu que abordássemos a invenção do transístor. A exposição AUSTRALIA 99 lança-nos o desafio da Filatelia Social e a Federação Internacional de Filatelia alerta para a necessidade de considerar na literatura filatélica os meios multimédia e informáticos.
Três temas aliciantes que tínhamos intenção de abordar, mas que a paciência dos leitores aconselha que fique para a próxima dica.
Editorial 031 - 1998/09