Quase em aniversário

Carlos Pimenta

Dentro de poucos meses esta Filatelia em Portugal faz oito anos.
É tempo de olhar para o seu percurso e fazer um balanço.

Nascido de uma brincadeira, sem contornos bem definidos e apenas com a preocupação de ser um elo de comunicação entre filatelistas, teve uma vantagem inicial: soube interpretar os sinais do tempo, antecipou-se em relação a muitos outros que poderiam (deveriam) ter tido essa lucidez e tornou-se um símbolo - certamente limitado mas cumprindo as suas funções dentro do possível - da filatelia em Portugal.
De facto beneficiou de uma outra vantagem, cujo vislumbre raramente nos surgiu de forma explícita: não estava ao serviço de ninguém nem de nada, porque sonhava estar ao serviço de todos. Há um provérbio estrangeiro que termina com a pergunta "independente ao serviço de quem?". Aplicar-se-á também aqui essa pergunta?
Dissemos que "não estava ao serviço de ninguém nem de nada", não dissemos que era independente. Pormenorizemos:



Apesar disso nunca fomos independentes. Sempre afirmámos clara e explicitamente o nosso entendimento de uma certa filatelia. Lutamos por uma filatelia que dignifique culturalmente os seus praticantes; que seja escola de método, conhecimento e investigação; que aproxime os cidadãos independentemente de crenças religiosas, opções políticas, etnia, sexo, idade, recursos financeiros ou qualquer outro elemento de diferenciação. Uma filatelia que nas suas mais diversas práticas (desde as individuais às instituições) respeite a democracia - particularmente expressa no direito à diferença - e, sempre que possível, a promova. Sem sobrevalorizar nenhum dos processos de promoção e organização da filatelia, considerámos que a nossa missão era aproveitar ao máximo os recursos trazidos pela novas tecnologias, particularmente a Internet. Sempre nos sentimos mal ao participar em qualquer forma de elitismo filatélico.

Desde então nunca parou de crescer. Não houve uma única semana em todos estes anos que não fosse acrescentada informação. Hoje colocavam-se mais referências bibliográficas, amanhã novos sites internacionais. Hoje mais alguns postais-máximos, amanhã mais índices de revistas internacionais. Hoje alguns novos carimbos comemorativos, amanhã um novo artigo. Hoje, amanhã e depois de amanhã novas referências - em texto ou imagem - às emissões de Portugal dos mais diversos tipos.
Se este aspecto nunca foi descorado, o que também é responsável em parte pela página desde o início não ter sofrido notórias modificações de apresentação, há que juntar uma vantagem adicional e uma deficiência.
A vantagem é fácil de enunciar: perseverança, percepção de que se trata de um projecto de longo prazo.
A deficiência também é óbvia: ao privilegiarmos os conteúdos e, numa segunda fase, o tipo de tratamentol da informação - passando toda a informação a estar em bases de dados - descoramos o marketing, a promoção da página, a sua divulgação.

Para terminar estas breves referências importa recordar os muitos amigos que têm ajudado, mesmo que modestamente, este empreendimento, e o prolongamento da iniciativa com a edição da revista electrónica A Filatelia Portuguesa e a colecção de livros electrónicos. Mas importa recordar as muitas inimizades e atitudes antidemocráticas que gerou.



A nossa perseverança!



Editorial 060 - 2004/08/23